Kickstarter

BatBand imita morcegos e faz você ouvir músicas através de condução óssea

BatBand KickStarter Headphone

Se você acompanha regularmente o BitBlog, já deve ter notado que somos fãs do KickStarter, o maior serviço de financiamento coletivo da internet. Até mesmo com uma rápida navegada na plataforma é possível se deparar com ideias geniais, esperando apenas investimentos para deslanchar. Em outra ocasião também mostramos sete games bem-sucedidos no KickStarter – todos arrecadaram mais de um milhão de dólares. Desta vez vamos falar do BatBand, um headphone que não obstrói seus ouvidos, mas ainda assim permite que você escute o som. Sabe como isso funciona? Através de condução óssea.

Caso você não tenha sacado pelo nome, Bat é “morcego” em inglês. Esses animais se orientam de forma muito peculiar, emitindo ondas ultrassônicas para se comunicar, desviar de obstáculos e caçar presas. Em vez do tradicional fone de ouvido, o BatBand transmite ondas sonoras através dos ossos do aparelho auditivo. A Panasonic desenvolveu um produto similar há alguns anos.

O diferencial do acessório anunciado no KickStarter é o design (bem mais bonito) e alguns sensores que facilitam a experiência do usuário, facilitando comandos como atender uma ligação, ajustar o volume e pular para a próxima música. Desenvolvido pelo Studio Banana Things, o BatBand pode se conectar a outros aparelhos, como o smartphone, através de bluetooth. A bateria é recarregável através de USB e pode durar até oito horas. Segundo a companhia, o som é escutado apenas pela pessoa que utiliza o equipamento.

O projeto ultrapassou a meta de arrecadar US$ 150 mil, o que significa que o financiamento coletivo foi bem sucedido e ele deve sair do papel. De acordo com a página do BatBand no KickStarter, é preciso desembolsar pelo menos US$ 149 para levar o produto para casa. A empresa faz entregas apenas para alguns países, porém o Brasil está na lista.

Quatro ideias empreendedoras e tecnológicas que fizeram sucesso no KickStarter

Sensel Morph Kickstarter

O Kickstarter é considerado o maior site de financiamento coletivo do mundo, onde pessoas podem pedir recursos para custear projetos e lançá-los. Já falamos um pouco da plataforma aqui no BitBlog, em um post sobre games que tiveram arrecadação expressiva e foram bem-sucedidos no Kickstarter. Desta vez listamos quatro ideias interessantes com viés tecnológico. Vamos torcer para que elas virem realidade e deem certo. Mas, caso não alcancem êxito comercial, fica o desejo de que sirvam de inspiração para outros empreendedores.

Sensel Morph

É um dispositivo multitoque e sensível à pressão. Imagine um teclado, porém sem teclas e extremamente fino, como um mousepad. Isto é o Sensel Morph. Ele reconhece não apenas dedos, mas outros objetos, a exemplo de canetas e pincéis. A tecnologia é extremamente versátil e permite a adição de “capas” com diferentes interfaces. A ideia principal é otimizar a experiência do usuário com um dispositivo que se adapta ao que está sendo feito. A expectativa dos idealizadores é entregar um Sensel Morph a todos que doaram pelo menos US$ 199 ao projeto até junho de 2016. Ele já conseguiu US$ 330 mil.

SmartHalo

SmartHalo

Você já deve ter ouvido falar em smartphone, smartwatch e smart TV, mas provavelmente não conhecia nada sobre smartbikes. A proposta do SmartHalo, que lembra uma grande bússola digital, é transformar as magrelas em bicicletas inteligentes. Ele funciona integrado ao celular e guia o ciclista através de luzes no painel para chegar em um destino. O aplicativo ainda avisa onde a pessoa deixou a bicicleta e dá informações meteorológicas, indicando se vai cair uma chuva pesada ou o tempo está bom para pedalar. O SmartHalo também vem com tecnologia antifurto. Ele conseguiu arrecadar mais de $ 325 mil CAD (dólares canadenses) e, a partir de maio de 2016, será enviado a alguns financiadores do KickStarter.

