GameCube

No Limbo: os joysticks beta de GameCube, PlayStation 3 e Xbox

Em nossa coluna No Limbo, costumamos falar de games que foram cancelados e que nunca poderemos jogar (pelo menos oficialmente). Dessa vez, resolvemos fazer diferente: falar de joysticks curiosos que, em algum momento, foram pensados pelas suas fabricantes, mas que não foram lançados. Conheça, neste post, como seriam os controles do GameCube, PlayStation 3 e do Xbox!

GameCube: um festival de ideias

Três protótipos do controle do GameCube mais a versão final

Da primeira versão (em cima à esquerda) até a final (embaixo à direita), o Cube foi um laboratório de joysticks

Pensado pela Nintendo como a forma de retomar a liderança da indústria, o GameCube patinou nas vendas, mas deixou um catálogo invejável de jogos. O processo de concepção do joystick demorou e passou por muita gente…

No primeiro esboço (no alto à esquerda), pela primeira vez os engenheiros da empresa agrupavam os botões C do controle do N64 em um novo direcional analógico. No entanto, a posição do mesmo, na parte de baixo, pareceu um tanto bizarra… Neste modelo, já era sinalizada a ideia de um botão de ação em destaque (o “A”, que neste protótipo tinha a cor vermelha), enquanto outros comandos (“B”, “X”, “Y”, em amarelo) eram relegados a uma função mais secundária, em tamanho menor.

A segunda iteração (no alto à direita) corrigiu o problema do novo analógico (“C”), dando uma posição de destaque. Os botões receberam as mesmas cores que tinham no joystick do N64. A versão seguinte (embaixo à esquerda) adicionou um direcional digital – algo que a Nintendo não queria mais incorporar em seu novo console, mas que estúdios third-party pediram desesperadamente, assim como a tecla “Z”, que foi posicionada no topo, próximo ao gatilho direito (“R”).

A edição final (embaixo à direita) priorizou o conforto: as ideias da iteração anterior foram mantidas, mas o joystick diminuiu de tamanho e recebeu um formato mais anatômico, de forma a receber bem qualquer tipo de mãos, já que a proposta do Cube era ter jogos para todas as idades. As cores dos comandos foram trocadas, deixando de lado a combinação do N64. Este foi um dos controles mais elogiados até hoje!

PS3: o controle que mais sofreu bully na história dos videogames

Protótipo (bumerange) e primeira versão oficial (Sixaxis) do joystick do PS3

O bumerangue (à esquerda) e a primeira versão oficial (à direita) dos joysticks

Revelado na E3 2005, o PS3 foi um verdadeiro monstro tecnológico à frente do seu tempo, e só não teve resultados comerciais melhores devido à sua arquitetura confusa. Mas o que chamou mais atenção no seu anúncio não foi o poder tecnológico absurdo, mas sim o joystick… Mesmo com os redesigns no controle do PS1, foi o PlayStation 3 o campeão de trapalhadas da Sony neste aspecto.

Conhecido como “boomerang”, o primeiro controle do PS3 tinha um formato bem duvidoso. O desenho arredondado implicava a perda da função rumble, devido à falta de espaço para o motor responsável pelas “tremidas”. Os gatilhos superiores ficariam em posições quase inalcançáveis. Foram tantas piadas na internet naquela época que a empresa, discretamente, apresentou na E3 seguinte o Sixaxis (à direita na imagem) como a versão final.

Sem rumble, porém mais parecido com os joysticks antecessores, o Sixaxis trazia acelerômetro, conectividade via Bluetooth e o padrão PlayStation de sempre. Foi substituído pelo visualmente similar DualShock 3, que mantinha todas as funções e ainda adicionava o rumble de volta.

Xbox: tentando chocar a sociedade

Esboços e a versão final do joystick do Xbox em 2001

Dos esboços até a primeira versão final, o controle do Xbox não deixou de ser bizarro

O Xbox original, de 2001, teve uma história bem curiosa e extravagante. O mesmo se aplicou ao joystick… A ideia era se inspirar no controle inovador do Dreamcast, mas algo não deu muito certo nos corredores da Microsoft: os esboços eram assustadores.

A ideia de ter um visor acoplável (semelhante ao VMU do Dreamcast) estava presente nos principais protótipos (na imagem, em cima), mas o desenho final (embaixo) terminou sem. No entanto, foi um dos maiores (e mais pesados) joysticks da história dos videogames. Os japoneses, por exemplo, massacraram o acessório, totalmente incompatível para mãos menores. A Microsoft terminou redesenhando o trambolho em uma nova iteração.


