Análise: Guitar Hero Live - BitBlog

Análise: Guitar Hero Live

Após semanas jogando Guitar Hero Live, finalmente pude formar uma opinião concreta sobre o título. E, de cara, já aviso: não se trata de mais um “joguinho de ritmo”, mas sim de um belo retorno da franquia da Activision. A versão analisada foi a do Wii U, mas não leve isso em conta, já que é o mesmo jogo nos outros consoles: PS4, PS3, Xbox One e Xbox 360. Confira nossa análise.

Primeiras impressões

Após abrir o pacote gigante – composto pelo disco, guitarra e folhetos de instruções – configurei o que devia, inseri o receptor USB no console e comecei a jogar. Foi o momento em que criei, perdurando por alguns minutos, resistência ao acessório. Enfrentei dificuldade nas partidas iniciais, devido ao novo layout dos botões.

Guitar Hero Live - nova guitarra - 2Seis teclas, agrupadas pelas cores preto e branco. Parece simples, mas não é

Assim que o título é executado pela primeira vez, uma espécie de tutorial surge. É preciso se familiarizar com as seis teclas, reposicionadas no novo modelo de guitarra. Ao mesmo tempo em que a sensação de estar tocando um instrumento de verdade aumenta, já que é possível realizar mais combinações, é preciso – mais do que nunca – ter prática. Até mesmo os especialistas nos jogos anteriores da franquia vão sofrer um pouco para se acostumar. Logo após o tutorial, veio Fall Out Boy com sua “My Songs Know What You Did in the Dark” e eu não tenho vergonha de dizer que fui bem mal. Mas melhorei nas tentativas seguintes.

Falando sobre o acessório, é preciso abordar o botão “Hero Power”. Ele serve para acionar o “Hero Mode”, que permite animar os fãs nos shows (calma, já explico), tocar automaticamente as próximas notas, entre outras funções. A tecla de Pausa está bem próxima, posicionada de forma estratégica. Se você tem apenas o Wii U, não espere nada do Gamepad, que é totalmente desnecessário. Agora, falaremos da principal inovação de Live: a interação com o público.

Guitar Hero Live - plateiaÉ assim que a plateia vai te olhar se você tocar mal

Saem os personagens virtuais, entram pessoas. Jogar Guitar Hero Live traz a sensação de estar em algo real. Na campanha solo, você é guitarrista de uma famosa banda e vai tocar três faixas em um festival. Antes de começar, você vai apertar a mão dos seus companheiros na parte de trás do palco, subir e descer escadas, aquecer, até encarar o público e iniciar o show propriamente dito. Toda a visão é em primeira pessoa. Se tocar mal, a qualquer momento, a multidão vai fazer cara feia e seus companheiros podem te xingar (ou até tentar arrancar sua guitarra). Vá bem para presenciar todo mundo aos pulos, se divertindo.

Neste principal modo, é possível escolher um festival e então uma banda, com seu respectivo setlist de 3 músicas. Cada grupo tem uma especialidade: o fictício The Jephson Hangout, que toca “Counting Stars” do OneRepublic, é o mesmo que manda ver em “Demons”, do Imagine Dragons, por exemplo. Já uma das girl bands presentes, a The Out-Outs, toca Katy Perry, Avril Lavigne e Rihanna. A Blackout Conspiracy é especalista em metal, trazendo Bring Me the Horizon, Pierce the Veil e Of Mice & Men.

Sendo um rockstar

Uma nova guitarra com um gameplay diferenciado. Será que, na prática, funciona? Posso dizer que sim. Após um período de adaptação (que pode ir de 20 minutos a uma manhã inteira, dependendo do seu estilo de jogo), você vai se ver balançando de um canto ao outro, em algumas vezes até cantando junto. Por falar nisso, quem tiver um microfone USB pode plugar no console e cantar qualquer uma das canções. Pode ser o próprio guitarrista ou um amigo. E é aí que os momentos divertidos surgem.


