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007 Casino Royale e a adaptação cancelada para Xbox 360 e PS3

Além dos filmes, sempre gostei muito de acompanhar os games da franquia 007. Após alguns tropeços ao adquirir os direitos da marca, a EA passou a fazer um belo trabalho com Agent Under Fire (2002) e Everything or Nothing (2004), além do meu favorito, a parceria com a Eurocom em Nightfire (2003).

Com títulos originais já consagrados, a ideia de fazer adaptações dos filmes de James Bond voltou à tona na EA. Após o desenvolvimento às pressas de From Russia With Love (2005), a empresa acionou mais uma vez seus estúdios internos para adaptar 007 Casino Royale, o filme que seria lançado no ano seguinte, para o Xbox 360 e PS3. No entanto, a ideia deu errado e o game foi cancelado. Conheça essa história em mais um post da coluna No Limbo.

007 Casino Royale e os privilégios da EA

Fase ambientada em Veneza no game

Fase ambientada em Veneza no game (créditos: MI6 HQ)

No mundo dos videogames, ter lançamentos anuais pode ser uma decisão bastante arriscada. Mesmo que a Activision torne isso possível com Call of Duty (e, eventualmente, cancele um ou outro projeto), esta prática só é possível porque há múltiplos estúdios envolvidos no desenvolvimento. Ainda assim, o famoso FPS perde público ano após ano.

A EA teve uma bela parceria com a britânica Eurocom em Nightfire, que saiu para o PS2, GameCube e Xbox. Com excelente avaliação da crítica e boa vendagem, era de se esperar que essa colaboração retornasse em Casino Royale, mas não foi o que aconteceu. A gigante americana convocou o seu time interno de sempre (Redwood Shores, agora conhecido como Visceral Games), que estava prestes a entregar o “apressado” From Russia With Love, além da experiência nos títulos anteriores do espião.

A ideia: ter Casino Royale nas lojas, para o Xbox 360 e PS3, no mesmo dia do lançamento do filme. Uma edição para o Wii estava nos planos, mas cercada por incertezas. A perspectiva seria em terceira pessoa, repetindo a fórmula de Everything or Nothing, mas dessa vez contando com Daniel Craig no papel de Bond. Com um deadline de pouco mais de um ano, os desenvolvedores corriam com o projeto.

De olho nas projeções enormes de lucro, a MGM permitiu o acesso da equipe da Redwood/Visceral ao set do filme. A EA se aproximava de Craig, do diretor e dos times de Produção e Marketing. Vários modelos tridimensionais já estavam concluídos no final de 2005, mas era preciso acelerar o passo. Em janeiro de 2006, com 15% do projeto pronto, trabalhar nas novas plataformas da Sony e Microsoft estava parecendo mais desafiador do que o planejado e os trabalhos foram movidos para o PS2 e Xbox.

Cancelamento e perda dos direitos

Região de Veneza vista do alto de um prédio

Pouco se viu do game, além dessas imagens de Veneza (créditos: MI6 HQ)

Em maio de 2006, eis que uma bomba “explode”: a Activision pagava 50 milhões de dólares pelos direitos do universo de James Bond. A exclusividade valeria a partir do ano seguinte. De olho no filme que sucederia Casino Royale (Quantum of Solace), a empresa já tinha ganho acesso ao mesmo set da EA, de forma a antecipar os trabalhos do novo título, já que ambos os filmes compartilham personagens e parte da ambientação (no fim das contas, momentos chave de Casino Royale foram recriados no jogo da Activision).

Com essa “novidade”, a impossibilidade de entregar Casino Royale no prazo e o descontentamento da MGM, o jogo da Redwood/Visceral foi cancelado. Oficialmente, a EA alegava que queria se afastar de franquias e focar em propriedades intelectuais próprias. Foi uma pena, mas do jeito que a situação estava o game não seria nada bom…

Adivinhem qual o estúdio que foi convocado pela Activision para trabalhar no jogo de Quantum of Solace? A Eurocom, de Nightfire. Além dos dois projetos, o time inglês ainda desenvolveu o remake de GoldenEye 007 no Wii (mais a versão melhorada para PS3 e Xbox 360) e o fatídico 007 Legends (Windows, Wii U, PS3, Xbox 360), que recebeu avaliações tão negativas que fizeram a dona de Call of Duty largar a marca de James Bond. Que fim, não?


Quer conhecer mais jogos arquivados? Siga a nossa coluna No Limbo. Já falamos das tentativas frustradas de retorno de Mega Man, Halo para Nintendo DS, a sequência de Star Fox para SNES, Resident Evil 1.5 e 3.5, entre muitos outros!