Quer conhecer jogos arquivados? Siga a nossa coluna No Limbo. Já falamos das tentativas frustradas de retorno de Mega Man, Halo para Nintendo DS, o Tomb Raider da Nintendo, o “clone Pokémon” da From Software, a sequência de Star Fox para SNES, Resident Evil 1.5 e 3.5, a adaptação cancelada de 007 Casino Royale para PS3 e 360, entre muitos outros!

Conheça Riqa, o Tomb Raider cancelado da Nintendo

Durante a E3 1999, a Nintendo revelava um título para o N64 que seria “o concorrente de Tomb Raider“. Desenvolvido pelo Bits Studios e publicado pela gigante japonesa, Riqa tinha – de fato – muitas inspirações nas aventuras de Lara Croft. No entanto, o game terminou cancelado. Conheça um pouco mais dessa história em mais um post da coluna No Limbo.

Cobrindo uma lacuna

Na década de 90, praticamente todo mundo tinha um Tomb Raider – Saturn, PlayStation, Windows, DOS, Mac, Dreamcast – exceto o Nintendo 64. Quando a Core começava a trabalhar em uma versão para o console 64-bit, os trabalhos na sequência já estavam avançados e o acordo de exclusividade com o PlayStation se tornava realidade. Logo, a Nintendo sabia: era preciso agir. Não ter um jogo no mesmo estilo seria uma oportunidade perdida.

Em 1997 o projeto para desenvolver um (a) rival para Lara Croft começava. A Bits Studios, com uma dúzia de games duvidosos em seu histórico, recebia a missão, sob acompanhamento da Nintendo. Na E3 1999, após rumores, Riqa era anunciado oficialmente, com direito a uma demonstração jogável. Mantendo uma perspectiva de ação em terceira pessoa, a protagonista – que leva o nome do jogo – deveria eliminar humanos e monstros na exploração de diversas áreas, além de solucionar puzzles.

A mídia recebeu bem a demo jogável e passou a nutrir expectativa pelo título, com data de lançamento prevista para o início de 2000. O que aconteceu no ano seguinte? Nada. Riqa não foi terminado a tempo e a chegada do GameCube se tornava iminente, exigindo um investimento considerável na atualização do projeto. Ao mesmo tempo, a “onda” de Lara Croft já estava esfriando e Tomb Raider não tinha mais o mesmo apelo. Em resumo, Riqa foi cancelado sem nenhum alarde pela empresa japonesa.

Cancelamento e mudança de rumo

Sem apoio da casa de Mario, o Bits Studios ativou seu plano de contingência: uma nova propriedade intelectual sob seu domínio, usando boa parte dos trabalhos feitos em Riqa. Assim surgiu Rogue Ops, um jogo de ação multiplataforma (Xbox, PS2, GameCube) publicado pela Kemco. Mecânicas inspiradas em Metal Gear Solid e Splinter Cell foram acrescentadas para fazer o título ficar mais apelativo ao público norte-americano, mas a reação foi morna e não houve sequências.

Em 2017, no entanto, um fã de games beta teve acesso à versão não-concluída de Riqa e postou os primeiros 15 minutos do título no YouTube – este é o vídeo que você pode ver acima no post. Abaixo, veja como ficou Rogue Ops, o “sucessor espiritual”, e faça as suas comparações! Quer conhecer mais jogos arquivados? Siga a nossa coluna No Limbo. Já falamos das tentativas frustradas de retorno de Mega Man, Halo para Nintendo DS, o “clone Pokémon” da From Software, a sequência de Star Fox para SNES, Resident Evil 1.5 e 3.5, a adaptação cancelada de 007 Casino Royale para PS3 e 360, entre muitos outros!

 

 

Estúdio de Dark Souls quase lançou clone de Pokémon

Você conhece a From Software? A empresa japonesa é responsável por clássicos como Dark Souls, Demon’s Souls, Armored Core e Bloodborne. Antes disso tudo, o estúdio ainda arriscava bastante na tentativa de criar propriedades intelectuais interessantes. Em 2001, era revelada a nova aposta dos japas: Gold Star Mountain, um RPG exclusivo do GameCube. No entanto, o game terminou cancelado. Veja mais sobre essa história em mais um post da coluna No Limbo.

