Entenda o que é o Design Thinking e para que serve - BitBlog

Entenda o que é o Design Thinking e para que serve

Nossos leitores mais assíduos já devem ter notado que falamos bastante de empreendedorismo e startups no BitBlog. Afinal de contas, somos pernambucanos e aqui no estado existe um ecossistema que – na minha opinião – vai ganhando mais força e projeção pelo resto do país. Muito se fala das iniciativas do Porto Digital, que realmente devem ser valorizadas, mas também existe um desejo coletivo grande dessa nova geração de empreendedores de se ajudar para crescer junto.

Entre esse público, existem algumas palavras e expressões que são corriqueiras, mas desconhecidas para muita gente. E, o melhor, dizem respeito a coisas que podem ser aplicadas na prática não apenas pela galera de tecnologia da informação e startups. Prometemos nos esforçar para traduzir essa “língua” vanguardista aqui no BitBlog e começamos hoje com design thinking. Para isso, contamos com a importante ajuda do pesquisador de experiência do usuário (UX researcher) Wilson Silva Prata, com anos de atuação no INDT e um currículo que mescla experiência e vasto conhecimento acadêmico.

wilson prata

Para quem nunca ouviu falar, o INDT é um centro de pesquisa e desenvolvimento independente e sem fins lucrativos com o objetivo de gerar novos conceitos, produtos e soluções para as áreas relacionadas com tecnologias móveis e internet. Iniciou suas atividades em 2001 e possui unidades em Manaus e Brasília.

O QUE É?

“O design thinking é uma metodologia para resolução de problemas. Ele envolve uma série de métodos e técnicas que permitem o desenvolvimento de uma possibilidade de inovação relacionando aspectos de uso, negócio e tecnológicos”, explica Wilson Prata, pontuando que o foco neste tripé permite pensar em coisas interessantes para o usuário e, ao mesmo tempo, possíveis de serem implementadas.

Ele é um viés do design participativo, ou seja, tenta envolver todos os agentes que participam do processo. Isso quer dizer que leva em conta as expectativas do cliente, os recursos (pessoas e questões técnicas) e negócios (rentabilidade).

Os profissionais que atuam nesta área ainda podem usar o design thinking para otimizar serviços, atendimento e logística, agregando mais valor ao produto.

DESIGN NÃO É SÓ O VISUAL

Quando a gente fala de design, é comum associar a palavra com o visual, a embalagem, cores, formato e propriedades que podem ser elencadas para descrever um objeto. O pesquisador de experiência do usuário do INDT, no entanto, alerta que esta é uma visão muito reducionista do que realmente o design trata.

“No inglês, design possui um significado maior. De maneira ampla, ele busca entender toda a cadeia do processo, compreendendo como se dá a produção, a circulação e o consumo”, observa Wilson Prata. Para isso, os profissionais podem lançar mão de diversas técnicas que não são exclusivas do campo do design, mas passeiam pela psicologia e antropologia, por exemplo.

IMERSÃO

Desenvolver um produto ou serviço através do design thinking pressupõe imersão na realidade das pessoas que vão fazer uso dele. De acordo com Wilson, é neste momento que deve se estudar como funciona, na prática, a experiência do usuário. A partir daí, os profissionais envolvidos nesse processo vão “pescar” referências para nortear o desenvolvimento da solução. Se o produto for uma casa, é importante pensar quem vai morar nesta casa, o que ela precisa ter para esse público e como fazê-la.

ORIGENS

O pesquisador do INDT ensina que o design participativo, que já aprendemos ser uma das influências do design thinking, desponta na década de 1960, na Escandinávia. Não vamos entrar em grandes detalhes aqui porque não se trata de uma aula de história, mas deixo este link que encontrei para quem quiser saber mais.

Segundo Wilson, a lógica positivista das indústrias, muito focada em custo x benefício, aos poucos vai sendo superada para dar lugar a uma preocupação com o impacto dessa produção. “A sociedade começa a perceber que existe uma sobreprodução de produtos, mas nem sempre eles chegam nas pessoas. A partir daí, métricas vão sendo abandonadas para dar lugar ao porquê?”.

Precisamos de um mundo entupido de papel ou de concreto? Esse tipo de questionamento vai se tornando cada vez mais comum, em sintonia com uma maior atenção às questões ecológicas. É dentro deste cenário que o design thinking cresce.

TEORIA X PRÁTICA

Algumas coisas parecem mais simples na teoria do que na prática. Falamos acima que design thinking relaciona aspectos de uso, negócio e tecnológicos. Teoricamente, deveria haver um peso igual para as partes deste tripé ou, no máximo, um pouco mais de atenção ao uso, priorizando as necessidades do consumidor, afinal o produto se destina a ele.

A realidade nem sempre é assim, admite Wilson Prata. Os “stakeholders” (tomadores de decisão) das empresas, que detém a palavra final, geralmente são executivos e pensam numa lógica comercial. Não existe almoço de graça, certo? O imediatismo da solução também vai afetar um processo de design thinking, que pode ser comprometido ainda por uma visão de curto prazo da companhia.

Outro problema é que uma hora o escopo do projeto precisa ser fechado e o design thinking, pelo seu estímulo ao pensamento crítico, pode trazer mais perguntas do que respostas. Ainda assim, é uma forma inovadora e crítica para pensar soluções.