Game Boy Advance completa 15 anos - BitBlog

Game Boy Advance completa 15 anos

Se você gosta de videogames, certamente já teve (ou conhece alguém que possuiu) um dispositivo Game Boy. Símbolo de uma época em que a Nintendo reinava sozinha no ramo dos portáteis, a marca foi encerrada com o Game Boy Advance, que completou nesta semana 15 anos desde o seu lançamento no Japão. O BitBlog trouxe uma homenagem ao GBA como parte da coluna Console do Mês. Confira abaixo e relembre estes momentos com a gente. Se você gostar do nosso post, agradecemos bastante pelos compartilhamentos nas redes sociais! ;-)

Project Atlantis: um Super Nintendo portátil

Na década de 90, a Nintendo tinha uma meta ousada: trabalhar em um sucessor para o Game Boy original, com hardware significativamente superior. Após o fracasso do Virtual Boy, que tinha esse objetivo, a empresa iniciou, em meados de 1995, o Project Atlantis. O dispositivo deveria ter poder de processamento suficiente para executar os jogos do calibre do SNES na palma da mão. O nome era uma referência aos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, época de lançamento prevista para o dispositivo. Tempo bem curto para os engenheiros construírem algo tão ambicioso, não?

Game Boy Advance - predecessorProtótipo do Project Atlantis, revelado pela Nintendo na GDC 2010

Criar o sucessor do Game Boy não foi uma tarefa nada fácil. O time de desenvolvimento da Big N até construiu um protótipo funcional, mas que gastava toda a energia das pilhas em pouquíssimo tempo, além de ser grande e desajeitado. A tecnologia utilizada era tão cara que o projeto foi abandonado, afinal, um tal de Pokémon Red & Blue deu sobrevida ao GB. A Nintendo voltou as atenções para o Game Boy Color, de 1998, que era uma revisão do modelo original, desta vez trazendo cores, sem atualização relevante de hardware, enquanto investiu pesado no desenvolvimento de mais jogos Pokémon.

Após o sucesso do GBC, a empresa retomou o Project Atlantis. Ao mesmo tempo em que alguns componentes estavam mais “em conta”, com a natural evolução tecnológica, certos recursos foram deixados de lado, como forma de baratear ainda mais o produto final. Foi o caso da iluminação na tela (afinal, nem sempre era possível jogar na claridade), dos botões X e Y, além de um chip de áudio moderno. Mesmo abrindo mão disso tudo, o resultado final era convincente. Com isso, a Nintendo anunciou em 2000 o Game Boy Advance de forma oficial, revelando inclusive os primeiros games.

Game Boy Advance - Space World 2000GBA na feira Space World 2000. Modelo apresentado, com botões em laranja, nunca foi lançado

Lançamento, sucesso e fim

Após debutar no Japão em março de 2001 e bater recordes, o GBA chegou ao Ocidente em junho do mesmo ano. Custando US$ 99 (EUA) e R$ 399 (Brasil), o portátil foi um sucesso também neste lado do planeta. Os jogos custavam US$ 29 (EUA) e R$ 129 (Brasil). Entre os primeiros destaques, estavam Mario Kart: Super Circuit, Tony Hawk’s Pro Skater e Rayman Advance. Foi notícia nos jornais daqui (inclusive em nosso parceiro Diario de Pernambuco, lembro bem!). Eu ia ao supermercado com a família só pra ficar paquerando o aparelho na vitrine, até ser privilegiado com um no Natal de 2001.

Jogos de Game Boy Advance no BrasilCaixas de Super Mario Advance e Sonic Advance no Brasil. Tive o prazer de ter ambos

Em 2002, com o fim da parceria da Nintendo com a Gradiente, que lançava os seus produtos em território brasileiro, o GBA não recebeu mais oficialmente nenhum título por aqui, exceto através de algumas parcerias pontuais com importadoras (como foi feito em Pokémon Fire Red & Leaf Green). Ainda assim, os preços aumentaram muito e ficou difícil sustentar o portátil no Brasil, enquanto o mundo todo curtia o GBA.

Quanto tudo ia bem (exceto pros fãs daqui, pra variar), eis que a Sony surgiu para anunciar um concorrente em 2003. O PlayStation Portable (PSP) chegaria no final de 2004 em terras nipônicas, trazendo gráficos 3D de ponta e jogos voltados a um público mais maduro. A Nintendo ficou realmente nervosa. Até então, todos os concorrentes que a organização enfrentou no ramo dos portáteis foram grandes fracassos. Mas não se podia subestimar a Sony. Naquele momento, o PS2 já vendia o triplo do GameCube e do Xbox. Era preciso fazer algo.

