Modelagem 3D e realidade virtual em games na #CPRecife4

Alex Rodrigues e Everaldo Neto na Campus Party Recife 4

Alex Rodrigues e Everaldo Neto têm carreiras bem parecidas: ambos são artistas 3D há oito anos no mercado, foram colaboradores do estúdio pernambucano de jogos Playlore e participaram da produção de grandes títulos, de Just Cause 2 a Elder Scrolls Online. Atualmente, a dupla é sócia da Diorama Digital, onde desenvolve soluções arquitetônicas mescladas com realidade virtual. Neste sábado, os apresentadores contaram, na Campus Party Recife, experiências de seus projetos passados e atuais.

Modelagem em 3D aplicada a games: por onde começar?

O ciclo de modelagem foi descrito pelos designers em cinco etapas. Primeiro, desenhos iniciais são elaborados (Concept). Em seguida, é feito um modelo em alta definição (High Poly), que ganha logo após uma versão mais detalhada (Low Poly). Na fase seguinte, com os modelos High e Low, são extraídas as texturas e então o processo finaliza na etapa In Game, com ajustes já aplicados. Eles recomendaram as tecnologias Autodesk 3ds Max, Maya e Blender, com uma consideração de Everaldo: “não se prenda a uma ferramenta específica, o mais importante é conhecer o processo“. Na visão dele, cada uma fornece possibilidades únicas.

Participando de grandes projetos

Just Cause 2

O jogo Just Cause 2 (foto acima) foi a experiência mais desafiadora até aqui para Alex, pois representou sua primeira oportunidade de aplicar seus conhecimentos em modelagem 3D em um game. Além disso, era necessário seguir a especificação de um cliente internacional. Com o passar do tempo, o designer foi se habituando ao processo da indústria. Curiosamente, nem sempre a dupla sabia para qual projeto exatamente estava trabalhando: durante a produção de Elder Scrolls Online, Alex e Everaldo se referenciavam ao título apenas pelo codinome, quando descobriram, seis meses após ingressarem no projeto, o nome do game. Parecia inacreditável, mas eles estavam, daqui de Recife, participando de uma das franquias mais cultuadas de todos os tempos.

Empreendendo em realidade virtual

Oculus Rift

O momento em que a dupla resolveu empreender em um negócio que envolve realidade virtual trouxe alguns desafios. Alex e Everaldo aplicaram todo o conhecimento que tinham nas engines Unreal e Unity, desta vez no desenvolvimento para Oculus Rift (foto acima). O famoso acessório exige um PC de alto processamento – além de ser mandatório ter placa de vídeo com suporte ao DirectX 11. O alto custo do Oculus Rift (350 dólares + frete e impostos brasileiros), dificuldade de locomoção (já que o acessório não é tão portátil assim e exige conexão com PC) e eventuais enjoos, que podem acontecer em alguns usuários, ainda limitam um pouco a tecnologia.

Mas, de qualquer forma, Alex e Everaldo mostraram que com planejamento, é possível, sim, empreender e ter sucesso nesta área. Para demonstrar uma das obras da Odebrecht no bairro Reserva do Paiva, em Pernambuco, a Diorama Digital desenvolveu um ambiente tridimensional com suporte à tecnologia da Oculus VR. Um projeto arquitetônico, nos mesmos moldes, para a Sinagoga do Recife também está sendo feito pela empresa. O futuro é animador.