Game Boy Color

Três jogos Resident Evil que (quase) ninguém viu

Poucas franquias de videogames são tão bem-sucedidas quanto Resident Evil. Criada por Shinji Mikami na década de 90, a série é um ícone do gênero survival horror – por mais que tenha patinado, em alguns títulos, com mecânicas mais apelativas para o público ocidental, com explosões e muita ação.

A Capcom, que detém a propriedade intelectual, não pensava duas vezes ao cancelar projetos que não lhe interessavam. No post de hoje da coluna No Limbo, você vai conhecer três Resident Evil que não viram a luz do dia, cada um com uma história, no mínimo, interessante.

Resident Evil 1 para Game Boy Color (!)

Resident Evil 1 - GBC

Cenas da versão para Game Boy Color. Até que ficou legal (visualmente falando)

Parece inacreditável, mas é verdade. Em 1999, três anos após a estreia da série, foi encomendada uma versão do primeiro RE para o Game Boy Color – querido por todos, mas limitadíssimo em questão de hardware. O estúdio inglês HotGen, especialista na plataforma, recebeu a tarefa quase impossível. Com o game em estágio avançado de desenvolvimento, em 2000, os chefões da Capcom resolveram cancelar o projeto, acreditando que o mesmo não corresponderia aos desejos dos fãs.

 

Felizmente, o jogo vazou na internet, através de duas ROMs. Uma delas, a “Cartridge 2”, é consideravelmente mais completa, mas também termina bruscamente no elevador do laboratório. Ainda assim, há assets de objetos não usados nas ROMs, o que indica que a decisão de cancelamento pode ter sido tomada bruscamente. Se tiver curiosidade, basta procurar pela internet e você encontrará essas versões.

Resident Evil “1.5”

Tela de escolha do personagem: Leon ou Elza

Elza ou Leon?

Após o sucesso do game original, o time de produção estava desafiado a criar uma continuação à altura. Em 1997, perto do lançamento e com os trabalhos quase concluídos, a Capcom cancelou o que seria Resident Evil 2, para PS1 e Saturn. A decisão veio do próprio Shinji Mikami, que preferiu recomeçar tudo completamente, pois o título não estaria interessante e poderia causar a morte da franquia. Será que era tão ruim assim?

 

Seria possível, mais uma vez, escolher entre a trama de dois personagens. Desta vez, Leon Kennedy ou Elza Walker (que veio a se tornar Claire Redfield na edição final). As duas estórias se complementavam, aumentando o fator replay (a vontade de jogar de novo). Mais uma vez, a ISO do projeto vazou na internet, então dá para ter uma ideia de como seria o sucessor do primeiro Resident Evil.

Resident Evil “3.5”

Leon Kennedy em RE 3.5

Leon não tá muito diferente de RE4 aqui

O Resident Evil 4 que você conhece, originalmente um exclusivo do GameCube, teve várias reviravoltas em seu desenvolvimento. Embora tenha sido anunciado em 2001 e chegado em 2005, o projeto iniciou em 1999. Daí você imagina a quantidade de experimentos que a Capcom fez…

O chamado RE “3.5” é uma versão imediatamente anterior à que “emplacou”. Nesta proposta, a visão do personagem seria na maior parte do tempo em câmera fixa (como nos anteriores), embora fosse permitido – a qualquer momento – mudar para uma perspectiva sob os ombros do protagonista Leon, ao mirar, de forma semelhante ao RE4 final. Interessante, não? O clima de terror dos títulos originais continua aqui. Confesso que teria muita vontade de jogá-lo, mas RE 3.5 infelizmente não vazou ainda na internet. Veja um vídeo abaixo pra ter uma ideia de como seria.

7 curiosidades sobre o clássico Tony Hawk’s Pro Skater

Tony Hawk’s Pro Skater, lançado em 1999 no PlayStation (e depois levado a outras plataformas), foi o primeiro de uma saga de sucesso nos videogames. Embora uma tentativa fracassada de retorno tenha acontecido em 2015, a excelência dos títulos originais da série é lembrada até hoje. A franquia do skatista Tony Hawk é ainda uma das responsáveis pela popularização dos games esportivos. Conheça, em mais uma coluna Bastidores, algumas curiosidades sobre o primeiro jogo.

Inspirado em… Super Mario 64?

Versão beta de THPS no PS1

Versão beta de THPS no PS1

No início do desenvolvimento, Pro Skater tinha uma visão distante, com os personagens descendo rampas e ladeiras de skate. Fazer manobras para obter pontuações mais altas e colecionar as famosas fitas já eram recursos presentes nesta versão. No entanto, para o time de produção, era difícil “encaixar as peças” e visualizar o esporte reproduzido nos jogos, de forma divertida. Após analisar Super Mario 64 e outros games similares, a equipe da Neversoft mudou o rumo do projeto, adotando uma mecânica mais livre.

