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TIM aposta em aplicativos, internet das coisas e serviços financeiros para se diferenciar no mercado

Fabio Traldi TIM

Uma das maiores operadoras de telefonia celular do Brasil, com uma base de 75 milhões de clientes, a TIM está perseguindo o desafio de se reinventar e, para isso, aposta forte na indústria dos aplicativos. A informação é do gerente sênior de VAS (serviços de valor adicionado) da empresa, Fabio Traldi. Ele conversou com jornalistas durante o Workshop TIM com a imprensa, que aconteceu em Salvador, nos dias 20 e 21 deste mês. Durante o evento, que falou sobre o comportamento da telefonia móvel na era dos apps, o executivo explicou que o grande desafio com a queda da receita de voz e SMS é “encontrar a nova mina de ouro”.

Ciente de que a operadora já foi muito criticada pela qualidade do sinal e da conexão à internet, Fabio Traldi não hesitou em expor o que era um calcanhar de Aquiles para a TIM. “Somos conhecidos como operadora de pré-pago e o cliente pré-pago aceita algumas deficiências que a gente tinha. Não podemos negar. A estratégia da operadora, em um primeiro momento, foi massificar e rentabilizar. Agora ela parte para uma estratégia de diferenciação no mercado”, explica, defendendo que houve uma melhoria considerável dos serviços deficientes e que tem recebido feedback positivo dos consumidores.

Para por em prática essa estratégia de diferenciação, um dos planos é justamente o investimento em apps, além do fortalecimento de parcerias. Um dos exemplos citados foi o WhatsApp, que não é encarado como inimigo, mas como aliado. Para quem não sabe, a TIM oferece um plano com WhatsApp ilimitado, ou seja, a utilização dele não desconta da franquia de internet. E agora que as operadoras estão cortando o tráfego de dados quando o limite estoura, pode ser interessante garantir esta “necessidade básica” da era da internet móvel.

Outra parceria mais detalhada no encontro com os jornalistas foi com o Deezer, popular aplicativo de streaming de músicas que chegou no Brasil há uns dois anos. Em breve será lançado um novo aplicativo do TIM Music by Deezer, capaz de aprender o gosto do usuário. Ele segue um modelo de negócios semelhante ao WhatsApp e não consome a franquia de internet. “Nossa expectativa é alcançar cinco milhões de usuários neste ano”, revela Fabio Traldi.

Atualmente a operadora oferece aos clientes um portfolio de 32 apps, só que a maioria está “condensada” em um ambiente que embarca os demais, o TIM Menu. Segundo o executivo, a visão “app centric” dos serviços deve fazer com que a quantidade aumente a curto prazo. Um exemplo de como os aplicativos podem trazer outras vantagens mesmo quando não geram receita é uma nova plataforma para gestão de conta, que serve como alternativa ao atendimento por telefone e desafoga o SAC.

Além de tudo isso, Fabio Traldi afirmou que a TIM vai investir mais no conceito de internet das coisas (especialmente em 2016) e na área de serviços financeiros, atuando como meio de pagamento.

Pessoalmente, nunca tive experiência com a operadora, então prefiro não opinar sobre a qualidade dos serviços. Dei uma conferida no Reclame Aqui e, em um ranking das empresas mais reclamadas nos últimos 12 meses, a Vivo e a Oi ficam na frente da TIM, com maior quantidade de queixas registradas. Já a Claro aparece com um número menor de reclamações. Apesar disso, é bom frisar que embora as estatísticas sejam relevantes, é difícil avaliar a proporção “base de clientes x críticas cadastradas no site”. De todo modo, pelo que observei no evento, a TIM parece estar bem antenada com as tendências do setor de telecomunicações. Hoje, caso eu fosse procurar uma nova operadora, possivelmente daria uma chance a ela. Se a execução dessas estratégias será bem sucedida, só o tempo dirá.

A conferir…