Playful Corporation

Jogamos: Super Lucky’s Tale traz o melhor do gênero plataforma

Jogos de plataforma, ao lado de RPGs, sempre travaram uma disputa acirrada em meu coração de gamer. O páreo é duro. Eu poderia facilmente listar inúmeros títulos que me cativaram nas últimas duas décadas. Ouso dizer que Sonic, Mario, Bubsy e Yoshi’s Woolly World me fizeram tão feliz quanto Secret of Mana, Chrono Trigger, Persona 4 Golden e Dragon Age. Mas se depender de Super Lucky’s Tale, que promete um futuro brilhante, a balança pode começar a pender para um lado. A equipe do BitBlog passou no estande do Xbox e jogou o game de plataforma da Playful Corporation – que, vale dizer, já me conquistou com Star Child no PlayStation VR. Não é exagero dizer que Super Lucky’s Tale traz o que há de melhor no gênero.

E o que faz um jogo de plataforma ser muito bom?

Bem, vou correr o risco de tentar adivinhar os ingredientes da fórmula – embora eu deteste com todas as forças quando esta palavra é associada a videogames. Mas, na minha opinião, 50% da receita é composta por: um personagem carismático, jogabilidade simples, fator replayable, exploração, ambientação envolvente e trilha sonora marcante. Os outros 50% correspondem ao toque de Midas – e a Nintendo é uma especialista nisso. É saber misturar muito bem todos esses elementos na dose certa para que a versão final do jogo seja vitoriosa no objetivo de fisgar os jogadores.

Ao contrário de vários títulos apresentados na E3 2017, a demo de Super Lucky’s Tale teve duração bem generosa. Antes de colocar as mãos no joystick, foi dito a mim que a experiência deveria durar cerca de 15 minutos, mas tenho certeza que levei mais ou menos o dobro do tempo (para quem estava na fila, sorry). Eu lembro que a cada transição de mapa ou desafio concluído eu ficava triste acreditando que veria a mensagem de fim da demo na tela. A todo momento eu queria continuar jogando mais. E, honestamente, escrevo este texto horas depois do gameplay e ainda me arrepio só de pensar nisso.

O mais estranho, porém, é que Super Lucky’s Tale é tão simples e intuitivo que com cinco minutos parecia que eu tinha passado uma vida inteira jogando ele. Talvez seja porque a raposa Lucky, mascote da franquia, evoca em mim a imagem de Tails. Já Diego, que também é editor do BitBlog, lembrou de Crash. Ou talvez a explicação para essa familiaridade seja ainda mais simples: Super Lucky’s Tale é MUITO bom.

De forma resumida, os comandos envolvem pular sobre os inimigos, acertá-los com a cauda, rolar e cavar túneis. É muito fácil se acostumar com eles. Os gráficos são de um colorido vívido que fica perfeito rodando a 4k no novíssimo Xbox One X. A propósito, o título em 3D será lançado no mesmo dia que o poderoso console, em 7 de novembro de 2017. Seguindo a prática adotada pela Microsoft na nova geração, ele também ganhará uma versão para Windows 10.

Super Lucky’s Tale também agrada quem gosta de exploração nos games. Parte do motivo de meu gameplay ter demorado mais que o previsto foi minha mania de vasculhar todos os cantos do cenário. Descobri caminhos ocultos. Onde não era possível chegar, fiz questão de usar a câmera para dar uma boa olhada. Acredite em mim, o visual é tão fascinante que você também vai querer reservar um tempinho só para olhar ao redor de Lucky. Aliás, aproveite para tentar localizar as cinco letras que formam o nome do personagem, ganhando uma vida extra. Tipo como acontecia com Donkey Kong.

Mas, apesar da breve comparação, vale ressaltar que Lucky tem originalidade e carisma próprio. Conversei com Shawn Ketcherside, da equipe responsável pelo jogo, e ele contou sobre como surgiu a ideia. “Nós queríamos fazer um mascote que realmente gostássemos e assim nasceu esta raposa fofinha e bastante expressiva. A alegria é uma característica do personagem”, contou.

De acordo com Shawn, o time está preparando várias fases e não tem como precisar agora a quantidade de horas de gameplay que a versão final terá, mas os jogadores podem esperar fases especiais em que pulos superprecisos serão fundamentais. Assim como mostrado na demo, outras boss arenas vão aparecer no decorrer do jogo e ao longo da narrativa o jogador conseguirá desbloquear novas coisas para fazer. Uma das dúvidas é sobre o que fazer com as moedas que serão coletadas nas fases. Atualmente uma certa quantidade delas adiciona uma vida extra, mas o time da Playful pensa em talvez implementar novas funções, como a possibilidade de também usá-las para destravar colecionáveis in-game. “Vamos oferecer o melhor conteúdo que temos”, frisou.

 

Jogamos: Star Child mistura magia, mistério e medo

O primeiro jogo em VR que eu testei no estande da Sony durante a E3 2016 foi o Wayward Sky. Fiquei apaixonado por ele e escrevi aqui no BitBlog que se tratava de uma experiência relaxante para o jogador. Desta vez, em 2017, elegi Star Child, título recém-anunciado pela Playful Corporation, para iniciar os trabalhos. O game me cativou durante todo o gameplay. E aí pensei em começar este texto falando que tive muita sorte novamente. Mas seria injusto. Foi pura competência. Star Child é uma mistura de magia, mistério e medo que prende a pessoa em outro mundo, mas carrega traços que revelam beleza além disso. É um jogo para a alma.

Antes de qualquer coisa, é preciso alertar aos mais empolgados que pouca informação foi revelada sobre o título, já que ele está em fase inicial de desenvolvimento. Sabemos basicamente que é um game de plataforma 2.5D com elementos de puzzle. Mas se me permitem um exercício de futurologia, digo que o que eu joguei foi o suficiente para cravar: vai ser incrível!

Em Star Child, você controla uma mulher que caminha em um mundo que parece ser mágico, mas ao mesmo tempo perigoso. Existe uma forte pegada de sci-fi e o visual bebe na fonte de tons azuis com neón, mas com espaço para o colorido. Porém, o uso das outras cores é bem comedido e ao mesmo tempo sombrio, evocando mistério. A iluminação está linda. Trilha sonora, idem. E aí você sente vontade de explorar tudo com o Playstation VR acoplado no seu rosto.

Se por um lado a experiência é encantadora, por outro não tardará ao jogador perceber que tudo ali converge para que ele se sinta vulnerável. A visão de uma personagem minúscula diante da imensidão do ainda incompreendido cenário é prova disso. O final da demo, que infelizmente é curtinha, traz a cereja no bolo.

Vemos com mais detalhes – e o VR é perfeito para esse tipo de exploração – os contornos do que parece ser o – ou um dos – inimigo da protagonista. Visualmente se assemelha muito com um inseto gigante robótico, mas isso já é especulação minha. Quando parece ser o fim da linha para nossa personagem, eis que ao fundo uma espécie de estátua gigante que emite uma luz azulada, intervém e protege.

Você sabe que foi salvo por algum tipo de guardião.

Você se sente uma formiga.

Você apenas instintivamente inclina a cabeça para admirar este ser bruto e angelical enquanto torce para que Star Child não demore a chegar nas prateleiras.