Tony Hawk foi mais do que um personagem jogável

O famoso esportista era o ícone do skate naquele momento, nada mais justo do que chamá-lo para ser o protagonista. No entanto, o envolvimento de Hawk foi além, sendo participativo durante todo o ciclo de desenvolvimento: a mecânica adotada e as manobras foram discutidas em conjunto. A ideia era refletir a visão dele em relação ao esporte em um formato jogável.

Segredos bizarros

Namorada de Hawk na tela de pausa

Namorada de Hawk na tela de pausa

THPS é lembrado por ter cheats (códigos secretos) bem inusitados. Embora nos games seguintes seja possível desbloquear personagens como o Homem-Aranha, o primeiro jogo não fica muito atrás no quesito “bizarrice”. Por exemplo, após apertar uma sequência de teclas na tela de pausa, surge a namorada de Tony Hawk na tela. Outro comando traz a namorada de um dos programadores.

Censura no N64

Ao mesmo tempo em que tentou emplacar uma imagem de maturidade, a Nintendo também tropeçou, diversas vezes, em suas políticas de censura. Na edição do Nintendo 64, várias músicas do título foram censuradas, tendo que ser regravadas. A ideia era obter a classificação “para todos os públicos”. No PS1 e Dreamcast, para efeito de exemplo, o game era não recomendado para menores de 13 anos. A censura às faixas foi bem criticada pelos fãs, já que em alguns casos teria alterado o sentido das mesmas. Até o letreiro com os nomes das manobras foi trocado: no PS1 e DC, ele sai da tela deixando um rastro de sangue. No N64, as letras simplesmente descem.

Bruce Willis de skate

Sim, esse é Willis. Bizarro é pouco

Sim, esse é Willis. Bizarro é pouco

No início do desenvolvimento, o famoso skatista não tinha sido ainda modelado em 3D. Como os trabalhos precisavam andar, a Neversoft reaproveitou um modelo de Bruce Willis para testar as mecânicas adotadas. Isso foi porque o primeiro jogo do estúdio, Apocalypse (PS1), usava o ator como protagonista. O jeito foi colocá-lo andando de skate temporariamente.

Escolhendo as músicas

A trilha sonora da série definiu uma geração. Poucos sabem, no entanto, que o próprio Hawk sugeriu cada faixa. O primeiro jogo trazia de Dead Kennedys a Goldfinger, enquanto as sequências tiveram nomes mais comerciais (Foo Fighters, System of a Down, AC/DC).

Uma manobra impulsionou as vendas

Mesmo com o skate no auge, ainda havia incertezas em relação ao desempenho de THPS nas vendas. No entanto, um mês antes da chegada do jogo às lojas, uma manobra (900) feita perfeitamente por Hawk na X Games 99 trouxe grande atenção da mídia e do público, indiretamente refletindo no título, de acordo com o próprio time. Foi um sucesso tão devastador que a Activision transformou Pro Skater em uma série anual.

Pokémon completa 20 anos em 2016; relembre os jogos

Com mais de 200 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, os jogos da série Pokémon marcaram a infância e a adolescência de muitos. Segundo o GameSpot, a franquia é a segunda mais bem-sucedida dos videogames comercialmente, perdendo apenas para Mario. Já de olho no aniversário de 20 anos dos monstrinhos, em 27 de fevereiro de 2016, o BitBlog revisitou a série principal, do Game Boy até o 3DS. Afinal, eles já chegaram até mesmo ao Recife

Pokémon Red e Blue: o começo de tudo

Pokemon Red and Green

No continente de Kanto, o objetivo era vencer os oito líderes de ginásio Pokémon, confrontar a Elite dos Quatro e se tornar o mestre Pokémon. Outro desafio, talvez maior ainda, era obter os 151 bichinhos. Façanha que só era possível apenas através de trocas com amigos, conectando dois aparelhos Game Boy com o então revolucionário cabo Game Link.

Red e Green chegaram ao Japão em fevereiro de 1996, esgotando rapidamente nas lojas e dando início a uma das franquias mais consagradas de todos os tempos. Nos EUA, foram relançados como Red e Blue depois de dois anos e meio. É importante lembrar a sacada da Nintendo: as duas edições eram bastante semelhantes, exceto pelo fato de que cada uma tinha alguns Pokémon exclusivos. Isso obrigou muita gente a adquirir dois os jogos ou interagir com amigos.

