Lucas Júdice será palestrante do Inovaway Nordeste

Fundador da MidStage Ventures participa do Inovaway Nordeste

Lucas Júdice Midstage

Advogado de formação e empreendedor de paixão, o brasileiro Lucas Júdice, fundador da MidStage Ventures e integrante do Pasadena Angels, vem ao Recife na próxima semana para participar como palestrante do Inovaway Nordeste, que acontece no dia 4 de agosto. O evento, cujas inscrições estão abertas, é uma oportunidade para mostrar que mesmo em períodos de crise, é possível superar as adversidades para fazer os negócios prosperarem. Natural de Vitória (ES), Lucas atualmente reside em Los Angeles, na Califórnia, onde possui forte atuação no ecossistema de startups. Em entrevista ao BitBlog, ele compartilhou sua visão empreendedora:


Como foram suas experiências profissionais?

Comecei vendendo suco de limão aos cinco anos de idade, durante as férias de verão. Era um hobby. Vários anos depois, iniciei meu escritório de advocacia em 2008, em Vitória, o que me deu oportunidade de trabalhar com fusões, aquisições e, em seguida, com esse empolgante mundo de startups. Os primeiros contatos foram entre 2011 e 2012. Em decorrência dessas oportunidades, ainda em 2012, acabei abrindo a MidStage Ventures como uma venture builder, a primeira brasileira.

O que é uma venture builder?

Venture Builder é um modelo de negócios que se assemelha com uma aceleradora de startups, mas com uma pegada de “mão na massa”, entregando serviços diretos para as startups, sem a necessidade delas pagarem em espécie, mas com capital social.

Qual o diferencial da MidStage Ventures para aceleradoras?

Incubadoras têm alguma relação com a academia, enquanto aceleradoras consistem em aporte de capital baixo, espaço e mentoria por um período de tempo. Já venture builders, como a MidStage, somam ao movimento como um todo. O propósito é auxiliar com serviços e muita mão na massa em diversas áreas do conhecimento. Entendemos que não faz sentido aportar R$ 50 mil reais em startups early-stage sem direcionar o gasto, pois o dinheiro acaba sendo utilizado de maneira imprecisa. Não deve haver, portanto, um prazo curto de “aceleração”, mas um processo de “construção” que se prolonga na aquisição de maturidade do time e do negócio. A probabilidade dessa startup ter sucesso acaba sendo mais alta.

Quando você se tornou investidor e qual seu papel no Pasadena Angels?

O modelo de negócios da MidStage Ventures é conhecido como “smart money”, no qual não só aportamos o dinheiro, mas ajudamos no bom uso do mesmo. Uma vez criada a empresa e iniciados alguns projetos, foi natural a participação em grupos como o Pasadena Angels, um dos mais ativos grupos de anjos da Califórnia. No Pasadena Angels temos alguns papéis institucionais de seleção e avaliação de startups, mas os investimentos são realizados individualmente. O grupo facilita muito na pré-seleção, mas não obriga todos os membros a investir em qualquer projeto. Temos uma grande liberdade de escolha.

Que temas você pretende abordar durante o Inovaway?

Vou falar sobre internacionalização de startups. Los Angeles é a sede da MidStage Ventures e é curioso como as pessoas desconhecem seu potencial como mercado de tecnologia e inovação. A cidade é considerada o 2º maior hub de startups dos Estados Unidos (em quantidade e volume financeiro) e o 3º maior do mundo. Além disso, é um grande centro latino-americano, com 48% da população local de etnia latina. Internacionalizar startups não é simplesmente “sair do Brasil”, mas ter todo um planejamento estratégico que considera, sobretudo, em que momento sair e qual local fora do país que te dá a maior possibilidade de crescimento.

Uma das propostas do Inovaway é ensinar a identificar oportunidades durante o período de crise. Nesse sentido, quais suas contribuições para o evento?

No momento de crise econômica há muita demissão e uma das saídas para contornar o desemprego é empreendendo. As oportunidades são variadas e o importante é ter criatividade e comprometimento para alavancar os negócios. Esse, aliás, é o cotidiano da MidStage, identificando e auxiliando novas oportunidades de mercado. Minha contribuição direta para o Inovaway, até mesmo pelo tema em debate, será tentar ajudar a expandir os conceitos e entendimentos na internacionalização de startups. Esse processo pode tomar proveito da crise (dólar alto, exportações e etc), como pode ser um planejamento de risco de longo prazo, diminuindo o risco Brasil e se preparando para um mercado menos volátil.