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Meu console de videogame preferido

Tenho consoles da Sony, Microsoft, Nintendo e Sega. Até mesmo o finado N-Gage, da Nokia – um híbrido de videogame e celular. Cada plataforma tem uma história. Representa um momento da vida, um monte de sentimentos. E definir uma delas como a “preferida” pode envolver, além da razão, a emoção. A nostalgia é algo muito forte… De qualquer forma, esta é uma opinião muito pessoal, mas lá vai: o meu console preferido é o GameCube.

Em uma feira que a Nintendo costumava promover no Japão, a extinta SpaceWorld, mais precisamente no ano de 2000, o GameCube foi revelado. Com uma série de demonstrações do poder do console, o público ficou surpreso ao ver cenas de Mario e Zelda, mesmo que elas não consistissem em jogos reais (o que não se aplicou a Metroid, as cenas eram realmente do título em desenvolvimento pela Retro Studios). As informações mais concretas só viriam na E3 de 2001, o famoso evento anual norte-americano. Lá, o design final do console foi apresentado, bem como o de seu joystick. Eram anunciados oficialmente Luigi’s Mansion, Metroid Prime, Animal Crossing (como “Animal Forest for GameCube”), Super Smash Bros. Melee (foto abaixo), Star Wars Rogue Squadron II, Eternal Darkness: Sanity’s Requiem, Wave Race: Blue Storm, Raven Blade (cancelado pouco tempo depois), Donkey Kong Racing (idem), entre outros títulos.

Aparentemente, a Nintendo seria menos conservadora daquele momento em diante: criticada por usar cartuchos no Nintendo 64, a gigante japonesa aderiu a discos ópticos proprietários de 1.5 GB. O console ainda não rodaria filmes em DVD (uma função que os concorrentes PlayStation 2 e Xbox já tinham), mas haveria uma versão do mesmo, o Q (fabricado em conjunto com a Panasonic), que teria também esta função.

Em 18 de novembro de 2001, o console roxo chegou ao mercado. Se o objetivo era liderar a geração de consoles e recuperar o prestígio da empresa japonesa após a vitória surreal (comercialmente falando) do PS1 em cima do N64, a Nintendo falhou. De acordo com o site VGChartz, o PS2 vendeu mais de 157 milhões de unidades em todo o mundo. Da mesma geração, o Xbox amargou um distante segundo lugar, com cerca de 24 milhões. O GC ficou logo após, com aproximadamente 21 milhões de unidades. E por que o Cube ainda possui uma legião de fãs nos dias de hoje?

1) Novas franquias da Nintendo

A gigante japonesa costuma ser bastante conservadora no que diz respeito ao lançamento de novas séries. Ainda é comum o lançamento anual de um ou mais jogos do universo Mario. Os títulos costumam ser muito bons, mas fica aquele sentimento de que “há algo faltando”. Mario Kart é excelente, Super Smash Bros. é viciante, a série principal de plataforma (Mario 64 / Sunshine / Galaxy / 3D World / etc) é repleta por clássicos. Mas até mesmo os fãs da empresa costumam se queixar da escassez de novidades. E foi na geração do GameCube um dos momentos mais ousados da Nintendo, com a criação/publicação das seguintes franquias, exclusivas:

Pikmin (2001) – Jogo de lançamento do GC, criado por Shigeru Miyamoto (responsável por Mario, Zelda e Donkey Kong). Confuso à primeira vista, mas merece uma chance. Ganhou uma continuação no Cube três anos depois.

Animal Crossing (2002) – Embora seja uma versão melhorada de Animal Forest (N64), que saiu apenas no Japão anos antes, foi no GameCube onde a série ganhou forma. Mistura de The Sims com Harvest Moon e outras influências, o jogo de “sobrevivência” conquistou novos públicos para a plataforma.

Eternal Darkness: Sanity’s Requiem (2002, foto acima) – Este jogo já nasceu clássico. Falamos dele no BitSound anteriormente. Eternal Darkness é uma das experiências mais aterrorizantes dos videogames. É inovador, empolgante e perfeccionista até nos detalhes gráficos e sonoros.

Geist (2005) – Jogo de tiro em primeira pessoa, onde o protagonista é uma alma que deve possuir corpos para conquistar seus objetivos. Nem parece que estamos falando da Nintendo.

