MMO

Jogamos: The Crew 2 quer prezar pela liberdade de pilotagem

Em 2014, a Ubisoft trouxe uma franquia nova de corrida ao mundo: The Crew. O game foi avaliado pela crítica como promissor e inovador ao trazer um vasto mundo aberto ao gênero. Ao mesmo tempo, houve críticas construtivas no que diz respeito à variedade de missões.

The Crew 2, revelado com mais detalhes na conferência pré-E3 da empresa, trabalha cada ponto construtivo com bastante atenção. Veja abaixo a nossa prévia, direto da E3 2017!


Novas possibilidades

Se no anterior a experiência era apenas com carros, em The Crew 2 é possível pilotar também motos, helicópteros, aviões e barcos. O mundo aberto online-only está de volta, com várias missões espalhadas por seis cidades americanas. Você pode ir de uma cidade até a outra dirigindo (sim, é possível!) ou usando um mapa para ir diretamente.

Quando não se está em uma missão, é possível alternar entre tipos de veículo a qualquer momento. E isso é lindo. Você está lá, em Nova York, conduzindo um barco próximo aos arranha-céus da Tribeca e, de uma hora pra outra, muda para um avião. Vai chegando perto do solo e, abruptamente, alterna para uma moto. Essa liberdade dá muitos pontos ao game, que vai te fazer jogar sem nenhum objetivo apenas pela experiência, para relaxar.

Na demo da E3, passei por três missões onde era preciso alcançar checkpoints dentro do tempo estabelecido. Fui de carro, barco e avião e posso assegurar: o título está bem divertido e realista. O visual melhorou significativamente em relação ao antecessor. Ainda é a mesma engine, mas o time da Ivory Tower (agora uma subsidiária da Ubisoft) trabalhou bastante em texturas e efeitos visuais (como névoa).

Vale a pena dar uma chance?

Não joguei o primeiro The Crew. Logo, fica complicado dar uma resposta para essa pergunta. O que posso dizer é: se você experimentou o primeiro e não gostou da variedade de missões ou das perseguições policiais, há motivos para apostar na sequência. A variedade de tipos de veículos aumenta exponencialmente as possibilidades para as missões. Sobre perseguições policiais, elas não estarão em todo o game. Isto é, você poderá jogar para relaxar, ou até mesmo aceitar alguns desafios, e a polícia não estará colando em você. Para quem curtiu o predecessor, pode ir com vontade. Tem bastante conteúdo inédito.


The Crew 2 sai no início de 2018 para PS4, Windows e Xbox One. Siga acompanhando o site e redes sociais do BitBlog para mais cobertura da E3 2017!

True Fantasy Live Online, o MMO cancelado do Xbox

O Xbox original, lançado em 2001, foi a estreia da Microsoft nos consoles (veja os bastidores aqui). Embora tenha vendido mais de 24 milhões de unidades, este total representou apenas 1/6 do rival PlayStation 2. Um dos motivos do desempenho comercial ruim foi a falta de habilidade da empresa com o público japonês. Embora esta situação perdure até hoje com as plataformas mais recentes, o aparelho era uma verdadeira interrogação – e ter se dado bem em terras nipônicas poderia ter mudado completamente o seu destino.

True Fantasy Live Online, anunciado em 2002, seria o primeiro MMO do Xbox. Desenvolvido pela experiente Level 5, das séries Yokai Watch, Professor Layton e Dark Cloud, o jogo traria um imenso mundo aberto a ser explorado, com um charmoso estilo cel shading remetendo aos melhores RPGs daquela época. Vale lembrar que este era o mais ambicioso carro-chefe da novíssima Xbox Live. Se TFLO tivesse sido lançado e correspondido à altura do hype, a plataforma da MS poderia ter se tornado avassaladora em território nipônico, além de emplacar no Ocidente – já que era um momento bem favorável a este gênero. No entanto, o projeto terminou cancelado. O que deu errado? Veja em mais uma edição de nossa coluna No Limbo.