Robin

Robin smartphone Kickstarter

Um smartphone inteligente. Parece redundante? É este o conceito do Robin, um aparelho que opera totalmente na nuvem. “Nós o criamos porque cansamos de esperar pelos outros. Ninguém mais estava desenvolvendo o aparelho que a gente gostaria de ter e achamos que você também irá desejá-lo”, escreveu a equipe da empresa Nexbit na página do Kickstarter. Para otimizar espaço, o Robin sobe todos os arquivos na nuvem, porém mantém no smartphone os aplicativos mais utilizados pelo usuário, garantindo boa performance. O design dele busca fugir dos padrões do mercado e, ao mesmo tempo, proporcionar um bom encaixe na mão. Na terça-feira em que este post era escrito (08/09), o projeto havia arrecadado mais de US$ 900 mil. A intenção é distribuir o Robin em fevereiro de 2016.

UpLight

Quem nunca acordou de manhã cedo indisposto para ir trabalhar? Quem nunca levantou da cama com um mau humor terrível? A UpLight promete um despertar mais agradável apenas regulando a cor de uma lâmpada LED. Ela possui cerca de 16 milhões de variações que se ajustam ao ambiente e reduzem o consumo de energia elétrica. Especialistas em sono usam terapia de luz para tratar distúrbios dos pacientes. A UpLight segue o mesmo embasamento científico, trabalhando o momento ideal para o corpo ativar a melatonina e o cortisol. Curiosamente, a ideia nasceu em 2014, durante um Startup Weekend San Diego. No site de financiamento coletivo, arrecadou aproximadamente US$ 20 mil de uma meta de US$ 50 mil. A previsão é distribuir a UpLight até dezembro deste ano.

Veja os 7 games mais bem-sucedidos até hoje no Kickstarter

No mundo dos games, as grandes produções de estúdios famosos costumam receber maior atenção da mídia, o que impulsiona bastante as vendas. Entretanto, a cena indie ganhou força nos últimos anos, através de portais de crowdfunding (ou “vaquinhas”, como conhecemos no Brasil). O financiamento coletivo de projetos possibilitou vários jogos de empresas menores, que precisavam apenas de um “empurrãozinho” para garantir seu desenvolvimento.

O BitBlog listou os 7 títulos que arrecadaram mais dinheiro na história do site Kickstarter. É curioso notar que vários deles foram idealizados por grandes nomes da indústria, como os produtores de Banjo-Kazooie, Castlevania e Mega Man, que saíram da zona de conforto e resolveram empreender. O motivo é bem claro: independência. Confira a lista.

1) Shenmue 3 (viabilizado em 2015)
Plataformas: PS4 e PC
Previsão de lançamento: dezembro de 2017
Valor arrecadado: US$ 6,333,295

Falamos dele aqui no BitBlog em outras ocasiões. Neste ano, o renomado game designer Yu Suzuki – responsável também pelas franquias Virtua Fighter e OutRun – anunciou o terceiro episódio de sua mais famosa criação, Shenmue, mais de uma década após o seu cancelamento. Entretanto, dessa vez, o título estará a cargo do empreendimento de Suzuki, o estúdio Ys Net, uma vez que ele detém a propriedade intelectual da franquia. Shenmue 3 não teve muitos detalhes revelados ainda, mas a expectativa é enorme.

2) Bloodstained: Ritual of the Night (viabilizado em 2015)
Plataformas: PS4, Xbox One, Wii U, PS Vita e PC
Previsão de lançamento: março de 2017
Valor arrecadado: US$ 5,545,991

Bloodstained - Ritual of the Night

Koji Igarashi, produtor da série Castlevania entre 1996 e 2014, deixou a Konami em busca de novos desafios. Em 2015, lançou uma campanha para Bloodstained, que rapidamente alcançou grande repercussão e emplacou. O game lembra bastante os trabalhos anteriores de Igarashi e este é justamente o seu maior trunfo.