Dark Souls misturado com Pokémon?

Cena de batalha e cena em que herói e seu monstro correm de inimigo

Tem hora em que vale a pena lutar, mas tem momentos em que o melhor a se fazer é correr…

Antes que você se pergunte, a resposta é “não”. Embora tenha reputação de fazer projetos desafiadores e sombrios, Gold Star Mountain era bastante colorido e remetia mais à ideia de Pokémon e Digimon, mesmo. A data de lançamento prevista era setembro de 2002 nos EUA.

Anunciado na feira japa Space World 2001, o game seria exclusivo para o GC e publicado pela Eletronic Arts. Em um trailer de 37 segundos exibido no evento, é possível entender como funciona o gameplay: no controle de um aventureiro, é possível explorar montanhas e derrotar inimigos. No caminho, o jovem encontra monstros que podem ser capturados, cuidados e treinados para ajudar na exploração. O trailer exibe uma criatura que tem a habilidade de absorver itens e, a partir disso, ganhar novas habilidades.

Cancelamento?

Após a feira Space World, realizada no fim de 2001, não se ouviu falar mais de Gold Star Mountain. Ao invés disso, a From Software trouxe Lost Kingdoms 1 e 2 ao GameCube, além de novos Armored Core para PS2 e outros projetos de menor escala. Com isso, o cancelamento do game nunca foi realizado de forma oficial, nem o estúdio se manifestou sobre o assunto.

Abaixo, veja como seria o jogo do GC. Quer conhecer mais jogos arquivados? Siga a nossa coluna No Limbo. Já falamos das tentativas frustradas de retorno de Mega Man, Halo para Nintendo DS, a sequência de Star Fox para SNES, Resident Evil 1.5 e 3.5, a adaptação cancelada de 007 Casino Royale para PS3 e 360, entre muitos outros!

007 Casino Royale e a adaptação cancelada para Xbox 360 e PS3

Além dos filmes, sempre gostei muito de acompanhar os games da franquia 007. Após alguns tropeços ao adquirir os direitos da marca, a EA passou a fazer um belo trabalho com Agent Under Fire (2002) e Everything or Nothing (2004), além do meu favorito, a parceria com a Eurocom em Nightfire (2003).

Com títulos originais já consagrados, a ideia de fazer adaptações dos filmes de James Bond voltou à tona na EA. Após o desenvolvimento às pressas de From Russia With Love (2005), a empresa acionou mais uma vez seus estúdios internos para adaptar 007 Casino Royale, o filme que seria lançado no ano seguinte, para o Xbox 360 e PS3. No entanto, a ideia deu errado e o game foi cancelado. Conheça essa história em mais um post da coluna No Limbo.

007 Casino Royale e os privilégios da EA

Fase ambientada em Veneza no game

Fase ambientada em Veneza no game (créditos: MI6 HQ)

No mundo dos videogames, ter lançamentos anuais pode ser uma decisão bastante arriscada. Mesmo que a Activision torne isso possível com Call of Duty (e, eventualmente, cancele um ou outro projeto), esta prática só é possível porque há múltiplos estúdios envolvidos no desenvolvimento. Ainda assim, o famoso FPS perde público ano após ano.

A EA teve uma bela parceria com a britânica Eurocom em Nightfire, que saiu para o PS2, GameCube e Xbox. Com excelente avaliação da crítica e boa vendagem, era de se esperar que essa colaboração retornasse em Casino Royale, mas não foi o que aconteceu. A gigante americana convocou o seu time interno de sempre (Redwood Shores, agora conhecido como Visceral Games), que estava prestes a entregar o “apressado” From Russia With Love, além da experiência nos títulos anteriores do espião.

A ideia: ter Casino Royale nas lojas, para o Xbox 360 e PS3, no mesmo dia do lançamento do filme. Uma edição para o Wii estava nos planos, mas cercada por incertezas. A perspectiva seria em terceira pessoa, repetindo a fórmula de Everything or Nothing, mas dessa vez contando com Daniel Craig no papel de Bond. Com um deadline de pouco mais de um ano, os desenvolvedores corriam com o projeto.

