Brasileiro, Kickoff é um Tinder mais comportado - BitBlog

Brasileiro, Kickoff é um Tinder mais comportado

Kickoff

Usar a internet para paquera, seja através de bate-papo, redes sociais ou aplicativos, não é bem uma novidade. Mas é certo que a febre do Tinder – hoje com uma base de 50 milhões de usuários – chancela o potencial do mercado e abre possibilidades para a exploração de nichos. É justamente nessa onda que surfa o brasileiro, porém americanizado, Kickoff. Lançado no final de 2014 em São Paulo, ele vai além do ~~ sonho de uma noite de verão ~~ e se posiciona como alternativa para quem busca um relacionamento sério na rede. Um dos artifícios para se consolidar como um Tinder mais comportado é restringir as opções de match a pessoas que, de alguma forma, estão conectadas a amigos do usuários no Facebook.

Presente também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Porto Alegre e Goiânia, o Kickoff já alcançou mais de 300 mil usuários apenas no Brasil e traça planos de expansão não só para as demais capitais, como também estuda aumentar a presença na América Latina nos próximos meses. A equipe é composta por três americanos e dois brasileiros. O BitBlog conversou com um dos sócios, Pedro Guerra, que deu mais detalhes sobre o conceito da plataforma e compartilhou a visão de negócios do time.

Segundo ele, 90% dos usuários do Kickoff buscam, de fato, um relacionamento sério. “Restringir as opções de match para quem tem amigos em comum funciona como garantia. Isso acaba gerando um constrangimento saudável porque se você fizer uma besteira no primeiro encontro, é mais fácil que essa atitude impacte de alguma forma”, explica. Outro fator importante é uma pesquisa sobre o Tinder, revelando que quase metade dos utilizadores não é solteira. Imagina marcar um encontro e só depois descobrir que a pessoa é comprometida? No Kickoff, é bem difícil disso acontecer, já que o app é bem transparente e informa através de quais amigos no Facebook seu paquera está conectado a você. É que nem entrevista de emprego. Entra em contato, puxa o histórico e pega as referências! Se mentiu, é fácil descobrir.

Vocês podem estar se perguntando como surgiu essa ideia. Pedro é noivo. Mas há algum tempo, entre 2013 e 2014, um dos fundadores do serviço, o americano  Clayton Spencer, estava com o coração livre. Ele decidiu buscar a outra metade da laranja (vejam como estou piegas hoje) no Tinder. Acabou se frustrando com uma galera que só queria azaração e, a partir daí, teve o estalo de identificar um nicho de mercado.

O Kickoff também demonstra ser mais sério ofertando mais espaço para que as pessoas preencham no perfil informações sobre vida profissional e onde estudaram. Isso é interessante porque está diretamente relacionado com a qualidade da conversa do paquera. E esse é um fator decisivo para o primeiro encontro dar certo. Quem está dizendo não sou eu, mas uma pesquisa feita com 5 mil usuários da plataforma. Saiba mais sobre ela aqui.

Um detalhe é que embora os sócios trabalhem uma estratégia de “lançamento” para cidades, com divulgação em veículos de comunicação e investimentos em propaganda, qualquer um pode baixar o aplicativo e usar. “Quando falamos que ainda não foi lançado em uma cidade, na verdade queremos dizer que não garantimos uma boa experiência para o usuário. Se tiverem poucas pessoas naquela região que utilizem o serviço, as opções para match ficam limitadas ou vêm de lugares mais distantes, o que não é o ideal”, pondera Pedro Guerra.

Do ponto de vista dos negócios, há muito o que aprender com o Kickoff. O aplicativo, disponível para Android e iOS, é gratuito e não exibe nenhum tipo de propaganda. Perguntei ao sócio brasileiro como eles planejam monetizar e a resposta vai na contramão do senso comum: “Não estamos preocupados com isso agora”, ouvi de um sincero Pedro Guerra. O foco na qualidade de produto – e não no retorno financeiro – fez com que a equipe desenvolvesse algo tão consistente que, mesmo sem gerar capital, foi capaz de atrair investimentos. Há menos de um mês, a startup recebeu aporte de US$ 1,6 milhão da Monashees, fundo de venture capital com sede em São Paulo. Inclusive, foi esta mesma Monashees que apostou no Peixe Urbano e no 99 Taxis, para se ter uma ideia de sua relevância para as startups.

Enquanto as pessoas namoram pelo aplicativo, o time fecha parcerias com o Uber e até marcas de vinhos. Tudo para ajudar a criar um clima romântico e dar uma forcinha na formação de mais um casal.