computação em nuvem

Nintendo NX: rumores e o que esperar

Nos últimos dez anos, a Nintendo viveu momentos dignos de uma montanha-russa com seus consoles de mesa. Após o sucesso enorme do Wii e os deslizes do Wii U, a empresa de Kyoto precisa reencontrar um ritmo mais saudável e equilibrado com o NX, sua próxima aposta. Um anúncio é esperado para o primeiro semestre, possivelmente na E3 2016.

Em meio a tantos rumores, fica difícil imaginar como será a cara desta nova plataforma. Mas o BitBlog reuniu informações concretas já divulgadas, junto a boatos recentes, e elaborou inclusive duas teorias a respeito. Ao final da postagem, veja os games que esperamos para o primeiro ano do NX, cujo lançamento é especulado para 2016 / 2017. Se você gostar da nossa análise, ficaremos muito felizes caso você compartilhe no Facebook.

Super Mario Galaxy 2Quem sabe, vem aí um Super Mario Galaxy 3…

Teoria 1: a “super caixinha”

Nintendo NX - Patente 1Registro de patente mostra interação entre um console e uma “caixinha” computacional

Os fatos: em dezembro de 2015, foi registrada nos EUA uma patente elaborada por Joseph Thomas Bentdahl, um especialista em serviços tecnológicos da Nintendo. Nela, um acessório estaria incluído no pacote do NX, fornecendo mais recursos computacionais. Ele permitiria jogar o mesmo “de qualquer lugar”. Não ficou claro se seria por causa da portabilidade dessa “caixinha”, ou pela possível existência de um portátil complementar.

Ainda nos registros, o desempenho do console seria proporcional à proximidade do acessório computacional. Se estiver perto, ele seria capaz de efetuar todo o processamento “em uma velocidade quase em tempo real, incluindo efeitos gráficos e sonoros”. Já em caso de longa distância, a caixinha seria responsável por eventos menos importantes ou complementares, “como efeitos de clima nos jogos, ou até mesmo inteligência artificial”.

Zelda Ocarina of Time na UE4Um Zelda no NX também não seria nada ruim

De acordo com a quantidade de acessórios plugados ao console, as capacidades computacionais cresceriam ou diminuiriam. A Nintendo ainda compensaria o jogador caso ele compartilhe, via internet, o poder da sua caixinha com outras pessoas, fornecendo “descontos em novos games, conteúdo exclusivo, entre outros”.

A teoria do BitBlog: adeus, hardware 100% próprio. O NX pode ser um equipamento “plugável” – com ou sem cabos – em um console (com suporte ao PS4, Xbox One e até Wii U), PC, ou diretamente na TV. Se plugado em um PS4, um Metroid robusto – em Full HD – pode ser jogado, usando recursos próprios e do videogame da Sony. Se a caixinha está vinculada a uma televisão, no entanto, apenas títulos mais simples são executados, como Kirby e Donkey Kong, a menos que o jogador entre em rede e consuma poder computacional de outros NX pelo mundo.

O NX, neste caso, é o acessório que permite levar o universo da Nintendo a qualquer plataforma. Integrado completamente à Computação em Nuvem e a sistemas computacionais de terceiros, é possível fabricá-lo a custos baixos, possibilitando um preço competitivo (US$ 200?) e lucros absurdos para a empresa. Faz sentido, já que a casa do Mario pretende quadruplicar seus lucros nos próximos quatro anos. Um analista conceituado de Tokyo, David Gibson, anunciou algo similar à nossa teoria, que foi compartilhado por um jornalista do Wall Street Journal no Twitter.

Teoria 2: é um console e também um portátil inovador

Nintendo NX - Patente do controleÀ esquerda, imagem da patente registrada. À direita, simulação de como funcionaria, divulgada no Twitter

Os fatos: em junho de 2015, foi registrada outra patente pela Nintendo. Dessa vez, tratava-se do suposto controle do NX. A ideia consistia no uso de botões físicos para os direcionais analógicos em conjunto com botões digitais, que surgem em uma tela touchscreen de acordo com o jogo em questão. Ou seja: tá jogando Mario Kart? Além dos analógicos, provavelmente os comandos de pulo/derrapagem, item/buzina, freio e visão do retrovisor estariam visíveis. Ah, mudou para Donkey Kong? Então, imagine uma tecla virtual para pulo e outra para ação.