Nintendo 64 completa 20 anos; veja os jogos mais vendidos

Em 29 de setembro de 1996, o Nintendo 64 chegava ao mercado norte-americano. Disponibilizado no Brasil mais de um ano após, o console marcou a perda da liderança do mercado pela Nintendo, que só veio recuperar a dianteira com o Wii. Mesmo com tais adversidades e ainda as limitações dos antiquados cartuchos, o aparelho recebeu grandes jogos.

Em mais uma edição do Console do Mês, conheça os 5 games mais vendidos do N64:

Super Mario 64

Quem não lembra dessa cena?

Quem não lembra dessa cena?

Com 11,89 milhões de cartuchos vendidos, SM64 foi uma revolução na indústria. A transição do mascote para o 3D foi impecável, servindo de base para inúmeros títulos de plataforma naquela geração. Quase recebeu uma continuação, devido ao enorme sucesso que teve.

Mario Kart 64

Essa pista era sensacional

Essa pista era sensacional

Eu desafio você a indicar um Mario Kart ruim. Não existe, não é mesmo? E MK64 foi muito importante para a série, pois trouxe mudanças na mecânica que permaneceram nas sequências: nunca foi tão fácil controlar os karts, dessa vez em ambientes completamente tridimensionais. MK64 foi o segundo game mais vendido da plataforma, com 9,87 milhões de unidades.

GoldenEye 007

O melhor multiplayer de todos os tempos

O melhor multiplayer de todos os tempos

A aventura de tiro em primeira pessoa (FPS) da Rare é cheia de segredos. No entanto, as lembranças que ficam são as risadas durante as partidas multiplayer, ou até o ódio por Natalya nas missões em que é preciso defendê-la… GoldenEye provou que é possível, sim, ter experiências FPS fantásticas fora do PC. Com 8,09 milhões de unidades, quase ganhou um relançamento no Xbox 360 e Wii.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

Saudades, Epona

Saudades, Epona

Na quarta colocação, com 7,6 milhões, Ocarina of Time ainda é considerado, por muitos, o melhor jogo já lançado na história. E não faltam motivos para isso: a aventura é cheia de curiosidades, mas representa com fidelidade em 3D a mesma sensação dos lançamentos anteriores. Com várias side-quests e cenas surpreendentes, estamos falando de um jogo obrigatório. Se você ainda não zerou Ocarina, crie coragem e comece a jogar agora mesmo.

Super Smash Bros.

Link e Mario lutando entre si: quem acreditaria nessa cena?

Link e Mario lutando entre si: quem acreditaria nessa cena?

5,55 milhões de cartuchos em todo o mundo. É, foi uma bela estreia para a mais nova franquia da Nintendo. Colocar personagens como Mario, Samus, Link e Fox para brigar entre si era algo, até então, inimaginável, ainda mais se tratando de uma empresa com postura tão familiar. Mas o HAL Laboratory fez Smash ser para o gênero de luta o que Mario Kart foi para os títulos de corrida: uma experiência despretensiosa com a realidade, porém muito divertida.

GoldenEye 007: 5 segredos do cultuado jogo do N64

Qual o game que emplacou o gênero de tiro em primeira pessoa (FPS) nos consoles? Sim, foi GoldenEye 007, do N64. O game da Rare, publicado pela Nintendo, foi um sucesso absurdo e quase ganhou um remake oficial recentemente.

Como todo grande projeto, muitas mudanças e fatos curiosos aconteceram no decorrer do desenvolvimento. Na coluna Bastidores de hoje, vamos trazer 5 deles, incluindo alguns que ficaram de fora da versão final.

A “ilha perdida” de Dam

Ilha perdida de Dam, o primeiro estágio

O barco que levaria o jogador foi retirado do jogo

Na parte final do primeiro estágio, Dam, é possível avistar uma “ilha”, aparentemente, inalcançável. A ideia original dos desenvolvedores era usar um barco para chegar até lá. No entanto, o meio de transporte foi removido da versão final. Através de hack, algumas pessoas conseguiram chegar ao curioso espaço, notando que lá há um drone e um alarme que precisaria ser desativado.