O anúncio

 

Finja que você está em 2002. Após o fiasco do Dreamcast e o início avassalador do PS2, o GameCube mantinha uma segunda colocação duvidosa e o novato Xbox era lembrado por um único título, Halo. Com apenas o aparelho da Microsoft se movimentando rumo a um serviço robusto de partidas online, era difícil acreditar que os consoles de mesa alcançariam o sucesso do PC nesta área. Os bem avaliados Phantasy Star Online e Unreal Tournament tropeçavam na quantidade pequena de usuários.

Em meio a este cenário, a MS anunciava um MMO RPG em parceria com a Level 5. O estúdio japonês era formado por vários desenvolvedores conceituados e, com pouco tempo de vida, já tinha as suas próprias franquias, além de colaborar com a Enix (antes da fusão com a Square) em Dragon Quest VIII. Veja o vídeo acima e tente imaginar como seria sua reação naquele ano. A comunidade de gamers, em grande parte, ficou muito animada, e True Fantasy Live Online passava a ser um dos títulos mais esperados para 2003.

Problemas na comunicação

Personagem, em cena de gameplay, explora uma floresta em meio a outros jogadores

Explorar um mundo imenso com mais 3 mil pessoas, em pleno Xbox e na sala de estar. Como não se empolgar?

2003 tinha chegado e, com ele, nenhuma novidade significativa sobre TFLO. Em setembro daquele ano, o presidente da Level 5 fez uma palestra na Tokyo Game Show e falou sobre as dificuldades de desenvolver um MMO. Embora o estúdio fosse experiente em RPGs, desenvolver por inteiro uma aventura online para 3 mil jogadores simultâneos era um desafio enorme. O teor da apresentação mostrava que as coisas não andavam bem, a começar pelo nome: “Em Uma Aparente Interminável Jornada: Uma Primeira Experiência com MMO RPG“.

Na TGS daquele ano, a Microsoft revelou uma versão jogável (curtíssima) para o público presente, além de anunciar que o projeto tinha sido adiado para 2004. A imprensa elogiou a demonstração, mas começou a questionar os recursos de comunicação do game. Além de frases pequenas predefinidas, a única forma de diálogo entre os jogadores era por chat de voz. Como funcionaria isto, considerando tanta gente de uma vez?

Após meses sem notícias, havia uma expectativa que True Fantasy apareceria na E3 de 2004, o que não aconteceu. Menos de um mês após, um representante da MS cancelou oficialmente o projeto, devido à “incapacidade de entregar (o título) em um nível de qualidade aceitável para o consumidor” e ao ambiente “incrivelmente saturado e competitivo do gênero” (não concordo com a segunda parte). Foi um balde de água fria.

“Falta de habilidade”

Ainda em 2004, o presidente da Level 5 disse que o relacionamento com a gigante norte-americana foi terminado de forma não amigável e culpou a falta de habilidade da última ao interagir com desenvolvedores japoneses. O clima entre as empresas tinha se tornado hostil e este foi o primeiro – e último – trabalho entre elas. Representantes da empresa americana, ainda culpavam a falta de progresso do projeto como o principal motivo do cancelamento.

Shane Kim, que naquele tempo era o Gerente Geral da divisão de jogos da MS, assumiu total responsabilidade em entrevista ao site 1UP em 2008. “Não tivemos o sucesso esperado com MMOs. Para este tipo de projetos, o investimento é basicamente o dobro de um título convencional e ainda não conseguimos encontrar o equilíbrio“. Ao mesmo tempo, o executivo acreditava que TSLO poderia ter sido bem sucedido no Xbox 360, lançado em 2005. Uma possibilidade, de acordo com rumores, que foi considerada pelos times antes do derradeiro fim.

Como teria sido o desempenho de TSLO? Não sei, mas Final Fantasy XI tinha várias características em comum e foi um grande sucesso nos consoles (PS2 e Xbox 360), passando 14 anos no ar. A Microsoft teve a sua oportunidade de fazer barulho, mas a receita – que envolvia inexperiência e diferenças culturais – parecia pronta para um desastre.