De olho nas projeções enormes de lucro, a MGM permitiu o acesso da equipe da Redwood/Visceral ao set do filme. A EA se aproximava de Craig, do diretor e dos times de Produção e Marketing. Vários modelos tridimensionais já estavam concluídos no final de 2005, mas era preciso acelerar o passo. Em janeiro de 2006, com 15% do projeto pronto, trabalhar nas novas plataformas da Sony e Microsoft estava parecendo mais desafiador do que o planejado e os trabalhos foram movidos para o PS2 e Xbox.

Cancelamento e perda dos direitos

Região de Veneza vista do alto de um prédio

Pouco se viu do game, além dessas imagens de Veneza (créditos: MI6 HQ)

Em maio de 2006, eis que uma bomba “explode”: a Activision pagava 50 milhões de dólares pelos direitos do universo de James Bond. A exclusividade valeria a partir do ano seguinte. De olho no filme que sucederia Casino Royale (Quantum of Solace), a empresa já tinha ganho acesso ao mesmo set da EA, de forma a antecipar os trabalhos do novo título, já que ambos os filmes compartilham personagens e parte da ambientação (no fim das contas, momentos chave de Casino Royale foram recriados no jogo da Activision).

Com essa “novidade”, a impossibilidade de entregar Casino Royale no prazo e o descontentamento da MGM, o jogo da Redwood/Visceral foi cancelado. Oficialmente, a EA alegava que queria se afastar de franquias e focar em propriedades intelectuais próprias. Foi uma pena, mas do jeito que a situação estava o game não seria nada bom…

Adivinhem qual o estúdio que foi convocado pela Activision para trabalhar no jogo de Quantum of Solace? A Eurocom, de Nightfire. Além dos dois projetos, o time inglês ainda desenvolveu o remake de GoldenEye 007 no Wii (mais a versão melhorada para PS3 e Xbox 360) e o fatídico 007 Legends (Windows, Wii U, PS3, Xbox 360), que recebeu avaliações tão negativas que fizeram a dona de Call of Duty largar a marca de James Bond. Que fim, não?


Quer conhecer mais jogos arquivados? Siga a nossa coluna No Limbo. Já falamos das tentativas frustradas de retorno de Mega Man, Halo para Nintendo DS, a sequência de Star Fox para SNES, Resident Evil 1.5 e 3.5, entre muitos outros!

Wii completa 10 anos; veja os bastidores do console

Em 19 de novembro de 2006, a Nintendo lançava nos EUA a sua plataforma de mesa mais bem-sucedido: o Wii. Ao apresentar o conceito, os japoneses dividiram a sua base de fãs, que esperava algo com um hardware moderno – como foi o antecessor GameCube. No entanto, a proposta vingou: foram mais de 100 milhões de unidades comercializadas globalmente, vencendo os rivais PS3 e Xbox 360. Confira, em nossa coluna Console do Mês, algumas curiosidades da plataforma.

O controle seria (bem) similar ao do Switch

Protótipo do Wiimote, com parte destacável

Olha o controle do Switch – ops, Wii (créditos: Gizmodo)

O Joy-con, comando “desacoplável” do novíssimo Nintendo Switch, não é uma ideia exatamente nova. O primeiro protótipo do joystick do Wii usaria uma ideia similar: se chamaria Gyropod e teria a parte direita destacável, tornando-se um controle a ser usado em uma mão apenas. Este foi um conceito da Gyration, empresa que criou a tecnologia sensitiva a movimentos do Wii. A ideia foi apresentada à Nintendo em 2001 e refinada, até se tornar o Wiimote que todos nós conhecemos.

Seria um acessório para o GameCube

Patente mostra que o Wiimote seria acessório do GameCube

Patente mostra que o Wiimote seria acessório do GameCube – teria dado certo?

Patentes registrada pela Nintendo em 2006 comprovam: o conceito do Wii nasceu, na verdade, como um acessório para o GameCube. A partir de um adaptador plugado no console, similar ao comando Wavebird (do GC), o Wiimote poderia ser usado sem fios. Para ilustrar o uso do sensor de movimentos, há um protótipo com uma pessoa jogando tênis.

Considerando as vendas frustrantes do Cube, talvez imaginar o conceito do Wii como um acessório seria algo que não teria dado tão certo assim. Afinal, um dos maiores motivos para o sucesso do último foi oferecer, de cara, uma plataforma simples e fácil de usar, onde toda a interface de navegação girava em torno do curioso joystick. A empresa protegeu a ideia até onde foi possível, atrasando a revelação do Wiimote em três meses após a E3 2005.