Bom, esse cara pelo menos tentou cantar

Além da campanha solo, um modo multiplayer local está presente. Nele, a tela se divide na vertical e cada jogador tem o seu público. Difícil vai ser colocar isso em prática, já que o pacotão (que inclui o game e a guitarra) custa entre R$ 400 e R$ 600 no Brasil (nos EUA, sai entre US$ 80 e US$ 100). A guitarra não é vendida separadamente por aqui, mas em terras norte-americanas ela é encontrada por US$ 50. Ou seja, é uma brincadeira cara.

Uma análise de Guitar Hero Live não seria a mesma se não tratasse o modo Guitar Hero TV. Neste game, não há mais a opção de comprar uma música e executá-la quando quiser. Ao invés disso, a Activision criou uma espécie de “MTV jogável”: vários clipes são exibidos em sequência e é possível jogá-los, como faixas normais da campanha solo. Não estão presentes as bandas e o público, apenas clipes. De hora em hora, o gênero muda: de pop a metal, ou de indie rock a rap. A programação da GHTV está disponível em seu site. Cada partida reúne ainda outros sete competidores de qualquer lugar do mundo, ao vivo. Seja o primeiro da sala para ganhar moedas virtuais, que te permitem jogar uma música específica do catálogo a qualquer momento (mas sem baixar, ainda por streaming).

Guitar Hero TV -2Jogar online contra outras sete pessoas, no GHTV, é divertido

Vi muita gente pedindo o retorno dos DLCs, mas gostei bastante do Guitar Hero TV. Toda semana tem várias músicas novas no catálogo e não é obrigatório gastar dinheiro para ir além das 42 opções offline. A Activision fez essa mudança porque acredita que vivemos em tempos onde se compra muita coisa, que é jogada fora logo depois. Acho que a opção de DLC poderia estar presente, mas eu, particularmente, não sinto falta. Só espero que a empresa continue reforçando o catálogo.

Uma lista de músicas democrática

Nos modos offline, tem um pouco de tudo. A maioria absoluta das faixas é datada de 2000 pra cá, o que pode afastar a turma mais old school que não conhece The Lumineers, The Killers, Royal Blood, Halestorm e Kasabian. Este pessoal vai ficar feliz com a Guitar Hero TV, que traz mais de 200 opções, passando por Marilyn Manson, Faith no More, Megadeth, R.E.M e The Clash. Veja tudo o que está disponível na Wikipedia.

Neste assunto, minha crítica vai para a ideia da Activision de colocar Skrillex, Zedd e Calvin Harris. Sim, eles tem músicas legais, mas não para se jogar com uma guitarra. É algo forçado demais. Se aboliram o uso de outros instrumentos, o mínimo que poderia se esperar é que o uso do acessório seria consistente. Não foi o caso. Sobre a Guitar Hero TV especificamente, estou sentindo falta das centenas de faixas dos jogos anteriores da franquia. Quero jogar Muse, Breaking Benjamin e Seether, só para citar alguns. A impressão que passa é que quiseram “virar a página” com Live, após 5 anos sem lançamentos. Mas podiam ter lembrado do catálogo antigo.


Visual: 4 / 5

Guitar Hero Live traz muitas filmagens com pessoas reais e uso de clipes. Em conjunto com menus dinâmicos e intuitivos, a aparência final é positiva.

Jogabilidade: 4.5 / 5

No início, tudo é meio atrapalhado. Com prática, tudo se resolve. Os casuais vão sofrer um pouco para entrarem no ritmo.

Som: 4 / 5

Um catálogo justo e democrático, com alguns pontos fora da curva (Calvin Harris?).

Replay: / 5

O multiplayer local e o GHTV são viciantes, mas a campanha solo dura pouco.


Guitar Hero TVGuitar Hero Live supera expectativas e se esforça para inovar

Rock Band 4 trouxe mais do mesmo, Guitar Hero Live trouxe inovação. Este é um dos motivos para dizer que o estúdio FreeStyleGames desenvolveu uma experiência superior e que merece ser jogada. É uma pena que seja algo caro, em especial para os brasileiros.

Nota geral: ★★★★☆ (4/5)

Data de lançamento: 2 de dezembro de 2015 (Brasil)
Plataforma: Wii U (usada na análise), PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360
Desenvolvedora: FreeStyleGames
Publisher: Activision
Jogadores: 1-2 (offline) e 1-8 (online)