Pokémon Yellow foi lançado posteriormente, sendo bem semelhante aos seus antecessores, mas trazendo uma narrativa mais alinhada a do anime. Pikachu acompanha o protagonista durante as aventuras em Kanto, podendo mudar de humor de acordo com o tratamento dado ao mesmo. Nada mais divertido do que irritá-lo.

Pokémon Stadium

Não tem como esquecer também de Pokémon Stadium, para N64, que permitia – através do acessório Transfer Pak – colocar os Pokémon do cartucho do Game Boy para lutar em 3D na TV. Um sonho que se tornava realidade. Foi emocionante ver meu querido Pidgeot nível 100 em 3D… Ah, e o minigame do Lickitung comendo sushi? Bons tempos!

Pokémon Gold e Silver inovam com cores

Pokemon Gold and Silver

Por mais que Red, Green/Blue e Yellow funcionassem no novíssimo Game Boy Color, eles não usavam toda a paleta de cores possível no dispositivo. Foi aí que a segunda geração, iniciada com as edições Gold e Silver, chegou: embora com o GBC em mente, elas também funcionavam no Game Boy original.

Se alguém achava que a criatividade dos produtores ia acabar, se enganou: a segunda geração trouxe 100 novos monstrinhos tão carismáticos quanto os da primeira. Quem não gostava de Chikorita, Cyndaquil e Totodile? Os lendários Ho-oh e Lugia eram fantásticos! Além disso, o visual se tornou nitidamente mais charmoso, inspirado fortemente no Japão antigo.

Uma edição melhorada, Crystal, chegou exclusivamente ao Game Boy Color. Com mais recursos de hardware garantidos, os pokémon receberam animações durante as batalhas, foi incluída uma nova área no mapa – a Battle Tower – e o jogador pode, pela primeira vez, escolher entre um protagonista homem ou mulher.

Pokemon Stadium 2

Claro que a Nintendo não perderia a oportunidade de lançar Pokémon Stadium 2 no N64. Trazendo compatibilidade com a nova geração via Transfer Pak, as 100 novas criaturas e mais um monte de minigames, foi um dos últimos grandes títulos do console.

Pokémon Ruby e Sapphire traz batalhas entre duplas

Pokemon Ruby and Sapphire

Muito se especulou sobre a chegada da franquia ao Game Boy Advance. Embora tenha gráficos muito simples, trouxe algumas novidades bem-vindas: batalhas entre duplas, suporte ao leitor de cartões e-Reader, mudanças no clima (inclusive afetando as lutas), entre outras.

Ruby e Sapphire surgiram no momento em que Pokémon começava a entrar em um leve declínio de popularidade. Os 135 novos monstrinhos já não eram tão, digamos, inspirados. A edição “melhorada” da vez, Emerald, não tinha o suficiente para justificar um novo título e, por isso, recebeu críticas de parte dos jogadores. Foi aqui que eu, particularmente, perdi um pouco o interesse na saga.

Nesta geração, a Nintendo não desenvolveu títulos de Pokémon para consoles no gênero de combate, como Stadium 1 e 2. Ao invés disso, optou por narrativas próprias single-player, com Pokémon Colosseum e Pokémon XD: Gale of Darkness – ambos para GameCube.

Pokémon Diamond e Pearl estreia batalhas online

Pokemon Diamond and Pearl

A Nintendo precisava fazer algo para reverter a queda de popularidade da série e voltar a conquistar novos públicos. Com Diamond e Pearl, estreia das criaturas no DS, uma simples funcionalidade vendeu os jogos: multiplayer online. Pela primeira vez, era possível disputar com pessoas do mundo todo sem “gambiarras”, como o aparelho que conectava celulares ao Game Boy nas gerações anteriores. Bastava uma conexão Wi-Fi. Considerando o ano de 2006, foi uma verdadeira revolução.

O visual de Diamond e Pearl era bem fraquinho e os fãs reclamaram disso. A trilha sonora também deixou a desejar. Pelo menos o objetivo foi cumprido: colocar Pokémon, de novo, no interesse do público. A conexão com Battle Revolution, do Wii, ajudou a prolongar a vida útil dos games. Platinum, a versão melhorada de Diamond e Pearl, foi eleita pela crítica como um dos melhores títulos do DS.

Pokémon Black e White fazem jus ao Nintendo DS

Pokemon Black and White

Na quinta geração dos monstrinhos, o estúdio Game Freak resolveu trabalhar melhor os pontos fracos de Diamond e Pearl. Com Black e White, assim como as suas respectivas continuações, os gráficos foram aperfeiçoados, assim como a trilha sonora, que esteve mais uma vez inspirada.