Design first

Revelação do Wii, ainda com o codinome Revolution, na E3 2005

Inicialmente revelado como “Revolution”, o design do console não mudou muito até o lançamento

Após decidir que a ideia do Wii mereceria uma nova plataforma dedicada, não mais um mero acessório, a Nintendo começou a esboçar como seria o console propriamente dito. Satoru Iwata – o então presidente da empresa – pediu que o aparelho não fosse mais largo do que dois cases de DVD. Em plenos anos 2000, como entregar algo robusto, seguindo uma restrição tão impactante?

Os japoneses receberam feedbacks negativos sobre o design do GameCube e estavam decididos a lançar um sucessor mais “discreto” para a sala de estar. Além disso, o sensor de movimentos seria embutido no aparelho e – por isso – ele deveria ser posicionado o mais próximo possível à TV, para funcionar corretamente. Quem sofreu com a decisão foi o hardware, que precisou usar tecnologia mais simples para caber nas especificações. No final das contas, a barra de sensor ficou externa e o console ultrapassou a largura planejada.

Teve uma versão para mercados emergentes…

… que não saiu em mercados emergentes. Foi o Wii Mini.

Foto da caixa do Wii Mini

Como explicar essa situação? O Wii Mini era uma versão mais simplificada do original: não tinha suporte a jogos/controles/Memory Cards do GameCube, não contava com Wi-Fi para partidas online, nem mesmo entrada para cartões SD. Para piorar a situação, a saída de vídeo componente (480p) foi retirada, restando usar os cabos AV compostos ou S-Video. Sério.

A ideia inicial era boa: uma opção de baixo custo para mercados emergentes, aproveitando o fortíssimo line-up já disponível (Mario Kart Wii, Super Smash Bros. Brawl, Super Mario Galaxy e etc). A execução, no entanto, foi péssima: o Mini só foi disponibilizado no natal de 2012, a princípio apenas no Canadá. Sim, em um país rico e em plena época de lançamento do Wii U, um novo aparelho com a proposta de competir com o PS4 e o Xbox One.

O Mini chegou, no decorrer de 2013, à Europa e aos EUA, mas não aos países emergentes. Um verdadeiro desperdício! Imaginem esta versão no Brasil, custando entre 300 e 400 reais? Em um lugar onde o Master System ainda é fabricado (e vende pra caramba!), a Nintendo teria ganho muito, muito, muito dinheiro. Quem sabe até fabricando o aparelho por aqui, com representação oficial e jogos em português. Mas, infelizmente, a empresa olha torto demais para nós. Corrupção e políticos lamentáveis à parte, aqui tinha (e, se brincar, ainda tem) espaço para o Wii Mini. Como se não bastasse, a opção de baixo custo ainda atrapalhou os consumidores por onde passou, prejudicando o desempenho comercial do Wii U.

Ainda é a plataforma “oficial” de Just Dance

A edição Wii de Just Dance 2017 é a campeã em vendas

A edição Wii de Just Dance 2017 é a campeã em vendas

Se o Wii está fazendo 10 anos, você pode imaginar que não há mais jogos sendo lançados pra ele, certo? Quase isso, mas a franquia Just Dance não abandonou o dispositivo da Nintendo, até porque é nele onde estão os usuários. Just Dance 2016, por exemplo, vendeu no Wii quase o dobro da edição para Wii U e o triplo das versões para PS4 e Xbox One, de acordo com o site VGChartz. O 2017 já está disponível e acredito fortemente que ainda veremos Just Dance 2018 no Wii. Onde tem demanda, tem jogo!

Banjo-Threeie: a aventura cancelada do mascote da Rare

Poucos títulos de plataforma provocam tanta saudade quanto Banjo-Kazooie e a sequência Banjo-Tooie, para N64. Com a venda do estúdio Rare para a Microsoft, ficou a expectativa de ver a terceira aventura da saga, Banjo-Threeie, no Xbox. O projeto, de fato, existia, mas não chegou às lojas. Conheça mais sobre o mesmo na coluna No Limbo desta quarta.