2) (Re)aproximações

A decisão de usar cartuchos no N64 fez a gigante japonesa se distanciar de muitas empresas importantes. Foi no GameCube onde ela retomou estes importantes vínculos, uma das sementes plantadas para colher na geração seguinte, com o estrondoso sucesso do Wii. Abaixo, alguns dos episódios mais marcantes:

Final Fantasy – Através do exclusivo Crystal Chronicles (2003), a Square voltava a desenvolver jogos para um console da Nintendo após mais de oito anos de exclusividade com a Sony. E o resultado foi um spin-off bastante elogiado, que ganhou continuações posteriormente. Ao contrário da série principal, Crystal Chronicles é um RPG de ação com foco no multiplayer local.

Tomb Raider – Exceto por jogos para portáteis já lançados antes, Legend (2006) marcou o primeiro título da franquia em uma plataforma da Nintendo e conquistou a reconfiança da Eidos.

Metal Gear Solid – Embora os jogos da série clássica (Metal Gear) tenham saído há mais de duas décadas para as plataformas nintendistas, Solid se tornou uma exclusividade da Sony. Até que The Twin Snakes (2004, foto acima), apenas disponível no Cube, trouxe de volta uma parceria com a Konami.

Need for Speed – Conhecida como uma franquia até então exclusiva do PlayStation e do PC, com Hot Pursuit 2 (2002) a situação mudou. O GameCube ganhou cinco jogos (isso mesmo) Need for Speed, que ainda teve sequências no Wii e no Wii U. A partir desta aproximação com a EA, a Nintendo deixou de ser casa apenas de títulos esportivos anuais e passou a receber uma enxurrada de jogos da empresa norte-americana, até um boicote em 2013 – mas aí já é uma longa história.

Vale lembrar que a Sega, ex-rival da Nintendo, tornou-se uma grande parceira a partir desta geração. Os inéditos Super Monkey Ball e Billy Hatcher foram lançados, além de títulos dos universos Sonic, Phantasy Star Online e Skies of Arcadia.

3) Exclusividade de Resident Evil

No início do ciclo de vida do GC, a Capcom anunciou uma parceria, pela qual a série Resident Evil e outros novos games seriam exclusividades do GameCube. A decisão foi comemorada pelos fãs da Nintendo, que aguardavam títulos mais maduros. Embora Resident Evil 4 tenha quebrado a promessa ao desembarcar também no PS2 em 2005, vieram clássicos como o remake do primeiro game (2002), o inédito Resident Evil 0 (2003) e adaptações de RE2, RE3 e RE: Code Veronica.

4) O retorno dos RPGs

Uma grande queixa dos proprietários de N64 era a presença de poucos RPGs. O Cube mudou drasticamente a situação. A Sega trouxe dois jogos da série Phantasy Star Online: o Episode 1&2 (2002) e o Episode 3: C.A.R.D Revolution (2003, apenas para o GC). Ainda da ex-rival, veio Skies of Arcadia: Legends (2002). Tales of Symphonia (2003), exclusivo da Namco, foi um dos episódios mais marcantes dessa virada e motivou a compra do console por milhares de fãs da clássica franquia. Também da Namco, Baten Kaitos: Eternal Wings and the Lost Ocean (2004) e sua sequência, Origins (2006), deixaram fãs de RPGs em festa. A Nintendo contribuiu com Fire Emblem: Path of Radiance (2005), além de dois episódios de The Legend of Zelda: Wind Waker (2003) e Twilight Princess (2006).

5) Metroid Prime

Presença constante nas listas de melhores games da história, Metroid Prime (2002) e sua sequência, Echoes (2004), justificavam a compra de um GameCube. Muitos gamers deixaram de jogá-lo pela semelhança superficial com Halo, o que gerou brigas de fãs na época. Mas são propostas completamente diferentes: embora seja em primeira pessoa, Prime objetiva a exploração dos cenários, enquanto o jogador controla a heroína Samus Aran.

Descontinuado em 2007, o GameCube deixou um grande legado para o seu sucessor, o Wii, e um sentimento grande de saudade naqueles que tiveram o privilégio de ter um.

E você: qual o seu console preferido? Queremos saber.