3) Torment: Tides of Numenera (viabilizado em 2013)
Plataformas: PC, Mac e Linux
Previsão de lançamento: último trimestre de 2015
Valor arrecadado: US$ 4,188,927

Torment é sucessor espiritual do clássico Planescape: Torment (PC), de 1999. Estava previsto para dezembro de 2014, mas sofreu um atraso significativo por parte dos responsáveis. O sucesso enorme do crowdfunding não foi o suficiente, pelo jeito, e o estúdio lançou uma nova campanha em seu site, pedindo mais dinheiro para finalizar o título.

4) Pillars of Eternity (viabilizado em 2012)
Plataformas: PC, Mac e Linux
Lançamento: já disponível (março de 2015)
Valor arrecadado: US$ 3,986,929

Com visual caprichado, Pillars of Eternity é uma sequência espiritual para o conceituado Baldur’s Gate. A crítica o recebeu de forma muito positiva: com média de 8,9 no Metacritic, foi um dos primeiros cases de sucesso do Kickstarter. Para a desenvolvedora Obsidian Entertainment, este é apenas o começo: pacotes de expansão estão a caminho, para a alegria dos fãs.

5) Mighty No. 9 (viabilizado em 2013)
Plataformas: PS4, PS3Xbox One, Xbox 360Wii U, Nintendo 3DSPS Vita, Linux, Mac e PC
Previsão de lançamento: primeiro trimestre de 2016
Valor arrecadado: US$ 3,845,170

Este aqui tá parecendo uma novela sem fim. Do produtor da série Mega Man, o conceituado Keiji Inafune, Mighty No. 9 já foi adiado várias vezes. Quando os fãs achavam que o jogo veria a luz do dia, o estúdio Comcept deu, mais uma vez, más notícias. Agora, quem quiser jogar o carismático título terá que aguardar até 2016. Disponível também em edição física, devido ao apoio de uma publisher, Mighty precisa sair logo… Se não, vai virar novela mexicana (alguém mais lembrou de Duke Nukem Forever?).

6) Broken Age: Act 1 (viabilizado em 2012)
Plataformas: PS4, PS Vita, Ouya, Android, iOSLinux, Mac e PC
Lançamento: já disponível (fevereiro de 2014)
Valor arrecadado: US$ 3,336,371

Quem imaginaria que um point-and-click (apontar e clicar) seria o responsável por provar que o crowdfunding é possível também para videogames? Mas estamos falando de uma criação de Tim Schafer, game designer que participou dos clássicos Grim Fandango, Full Throttle e Psychonauts. Com o mouse/tela de toque como elemento principal na jogabilidade, Broken Age trouxe uma narrativa bem construída e que, na prática, funcionou bem: prova disso é o 8,2 obtido no Metacritic. Uma sequência, “Act 2”, chegou em abril de 2015.

7) Yooka-Laylee (viabilizado em 2015)
Plataformas: PS4, Xbox One, Wii U, Linux, Mac e PC
Previsão de lançamento: outubro de 2016
Valor arrecadado: £2,090,104

Não cansamos de falar de Yooka-Laylee aqui no BitBlog. O título, idealizado por ex-funcionários da saudosa Rare (GoldenEye 007, Banjo-Kazooie, Perfect Dark), chega em outubro de 2016. O estúdio Playtonic anunciou algumas novidades recentemente: uma parceria com a Team 17 (responsável por Worms) vai acelerar o desenvolvimento do mesmo e colaborar com a parte de testes do projeto. Até aqui, não foi assegurada uma edição física, a distribuição será apenas em formato digital. Mas vamos ficar na torcida para que o cenário mude. Quem é fã mesmo de Banjo-Kazooie e guarda a caixa com o cartucho a sete chaves em casa, que nem eu, deve concordar ! :)


Este é apenas o início de uma nova tendência na indústria. No momento em que antecipa o financiamento dos projetos, as empresas menores ganham segurança para poder fazer o seu trabalho, sem ter que recorrer ao patrocínio das “grandonas” do mercado. Será essa a saída para a onda de jogos repetitivos que nós estamos vendo? A crise de criatividade acabou? Ficaremos na torcida.