“Banjo 1.5”

Imagens do que provavelmente seria o game Banjo-Threeie

Demo técnica para GameCube deixou os fãs na expectativa

Após o bem-sucedido lançamento de Banjo-Tooie em 2000, o time da Rare começou a trabalhar em uma nova aventura envolvendo o urso e a carismática passarinha. Naquele mesmo ano, uma demonstração técnica de poucos segundos foi exibida durante a feira Spaceworld, mostrando o poder do GameCube com inúmeros personagens em movimento simultaneamente. No entanto, com a venda do estúdio para a Microsoft, o projeto deixou de ser prioridade por algum tempo, enquanto os que dependiam da Nintendo foram cancelados para sempre.

De acordo com o designer Gregg Mayles, com a retomada dos trabalhos, a ideia era relançar o primeiro jogo no Xbox, mas com novas cenas e puzzles. Talvez a ideia seria apresentar os mascotes ao público do novo console, para só então produzir uma sequência real. Faz sentido, já que os fãs do gênero (plataforma) estavam, em maioria, nos rivais PS2 e GameCube.

Banjo-Threeie: Uma sequência fiel, porém diferente

A ideia anterior foi descartada dentro da Rare. Surgiu então o segundo conceito: uma nova aventura, mas que traria a vilã Gruntilda perseguindo os protagonistas pelas fases e usando movimentos similares aos deles. O time, no entanto, acreditou que o título não seria convincente. Veja as palavras do próprio Mayles sobre o assunto, em conversa com a revista Retro Gamer no início de 2007:

“Nossa meta é levar a categoria “plataforma 3D” para a nova geração e fazer algo além de adicionar polígonos. Alguns fãs olham para trás e querem mais do mesmo, mas o Banjo do passado não tem lugar algum no mercado futuro do Xbox 360. Queremos manter todos os elementos que deram certo nos primeiros dois jogos, mas também tentar coisas novas para injetar gás em um gênero que vem sendo negligenciado por muitos anos.”

Meses antes desta entrevista, em setembro de 2006, o trailer acima foi revelado pela Microsoft. Além de um novo estilo visual para os mascotes, tudo que podemos ver é que o novo jogo provavelmente seria mais uma aventura tradicional, com os elementos (notas musicais, por exemplo) que fizeram sucesso. Aparentemente, naquele momento, ainda estávamos falando de Banjo-Threeie.

O fim: Nuts & Bolts

Veio a E3 de 2007 e nada foi falado sobre o novo game. Em meio a rumores de cancelamento, é possível que a tal “reviravolta” tenha acontecido nesta época: mudanças profundas foram feitas no jogo, reduzindo a 20% a mecânica de aventura e incorporando, nos 80% restantes, recursos de criação e personalização de veículos (!). Na E3 de 2008, o experimento era apresentado, com nome oficial: Banjo-Kazooie Nuts & Bolts.

O enredo parece bizarro, mas convence. N&B, visto por si só, é um bom game. E por que a maioria dos fãs não gosta? Porque este público aguardava ansiosamente por Banjo-Threeie, com uma mecânica mais tradicional. Após entregar o título, a Rare recebeu da Microsoft a missão de criar jogos para o Kinect, um “peso” que durou alguns anos e distanciou o estúdio das suas propriedades intelectuais. Agora que os ingleses estão voltando a criar novos projetos, como Sea of Thieves, existe a possibilidade de vermos um novo Banjo e – quem sabe – algo mais próximo às duas primeiras aventuras. Até lá, tudo é especulação.

 

Ocarina of Time: 7 fatos curiosos sobre o Zelda mais épico de todos

Qual o melhor game da série The Legend of Zelda, na sua opinião? Particularmente, considero Wind Waker, mas eu sei que a maioria prefere Ocarina of Time: a aventura mais épica e, certamente, mais nostálgica da saga. Pensando nisso, a coluna Bastidores dessa semana traz algumas curiosidades do título, originalmente para N64 e que chegou posteriormente ao GameCube, Wii, 3DS e Wii U.

Teria visão em primeira pessoa

 

O vídeo acima mostra a primeira cena de Ocarina of Time revelada ao público, em 1995. Como podem perceber, o visual era muito diferente da versão final e não foi mostrada cena alguma de gameplay. Isso aconteceu devido à equipe ainda se encontrar dividida sobre a visão de jogo: primeira ou terceira pessoa? Shigeru Miyamoto, criador da série e produtor do game, defendia a perspectiva em primeira pessoa, pois com isso o foco seria nos ambientes e inimigos. Com Super Mario 64 entregue, o próprio Miyamoto voltou a focar no projeto e tomou uma decisão, convencido pelos demais. Ocarina of Time tinha que ser em terceira pessoa:

“Seria um desperdício total não mostrar Link na tela, já que ele é tão legal!”

