O que esperar do PlayStation Vita para o futuro?

O que esperar do PlayStation Vita para o futuro?

Lançar e manter uma plataforma de games não é nada fácil. Bem antes do lançamento, é necessário investir anos de trabalho em pesquisa, implementação de ideias, análises de viabilidade, conversas com empresas parceiras. É preciso criar um produto que inove, chame a atenção do público e, ao mesmo tempo, tenha apelo comercial e traga lucros expressivos. Não basta se pagar. É por isso que vimos tantos produtos fracassando nos últimos anos, sendo descontinuados precocemente. N-Gage, Gizmodo, Ouya, Zodiac, Zeebo e até o Dreamcast são alguns dos exemplos. Nem sempre a fabricante tem capacidade de investir tanto tempo/dinheiro em algo que pode nem mesmo ver a luz do dia.

Para a Nintendo, Sony e Microsoft, é possível ousar. Mesmo em cenários de fracasso comercial, estas empresas possuem condições de “virar a página” e tentar outra vez, graças às enormes reservas financeiras, conquistadas com os sucessos do passado (e, em alguns casos, do presente). Entretanto, a indústria vive um cenário onde muitos se perguntam: a Sony quer, realmente, continuar no ramo de consoles portáteis? O PS Vita deu certo?

PSP: o início de tudo

PSP modelo 3000

Quando a empresa japonesa anunciou que traria um concorrente para a linha Game Boy, da Nintendo, com o objetivo de conquistar um público mais maduro em uma plataforma móvel, muito se falou sobre um eventual fracasso. Não foi o caso. O PSP foi lançado em 2005 em meio a muitas dúvidas, mas conquistou seu espaço e já possui mais de 80 milhões de unidades vendidas globalmente. Só veio a ser descontinuado quase dez anos depois. Mesmo considerando a forte rivalidade com o inesperado Nintendo DS, que veio a ser um sucesso ainda maior, o PlayStation Portable impôs respeito no mercado, o que gerou ainda mais expectativas para o seu sucessor.

 

PS Vita: despertando amor e ódio

Lançado pela Sony sete anos após seu predecessor, o PS Vita chegou ao mercado prometendo a mesma experiência do PSP, porém com gráficos superiores e novidades pontuais (como a tela de toque traseira – subutilizada em seu catálogo de jogos – além da touchscreen frontal, suporte a 3G e uso remoto do PS3 parcial). Entretanto, diferente de 2005, o cenário em 2012 para os fãs de portáteis era bem diferente: os smartphones já estavam se estabelecendo como uma alternativa para títulos não só casuais, mas também mais complexos. Até mesmo o seu rival, o Nintendo 3DS, considerado um sucesso, vendia consideravelmente menos que o seu antecessor. A Sony subestimou esta situação e manteve altas expectativas para o seu produto.

Em seus primeiros dois anos de vida, o Vita recebeu games de peso. Uncharted, Resistance, LittleBigPlanet e Killzone ganharam versões portáteis, além de séries de parceiros: Need for Speed, Assassin’s Creed, Call of Duty e Fifa são algumas das franquias que apostaram no produto. Entretanto, apenas quatro jogos para o aparelho venderam mais de 1 milhão de unidades até junho de 2015, o que normalmente seria um fato preocupante. A partir de 2014, a Sony reduziu agressivamente os investimentos no Vita, que passou a contar basicamente com games de outras empresas (principalmente no Japão, única área onde possui uma grande presença) e um fiel apoio dos estúdios indie. Visto isso, muitos afirmam que a plataforma “não tem jogos” e é um “fiasco”. Bom, essas opiniões podem não ser completamente equivocadas (dependendo do ponto de vista), mas boa parte dos jogadores costuma criticar sem dar uma chance. Além de algumas poucas franquias “AAA”, como as citadas neste texto, o portátil possui títulos muito interessantes e que não são tão badalados por aí, principalmente de estúdios japoneses.

 

Persona 4: Golden (foto acima), da Atlus, é um dos RPGs mais cultuados de todos os tempos e é exclusivo do PS Vita. Embora seja uma versão melhorada de um título do PlayStation 2, P4G traz uma série de novidades e é uma mistura de simulador de relacionamentos com um jogo de ação empolgante. Conta a saga do jovem Yu Narukami, que ao se mudar para o vilarejo de Inaba para continuar com seus estudos, é envolvido em um grande mistério: várias pessoas estão sendo transportadas para dentro da televisão (!). Junto aos seus amigos, Yu descobre os Personas, criaturas que são utilizadas por sua equipe para enfrentar os Shadows, monstros que habitam em um universo paralelo, para onde as vítimas estão sendo transportadas. Apesar do enredo bem incomum, Persona 4: Golden traz a sensação de jogar um anime (desenho japonês) de primeiro nível, com personagens bem construídos e um clima de suspense do início ao fim. Com sete finais e dezenas de side-quests, o jogador pode alcançar mais de 100 horas de gameplay. No Metacritic, é o mais bem avaliado no catálogo do portátil, com pontuação média de 9,3 pela crítica.

 

Ys: Memories of Celceta (foto acima), da Nihon Falcom, é uma “reimaginação” de Ys IV, do Super Nintendo. O título envolve a jornada de Adol Christin, um guerreiro que perdeu a memória, em busca do que realmente aconteceu. No meio do caminho, ele se junta a outros personagens, que descobrem que a destruição do Reino de Celceta está cada vez mais próxima. Juntos, eles vão atrás de uma forma de impedir esta tragédia, enquanto cada um dos heróis possuem também um problema a resolver. Em 30 horas de jogo, Ys: Memories of Celceta usa uma mecânica hack ‘n slash, mesclada com elementos da série The Legend of Zelda. O game foi o responsável por ressuscitar a franquia – tão conhecida em terras nipônicas – no Ocidente.

Também vale verificar: Soul Sacrifice, Dragon’s Crown, Tales of Hearts R, Tearaway, Danganronpa, Freedom Wars e Phantasy Star Nova 2.

 

Futuro

O PS Vita ainda não alcançou a marca de 10 milhões de unidades. Porém, isso não preocupa mais a Sony. Enquanto foca no PS4, outras empresas devem trazer os aguardados Zodiac e World of Final Fantasy, além dos ports de Tales from the Borderlands e Resident Evil Revelations 2, entre outros títulos. Desde que o executivo Andrew House, da Sony, se referiu ao portátil como um “sistema legado”, muito se comentou sobre uma eventual descontinuidade do Vita, mas o fato é: para a gigante japonesa, ainda há lucro em vendê-lo. Outras empresas estão ganhando algum dinheiro com jogos para ele, tornando-o uma plataforma de nicho, focada hoje em games desenvolvidos no Oriente e por desenvolvedores indie. Pelo menos por mais uns dois anos, o portátil deve continuar no mercado. Afinal, o prejuízo em tirá-lo agora seria maior.

Em relação a um sucessor, é uma hipótese praticamente descartada. Os executivos da Sony evitam tocar no assunto, mas basta olhar para trás: o serviço PlayStation Mobile falhou, o híbrido de celular com game Xperia Play vendeu pouquíssimo, o PS TV foi um fiasco comercial completo. A empresa perde muito dinheiro atualmente em outros setores e busca na divisão PlayStation a sua forma de sobreviver. Portanto, mais do que nunca, a Sony quer dinheiro. E em uma indústria dominada cada vez mais por smartphones, até a Nintendo já se rendeu. Não espere um PS Vita 2. No entanto, dê uma chance ao atual – quem sabe, você pode se surpreender.