Pac-Man

Feliz aniversário, Pac-Man!

Nesta sexta-feira tem um personagem muito querido na indústria dos jogos que completa aniversário. O Pac-Man (que muita gente aqui do Brasil conheceu como Come-come) está completando 35 anos desde que foi lançado pela Namco para arcades lá no Japão, em 1980. Seu criador é o game designer Toru Iwatani, que trabalhava na empresa há apenas três anos quando teve a ideia de desenvolver um jogo simples e que agradasse o público feminino. Ora, se na época de hoje ainda existe sexismo na indústria dos videogames, imagine como era a situação há três décadas e meia. Os games eram considerados “coisa de menino” e, pensando numa lógica estereotipada, o mercado apostava para valer nos títulos sangrentos.

Existem várias histórias por trás da criação de Pac-Man. Uma delas diz que Toru Iwatani estava numa boa com uns amigos quando resolveram pedir pizza. Ao tirar uma fatia, o criativo japonês olhou para o restante daquela figura e imaginou uma boca. Mas em uma entrevista antiga, o criador da bolinha amarela insaciável que come mais que Magali deu outra versão. Falou que em japonês há uma onomatopeia que representa o ato de comer. Tipo o nosso “nhac-nhac”, só que na Terra do Sol Nascente é “paku-paku”. Daí o nome Pac-Man. E o formato dele? Seria derivado do ideograma japonês para a palavra “boca”, que lembra um retângulo ou quadrado. Mas Toru percebeu que uma bola passava a ideia de algo mais dinâmico e ágil. Assim nasceu o aniversariante do dia.

Ainda há um pequeno detalhe nessa história toda. O mascote é conhecido no Japão como Puckman, que é seu nome original. Com medo de que no ocidente ele fosse chamado de Fuckman, o personagem aportou do outro lado do hemisfério como Pac-Man, evitando piadas e confusões na pronúncia.

O BitBlog conversou com o professor Breno Carvalho, coordenador do curso de jogos digitais da Universidade Católica de Pernambuco, para saber como foi a repercussão do lançamento de Pac-Man. “Por conta das cores e da forma dos personagens, o público feminino adorou. Nos fliperamas eram as mulheres que ganhavam dos caras”, explica. O próprio formato do game foi bem inovador na época e ajudou a consagrar a temática de labirintos. “Mesmo sem muita tecnologia para definição de objetos na época, o Pac-Man foi um dos únicos a ter um bom design de personagens e cenário que não demonstrava problemas ou limitações técnicas”, diz Breno Carvalho, citando o livro 1001 Games para Jogar Antes de Morrer.

O professor também é autor da dissertação “Doodle game: Uma definição de marca mutante jogável”, inspirado no doodle criado pelo Google em 2010, em homenagem aos 30 anos do mascote. O conceito pareceu grego para você? Calma que lá vem a explicação: “Marca mutante jogável é uma identidade dinâmica na qual se observam traços da assinatura matriz, com mutação de elementos gráficos da marca, apresentando-se de maneira consistente e contemporânea. Também há a inserção de recursos audiovisuais e interativos, regidos por uma narrativa com objetivo claro, regras que propõem a tomada de decisão por parte do usuário em um determinado tempo/espaço e resultados quantificáveis para o jogador”, ensina o coordenador do curso de jogos digitais da Unicap.

Algumas curiosidades:

1) Pac-Man vai ser um dos personagens homenageados no filme Pixels, que estreia em 23 de julho e faz referência a clássicos dos videogames.

2) Durante o processo de criação, sugeriram a Toru Iwatani que ele colocasse olhos no personagem, mas ele não gostou da ideia. Mesmo assim, com a inclusão de Pac-Man na franquia Super Smash Bros, da Nintendo, ele ganhou traços humanoides.

3) Existe até mesmo um jogo de kart com Pac-Man.

4) Os fantasmas que perseguem nossa querida bola amarela possuem personalidades próprias e nomes: Blinky, Pinky, Inky e Clyde.

5) Billy Mitchell é o detentor do recorde mundial do Pac-Man. Ele levou mais de seis horas para completar o jogo, conseguindo alcançar a pontuação máxima que é 3.333.360 pontos. Para isso, ele teve que completar 256 telas. E detalhe: não perdeu uma única vida.