O “controle ocarina”

Uma ocarina de verdade e um controle do Nintendo 64

Você concorda com a comparação?

Eiji Aonuma, um dos diretores do jogo, disse que a escolha da Ocarina como um elemento chave aconteceu, entre outros motivos, devido à semelhança do instrumento com o joystick do N64. Era a desculpa perfeita para poder implementar magias, um desejo antigo do time: mudar a temperatura e se teletransportar para lugares chave em Hyrule foram algumas das possibilidades entregues. Uma das partes mais difíceis, de acordo com o compositor Koji Kondo, foi criar melodias simples e viciantes com poucas notas, tocadas através do controle.

Abrindo o baú

Link adulto abrindo um baú

Uma das animações que mais deu trabalho, segundo Miyamoto

Durante o desenvolvimento, foi preciso modelar mais de 60 personagens. Apenas Link tinha mais de 1000 combinações diferentes de animações. No entanto, um momento marcante para a equipe foi desenvolver a cena em que Link abre um baú: algo bem comum, principalmente nas dungeons. O time não sabia como implementar exatamente os movimentos, prolongando a discussão por incríveis três anos, até que Miyamoto foi para o trabalho com um baú (literalmente) contendo uma espada e um escudo dentro. Após um workshop interno, chegou-se a um consenso sobre como seria a animação.

Link encontra… Star Fox?

 

Um dos pontos chave de Ocarina of Time é o travamento da mira através do botão Z. Este recurso, na visão dos diretores, era essencial para o jogo fazer sucesso. Afinal, era a transição de The Legend of Zelda para o universo 3D. Foram anos testando o recurso. Como forma de avaliar se estava funcionando bem, o time da Nintendo fazia testes com a nave Arwing (de Star Fox), em plena Kokiri Forest, voando e atirando na direção de Link. Veja o vídeo acima, onde hackers conseguiram reproduzir este ambiente, retirado da versão final.

Conseguindo a Triforce

 

No trailer acima, revelado em 1996, a decisão de usar a perspectiva em terceira pessoa já tinha sido tomada. No entanto, o universo de Ocarina of Time era gigantesco para a época e, com isso, o desenvolvimento demorou bastante. Vários recursos e cenas foram retiradas da versão final, alterando até a narrativa. No vídeo, surge Link obtendo a Triforce a partir de um baú. Não, isso não acontece no título, embora estivesse previsto no roteiro original. Foi o bastante para a internet (que começava a se popularizar), após o lançamento do título, alimentar a falsa informação de que a Triforce era um item capturável. Por anos, muita gente acreditou nisso…

Link zumbi

 

Hoje, é possível lançar jogos defeituosos e corrigi-los depois, com atualizações, via internet. Mas e em 1998? A saída era lançar versões corrigidas para substituir os cartuchos ainda à venda em lojas. Mesmo para a Nintendo, uma empresa com rígidos processos de qualidade, era praticamente impossível que um projeto da dimensão de Ocarina of Time não tivesse glitches bizarros. O N64 recebeu as edições 1.0, 1.1 e 1.2, mas nem mesmo a última foi suficiente para corrigir todos os erros encontrados pelos jogadores.

O vídeo acima mostra um glitch que ocorre até mesmo no relançamento para 3DS: Link se torna um zumbi “voador” e invencível caso uma sequência de comandos seja feita. Este é apenas um dos incontáveis probleminhas que o game tem. No entanto, nada que tire o brilho da grande aventura, eleita por muitos o melhor jogo de todos os tempos.

Link seria apenas um adulto

Link levantando a Master Sword

Cena épica do game

O desenvolvedor Toru Osawa afirmou que, na ideia original, não haveria viagem no tempo:

“Em uma forma jovem, a espada seria muito pequena, assim como o alcance dela. Portanto, (Link) estaria em uma terrível desvantagem, principalmente contra grandes inimigos.”

Tudo mudou quando Miyamoto pediu ao time para trabalhar em um Link mais jovem. Como conciliar ambas as formas (criança e adulto)? Osawa disse que a ideia de avançar ou voltar sete anos no tempo veio para resolver este impasse. A mudança foi importante, mexendo fortemente no enredo e exigindo um rebalanceamento da inteligência artificial.