Análise retrô – Ys: Memories of Celceta (PS Vita)

Quando você pensa em RPG, o que se passa na sua mente? Final Fantasy, Zelda, Chrono Trigger, Phantasy Star, Dragon Quest e Tales of são algumas das prováveis opções. Para os japoneses, no entanto, um outro nome, desconhecido (de certa forma) no Ocidente, seria lembrado: Ys. A série do estúdio Nihon Falcom teve passagens pelo SNES, PS1 e PC, entre outros, até ficar na geladeira por oito anos. Desenvolver jogos foi se tornando algo mais complexo, com o avanço tecnológico das plataformas e o encarecimento das produções. Isso desmotivou a pequena empresa a seguir com a série – que se limitou a remakes para PS2 e PC apenas no Japão por mais seis anos.

Ys só veio voltar a ver a luz do dia – com um lançamento original e não mais restrito ao Japão – em Ys Seven, para PSP. Um título para um portátil, cujo público cultuava RPGs nipônicos? Era, talvez, a oportunidade perfeita para testar a popularidade da franquia e saber se, de fato, ainda existia espaço para ela no mercado, em meio a tantos games do gênero. Eis que Ys Seven fez um barulho considerável, até mesmo nos EUA. Com uma audiência renovada, a série ganhou fôlego mais uma vez. A Nihon Falcom anunciou, logo depois, Memories of Celceta para PS Vita, que consistia no clássico Ys IV: Mask of the Sun (de SNES) reprojetado completamente a partir de outra perspectiva. Os pontos falhos da versão original foram, em grande parte, corrigidos. Um novo motor gráfico foi usado e os diálogos ganharam mais senso de humor, tornando o título mais atraente.

Já falamos aqui no BitBlog que o PS Vita é uma plataforma de nicho, mas isso não significa – necessariamente – algo ruim. O público do portátil é, em grande parte, composto por fãs de RPGs japoneses. Então, não é difícil imaginar que Memories of Celceta foi, para os padrões do Vita, um sucesso, correto? Claro! Junto a Persona 4 Golden, é um dos destaques da plataforma. E agora, o BitBlog dá a Ys: Memories of Celceta o espaço que ele merece, em uma Análise Retrô.

Um início nada espetacular

As batalhas, sejam em campo aberto ou em uma dungeon, mantêm a perspectiva normal de jogo

Começar a jogar Celceta não é uma experiência tão positiva. No comando de Adol Christin, um herói encontrado sem memória pelo caçador de recompensas Duren, você tenta resgatar suas lembranças ao explorar o mapa, atravessando cidades, cavernas e florestas. Em um primeiro momento, a sensação que se passa é que o universo do jogo é tão grande, e as orientações são tão poucas, que você se perde. Por outro lado, é algo bom, pois permite ao jogador se aperfeiçoar nas batalhas – que acontecem na mesma perspectiva de gameplay, lembrando uma mistura de Zelda com aqueles títulos de hack ‘n slash (mate todos que puder).

A virada

A partir das sete horas de jogo, a trama começa a ficar mais concreta. Adol e Duren conhecem os demais protagonistas, cada um com um grande desafio a cumprir na narrativa. A personificação do “bem” e do “mal” vai ficando evidente e os personagens se tornam mais interessantes. É nesse momento de virada que Celceta se revela um grande título. Nem tão linear, nem tão livre.

Chega o momento em que a jornada está tão interessante que você fica com pena que o jogo acabe logo (falo por mim, pelo menos). Comecei a fazer quests paralelas e aumentar o nível dos heróis, além de destravar conquistas da PSN, para tentar aproveitar ao máximo a aventura de Adol. Mas não tem jeito: Celceta dura apenas 25 horas, pouco para um RPG (principalmente pra quem passou mais de 100h em Persona 4 Golden).


Visual: 3.5 / 5

As texturas têm baixíssima resolução, ao mesmo tempo em que há variedade de ambientes, inimigos e personagens. Poderia ser melhor, se tratando do PS Vita.

Imersão: / 5

A jogabilidade é um dos destaques. Lutar contra os inimigos pelos campos abertos do game é divertido e traz a sensação de que o jogador realmente está envolvido com a saga de Adol e Duren. Os heróis são bem construídos, com personalidades distintas, e amadurecem no decorrer do enredo.

Som: 4.5 / 5

Contando com trilhas orquestradas, as músicas presentes em Celceta representam bem cada momento do game. Você vai se encontrar assoviando uma ou outra em casa. Existem faixas, inclusive, que lembram bastante aquelas encontradas nas dungeons de Zelda, principalmente a que toca ao se encontrar um tesouro. Não acredito em cópia, mas sim em homenagem.

Replay: 4.5 / 5

Ao terminar a campanha, é possível começar um novo save (New Game+) com algumas regalias, mantendo as armas, experiência e dinheiro – o que não impede o jogador de recuperar o save anterior à batalha final e destravar todas as conquistas possíveis na PSN. Algumas são bem desafiadoras, outras nem tanto. Mas a experiência geral é tão positiva que isso, por si só, já é motivador para continuar.


As vilas são bem detalhadas, embora as texturas deixem um pouco a desejar

É uma pena que Ys: Memories of Celceta não seja mais conhecido, pois merecia. É obrigatório para quem tem o portátil da Sony. Fez sucesso suficiente para trazer a série de volta, já garantindo um novo lançamento para PS4 e Vita em 2016. Estamos ansiosos!

Nota geral: ★★★★☆ (8.5/10)
Data de lançamento: 26 de novembro de 2013 (EUA)
Plataforma: PS Vita
Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publisher: XSEED Games
Jogadores: 1