A moto de Runway

Moto em Runway, terceiro estágio

Implementar o uso da moto seria complicado, dado o deadline do projeto

No filme, após implantar explosivos na Facility, James Bond usa uma moto para alcançar um avião em pleno voo. No game, esta cena seria recriada no terceiro estágio, Runaway. No entanto, a moto foi retirada do jogo, pois reproduzir tudo isso à altura do filme seria muito complicado, dado o prazo do projeto. Abaixo, veja a cena no longa. Imagina isso no hardware do N64…

Xenia em Frigate

Xenia Onatopp

Você não a encontrou, mas Xenia Onatopp estaria, sim, em Frigate

A criminosa Xenia Onatopp é uma das personagens mais curiosas / excêntricas do filme. No game, ela está presente em vários estágios (ficando em nossas memórias, para sempre, a perseguição em Jungle). No entanto, em Frigate, há inúmeras menções à vilã, mas ela não aparece no game. Originalmente, no entanto, a vilã estaria dentro do navio, pronta para fugir de helicóptero se necessário. Os personagens de azul (acima), retirados do jogo às pressas, seriam os capangas dela.

Citadel

Trecho do estágio secreto, Citadel, em modo 1 vs 1

Citadel em modo multiplayer

Criado para testar o modo multiplayer, Citadel era uma espécie de área secreta dos desenvolvedores. A Rare jurava que o estágio não seria acessível de forma alguma, mas hackers conseguiram, em 2004, juntar os arquivos necessários para reproduzir a fase. Até música essa área tinha.

Os soldados

Soldado no segundo estágio, Facility

Olha mais um desenvolvedor aí

De onde surgiu a inspiração para as faces dos soldados? Do próprio time. Segundo a Rare, as faces de seus desenvolvedores foram utilizadas em inúmeros inimigos. Tá aí uma bela forma de ser eternizado em um videogame. Diferente das curiosidades acima, essa aqui foi para a versão final.

Veja o remake oficial de GoldenEye 007 que nunca saiu

O melhor FPS de 1997, GoldenEye 007 para Nintendo 64, é lembrado até hoje. O game foi um sucesso crítico e comercial, levando muitos a questionarem o motivo de não termos recebido um novo 007 do estúdio inglês Rare. A realidade é que o time não queria ficar “preso” a uma propriedade intelectual que não pertencia a eles – no caso, o universo de James Bond. Devido a isso, nasceu a franquia Perfect Dark, que compartilha várias semelhanças com o jogo do espião.

Ainda assim, há quem pergunte (e eu me incluía no grupo): por que não relançaram GoldenEye em HD, com alguns novos recursos, nas plataformas atuais? A Rare bem que tentou: começou a trabalhar no projeto mesmo sem ter o aval da Nintendo, que publicou o título de 97. Quando estavam a apenas dois meses da conclusão, os inglês ouviram um sonoro “não” da casa de Mario. A Rare só poderia lançar o remake em plataformas Microsoft, afinal, desde 2002 a empresa fundada por Bill Gates é a proprietária do estúdio. Ao mesmo tempo, a Nintendo não tinha nada a ganhar vendo um game que foi tão importante para ela em um console rival. E olhe que foi oferecida a possibilidade de disponibilizar o título no Wii, além do Xbox 360, mas os japoneses queriam exclusividade.

Quem lembra dessa cena?

Quem lembra dessa cena?

Com tudo isso, o remake em HD de GoldenEye 007 para Xbox 360 ficou, literalmente, no limbo. Os fãs criaram o mod homônimo para PC, a Activision e a Eurocom lançaram uma releitura (fantástica, mas não tão boa quanto o original) para Wii, Xbox 360 e PS3 em 2010/2011… Porém, a comunidade gamer ainda não digeriu o fato do remake ter sido engavetado. Para jogar mais lenha na fogueira, o canal do YouTube Rare Thief conseguiu uma versão jogável do projeto. Em vídeo (veja no final do post), é possível acompanhar como seriam as missões em Dam, Facility, Surface 1, Antenna Cradle e nos bônus Aztec Complex e Egypitian Temple. Além disso, conseguimos ter um gostinho de como seria o multiplayer, com direito a estágios que não existiam no modo original (Dam e Frigate).

GoldenEye 007 - Remake Xbox 360 - 3

006, seu traidor

O relançamento supostamente teria ainda o recurso de – a qualquer momento – trocar o visual HD pelo antigo, quadradão. Além disso, um modo multiplayer online na Xbox Live. É, se a ideia de ver o vídeo abaixo era para aliviar nossa frustração, acho que o efeito foi reverso. Nintendo, Rare e Microsoft: vamos chegar a um acordo, por favor, e liberar o projeto? Veja abaixo o que estamos perdendo.

(Nossa coluna No Limbo, com jogos cancelados, segue às quartas-feiras. Esta edição é excepcional, devido à liberação do vídeo em questão)