Os pokémon ganharam animações completas, as lutas tornaram-se mais agradáveis de assistir (com mudança de foco da câmera), as quatro estações foram implementadas… Os fãs e críticos corresponderam aclamando Black e White, o que permitiu grande sucesso comercial.

Pokémon X & Y: um mundo, enfim, 3D

Pokemon X and Y

Pela primeira vez, Pokémon era renderizado completamente em 3D em um portátil. Somando isso às chamadas Mega Evoluções – que trouxeram novas formas para os monstrinhos – e aos novos recursos de customização do protagonista, o resultado final ficou excelente. Para quem ficou algum tempo sem jogar nada da franquia, este é o motivo para voltar.

Pokémon X & Y marcou a estreia da franquia no 3DS, usando seu hardware ao máximo para prover a aventura que qualquer fã sonhava em jogar. É, no mínimo, justo elogiar os recursos online, maduros e indo além do óbvio modo 1×1 ou 2×2. Algo que me chamou a atenção também foi a “humildade” da Game Freak, que estreou apenas 70 criaturas e prestigiando – consideravelmente – gerações anteriores. É possível, em um certo momento, até escolher entre Squirtle, Charmander e Bulbassauro. Nostalgia pura!


Veja também: Pokémon GO! vai trazer a série ao mundo real, através do celular

Morre o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, aos 55 anos


Através de um comunicado oficial, a Nintendo anunciou que o seu presidente, Satoru Iwata, faleceu neste sábado (11), vítima de um câncer no ducto biliar. Não foi divulgado quem assumirá o posto até o momento.

Em 2014, o executivo passou por uma cirurgia nas vias biliares para a retirada de um tumor e ficou meses ausente do trabalho, o que o impediu de participar da feira E3. Neste ano, mais uma vez, Iwata não compareceu ao evento, sem prestar grandes explicações.

A empresa afirma que Shigeru Miyamoto e Genyo Takeda permanecem, por enquanto, nos postos de diretores representantes.

Uma carreira de sucesso

Satoru Iwata, nascido em 6 de dezembro de 1959, se destacou na indústria japonesa como um excelente programador. Após se formar, ele ingressou no estúdio HAL Laboratory, subsidiário da Nintendo, em 1983. Foi lá que Satoru produziu as franquias Earthbound e Kirby, ambas de grande sucesso. Em 2000, ingressou na Nintendo, onde era considerado um “desenvolvedor genial”, nas palavras do então presidente Hiroshi Yamauchi – que cedeu o posto para o seu aprendiz em 2002.

Um dos primeiros desafios, no papel de CEO da Nintendo, foi projetá-la de volta ao sucesso. Após o desempenho comercial fraco do GameCube, Iwata colaborou com o desenvolvimento do Wii, o console de mesa de maior sucesso da empresa até hoje, com mais de 100 milhões de unidades comercializadas. Também foi responsável pelo Nintendo DS, que ocupa junto ao PlayStation 2 o posto de aparelho de videogame mais bem-sucedido da história, com cerca de 150 milhões de portáteis vendidos.

O lançamento de hardware mais recente até aqui, na gestão do CEO, foi o Wii U, anunciado por ele na E3 2011.

Acompanhe a repercussão da morte no Twitter:


Em uma de suas mais conhecidas citações, durante uma conferência em 2005, teria dito: “No meu cartão de trabalho, eu sou presidente corporativo. Na minha cabeça, eu sou um desenvolvedor de jogos. Mas, no meu coração, eu sou um gamer”.

Descanse em paz, Satoru Iwata. :(

#BitSound63 – Harry Potter and the Chamber of Secrets (Hogwarts Castle)

Jogos baseados em filmes não costumam ser bons. Mas a segunda adaptação de Harry Potter para os videogames foi uma grata surpresa. Lançado em 2002 para o PS2, GameCube, Xbox, PC e GBA, Chamber of Secrets é baseado no segundo livro da série. Com uma mecânica muito parecida com a da série The Legend of Zelda, o jogo da Eurocom (publicado pela EA Games) também se destacou pela trilha sonora. Com um enredo fiel ao do filme, incluiu até mesmo as partidas de quadribol, o esporte favorito do universo Harry Potter. O título recebeu ainda versões para GBC, PS1 e Mac, porém desenvolvidas por outros estúdios, não obtendo o mesmo sucesso.

Escute a trilha:

Todo dia o BitBlog traz uma trilha sonora de um game. Tem uma sugestão para a gente? É só deixar nos comentários.