Nintendo NX - Patente do controle - 2De acordo com os registros, jogos antigos também seriam compatíveis com o NX, exigindo apenas parte da tela

As imagens da patente estão de acordo com o que foi especulado em dezembro de 2014: a empresa japonesa estaria unida à Sharp no desenvolvimento de telas LCD em formas elípticas ou circulares. Mas e a parte “console” da história? O NX seria apenas um portátil? Acreditamos que não. Em janeiro de 2016, a consultoria inglesa GfK divulgou uma pesquisa de mercado, onde aponta o NX sendo composto por um portátil e um console de mesa. Este último teria gráficos a 900p e 60 frames por segundo. Este conceito de “híbrido” já tinha sido levantado em 2014 pelo respeitado site Nintendo News.

Uma outra patente, de fevereiro de 2015, indica que a plataforma poderá deixar de lado os discos ópticos, investindo pesado em conteúdo digital, mas ainda suportando pequenos cartuchos. De uma forma ou de outra, a consultoria japonesa Macquarie Capital Securities acredita que o controle/portátil chega ainda neste ano por US$ 200, enquanto a edição de mesa fica para 2017.

A teoria do BitBlog: o controle será tudo isso que as patentes da Nintendo indicam, funcionando com um console da própria Nintendo, ou com plataformas rivais (pegando um pouco da Teoria 1). O modelo portátil funciona independentemente da versão de mesa estar por perto, já que possui processamento próprio e também consome recursos da Computação em Nuvem. A entrada para cartuchos será nele.

Os games que podem sair no primeiro ano

Dragon Quest X e XI

Dragon Quest XI

A Square Enix já revelou que considera fortemente lançar estes games para a nova plataforma. Levando em conta que DQX está no Wii e Wii U, enquanto o XI foi confirmado para o 3DS (além do PS4), é evidente que a Nintendo voltou a ser a casa da famosa série de RPG.

Final Fantasy 7 Remake

Final Fantasy VII Remake

Cloud chegou a Super Smash Bros. sem FF7 ter sido lançado em um console da Nintendo. Você achou estranho? Não foi o único. Como não acredito em coincidências, essa é uma aposta.

Resident Evil 7

Resident Evil 6

O GameCube foi, por alguns anos, a plataforma exclusiva de Resident Evil. Com o hardware desavantajado do Wii, ficou difícil trazer RE5 e RE6. Mas esta é uma boa oportunidade para receber o novo game de terror da Capcom, que só deve sair em 2017.

Metroid NX

Metroid Prime FullHD

Nintendo, a sociedade quer um novo Metroid. E não estamos falando do meia boca Federation Force (3DS). A Retro Studios, que desenvolveu a excepcional trilogia Metroid Prime, está desenvolvendo um projeto misterioso há alguns anos. Por que não acreditar que é um Metroid?

F-Zero NX

F-Zero GX

O último F-Zero, GX, veio ao mundo em 2003. São mais de doze anos sem novidades… Mais um motivo para acreditar que tem algo acontecendo nos bastidores. Assim como em GX, acredito que a Sega está desenvolvendo o título.

Bayonetta 3

Bayonetta 2 - img2

Poucos acreditaram no êxito comercial de Bayonetta 2 como exclusivo do Wii U. No entanto, o jogo foi um sucesso, vendendo quase 1 milhão de unidades e sendo considerado um dos melhores de 2014. É evidente que uma sequência está a caminho.

#CPRecife4: Entrevista com Tulio Caraciolo, gamer e empreendedor

Público na Campus Party Recife 4

Tulio Caraciolo, 32 anos, atua profissionalmente na área de games desde 2006 e já fundou três empresas na área. Atualmente, é Produtor Executivo nos estúdios Manifesto e BigHut Games, onde gerencia um grupo de 50 pessoas na criação de jogos para diversas audiências e plataformas. Além disso, Tulio é aluno de doutorado no Centro de Informática (CIn) da UFPE, onde desenvolve pesquisas sobre algoritmos e técnicas que permitam ajustar a dificuldade em títulos comerciais, de forma a possibilitar experiências adaptadas para cada tipo de jogador.