Game Boy Advance SPGame Boy Advance SP: a forma que a Nintendo encontrou de tornar o GBA atraente mais uma vez

O GBA SP, primeira revisão da plataforma, trazia um visual mais adulto, além de iluminação front-light (longe do ideal, mas melhor que nada). Lembro como se fosse ontem o momento em que chegou meu SP em casa, após torrar dois anos de mesada! O portátil foi um sucesso absoluto, mas a Nintendo sabia que era uma questão de tempo até o PSP chegar ao mercado e causar problemas.

Em paralelo ao seu mais recente Game Boy, a Nintendo começou a trabalhar no bizarro/inovador/desajeitado DS. O ciclo de desenvolvimento deste novo portátil foi quase que em tempo recorde. O DS chegou apenas três anos e meio após o GBA, em 2004, como forma de rivalizar com a aposta da Sony. Deu certo, pois o DS se tornou o videogame mais vendido da história (junto ao PS2). Obviamente, o Game Boy Advance perdeu muita força com isso.

Game Boy MicroMinúsculo, o GB Micro foi a última revisão do Advance

Entre 2005 e 2007, quando foi descontinuado, o último Game Boy da história recebeu jogos importantes, como Banjo-Pilot, Boktai 2, relançamentos de Donkey Kong Country 3 e Final Fantasy IV/V/VI,  The Legend of Zelda: The Minish Cap e Mega Man Zero 4. Uma última revisão do aparelho, o Game Boy Micro, foi lançada em 2005. Vendeu pouco e tornou-se item de colecionador.

Mesmo com a concorrência do seu próprio sucessor, o GBA fez bonito. Somando as vendas do modelo original (de 2001), SP e Micro, foram 81,51 milhões de unidades comercializadas no planeta, sendo considerado o sétimo videogame mais vendido até aqui. Curiosamente, 1 milhão à frente do PSP. É engraçado como, mesmo assim, o GBA não é muito lembrado pelos fãs e pela imprensa. Tantas franquias boas nasceram nele: Golden Sun, Advance Wars e Mario & Luigi, só para citar algumas.

Particularmente, o GBA foi o meu último portátil da Nintendo por muito tempo. Afinal, nunca gostei deste conceito de “duas telas”. Migrei para a concorrência, quando adquiri um PSP e, mais recentemente, um PS Vita. Tenho muito respeito pelo DS, mas definitivamente eu não curto ele. Vida longa ao GBA!

Os jogos mais vendidos

Pokémon está no topo, como você talvez tenha imaginado. Mas nem só dos monstrinhos viveu o GBA. Veja abaixo os 10 títulos mais comercializados globalmente, de acordo com o site Metacritic. Em negrito, os games que eu recomendo.

Pokemon Ruby e SapphirePokémon Ruby & Sapphire se passa no continente de Hoenn e traz novos monstrinhos

  • Pokémon Ruby & Sapphire – 2002 – 15,85 milhões
  • Pokémon Fire Red & Leaf Green – 2004 – 10,49 milhões
  • Pokémon Emerald – 2004 – 6,41 milhões
  • Super Mario Advance – 2001 – 5,49 milhões
  • Mario Kart: Super Circuit – 2001 – 5,47 milhões
  • Super Mario Advance 2: Super Mario World – 2002 – 5,46 milhões
  • Super Mario Advance 4: Super Mario Bros. 3 – 2003 – 5,20 milhões
  • Namco Museum – 2001 – 4,24 milhões
  • Pac-Man Collection – 2001 – 2,94 milhões
  • Super Mario Advance 3: Yoshi’s Island – 2002 – 2,91 milhões
  • Finding Nemo – 2003 – 2,82 milhões
  • The Legend of Zelda: A Link to the Past – 2002 – 2,70 milhões
  • Frogger’s Adventures: Temple of the Frog – 2002 – 2,39 milhões
  • Kirby: Nightmare in Dream Land – 2002 – 2,27 milhões
  • Wario Land 4 – 2001 – 2,26 milhões
  • Sonic Advance – 2001 – 2,24 milhões
  • Spyro: Season of Ice – 2001 – 2,23 milhões
  • Mario & Luigi: Superstar Saga – 2003 – 2,17 milhões
  • Final Fantasy Tactics Advance – 2003 – 2,13 milhões
  • Yu-Gi-Oh! The Eternal Duelist Soul – 2001 – 2,07 milhões