Na Campus Party Recife, o gamer falou sobre Game as a Service (GaaS) – um novo paradigma que permite a distribuição de jogos de forma digital – seja por download ou via transmissão (streaming). Um conceito que, ao mesmo tempo em que traz facilidades e novas possibilidades de distribuição, proporciona também debates na indústria, devido a games que são lançados com muitos bugs – que só são corrigidos através de atualizações.

Também foi abordado o conceito de freemium games – títulos que são lançados de forma gratuita, mas que pedem microtransações para que seja possível chegar mais longe ou adquirir itens exclusivos. Para engajar o público a desembolsar um valor, na visão de Tulio, é preciso investir em novos conteúdos, balanceamento constante da inteligência artificial, experiências multi-player e em fidelização dos jogadores. Este modelo veio a ser destaque a partir de 2011, quando passou a representar a maioria das vendas nas lojas da Apple e da Google. Na atualidade, embora os premium games (pagos, obrigatoriamente) sejam bastante representativos, estão mais associados às franquias mais maduras e consolidadas na indústria – algo que, na opinião de Tulio, também deve mudar. Acompanhe a entrevista.


Para as startups que vão desenvolver seu primeiro game, você recomendaria a abordagem freemium? Ou este tipo de empresa ainda não tem maturidade para promover atualizações frequentes e manter o público engajado?

Sim, o modelo freemium se aplica às startups e é o mais recomendado neste cenário. É complicadíssimo gerar um título premium (pago) que tenha renda constante – talvez no PC, mas há dificuldades. O caminho que indico é criar e disponibilizar um produto mínimo viável, medir custo e uso no decorrer do tempo com ferramentas web analíticas e ir iterando com atualizações. Como foi mencionado na apresentação, apenas 20% do esforço envolve lançar um game, em si, neste modelo.

Qual a importância do modelo Games as a Service para a indústria brasileira de jogos? Ela é a responsável pela evolução nos últimos anos?

O crescimento da indústria no país tem mais a ver com a popularização e facilidade de distribuição. Na minha visão, o Brasil precisa melhorar muito. Existem algumas iniciativas isoladas obtendo repercussão, mas ainda não há um jogo referência, que seja realmente estruturado e tenha feito grande sucesso, como alguns casos que vemos em países da Europa, por exemplo.

Um dos grandes sucessos da BigHut Games, de Tulio: Boney the Runner

Franquias mais maduras, como Assassin’s Creed e Call of Duty, devem aderir a este modelo freemium no futuro, com microtransações, ou ele estará limitado a jogos casuais?

Com certeza haverá adesão, é apenas uma questão de tempo. Jogos mais complexos, principalmente de console, por terem muito conteúdo, exigem uma largura de banda mais expressiva para download. É diferente adquirir um complemento de 100 MB, por exemplo, em um jogo mais casual em relação a transferir 1 GB de conteúdo em uma grande produção. Por isso, estas franquias ainda estão afastadas do modelo freemium, mas certamente irão aderir.

Serviços de streaming como o PS Now (vídeo abaixo), da Sony, e o GameFly, presente em TVs da Samsung, permitem que usuários paguem uma assinatura e tenham acesso a um catálogo para jogar, em transmissão direta. Você acredita neste modelo fazendo sucesso no Brasil? Será o fim dos consoles, da forma que conhecemos?

Acredito que (o streaming) vai emplacar por aqui sim, mas é algo a médio prazo, pois ainda não estamos prontos. Precisamos, primeiro, ter uma internet melhor. O crescimento da largura de banda vai permitir este modelo. Os consoles ainda têm algumas gerações pela frente, mas a mídia física deve deixar de existir logo. É só ver o que aconteceu com as indústrias de filmes e músicas. Quem ainda compra DVDs e CDs? Pouca gente. Quanto mais a banda larga evoluir, mais rápida será esta transição.


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