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Facebook Reactions expõe insatisfação de brasileiros com a classe política

Mal chegou ao Brasil e o novo recurso do Facebook, o Reactions, já começou a ser utilizado pelos internautas para expressar a insatisfação com a classe política. A novidade da rede social mais usada pelos brasileiros são cinco carinhas (emoticons) alternativas ao botão “curtir”: amei, haha, uau, triste e grr. Enquanto os dois primeiros transmitem sentimentos positivos, o “uau” é neutro e os dois últimos são negativos – expressam tristeza e raiva.

Qual das novas reações você acha que é a mais usada nas publicações de políticos e partidos?

Independentemente de partido A, B ou C e posicionamentos mais à direita ou à esquerda, o BitBlog observou que o novo recurso do Facebook inaugura mais uma modalidade de protesto virtual. Na falta de um botão descurtir, várias pessoas estão marcando postagens neutras e até positivas com a cara da fúria.

É importante ressaltar que este comportamento era até previsível em assuntos que envolvam notícias ruins (como aumento de impostos), embate de ideias e temas controversos. Nessas situações, fica mais difícil interpretar se a reação negativa é dirigida ao autor da publicação ou ao contexto do que ela trata. Especialmente quando se trata de páginas da oposição, que tendem a partir para o confronto. Mas nem sempre é o caso.

Abaixo, colocamos alguns exemplos:

Dilma Rousseff

facebook reactions dilma rousseff

Geraldo Alckmin

facebook reactions geraldo alckmin

José Serra

facebook reactions jose serra

Jair Bolsonaro

facebook reactions jair bolsonaro

Eduardo Cunha

facebook reactions eduardo cunha

PT

facebook reactions partido dos trabalhadores

PSDB

facebook reactions psdb

 

Silvio Meira diz que Brasil precisa ser reescrito e alcançar competitividade global

É impossível fazer uma lista das personalidades mais reconhecidas no fomento à inovação em Pernambuco sem lembrar de Silvio Meira. Genial, visionário e dono de opiniões fortes, o paraibano de 60 anos participou ativamente da fundação do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e do Porto Digital, nosso polo de tecnologia da informação e economia criativa. Ainda hoje continua envolvido no desenho de estratégias para as duas instituições e é professor associado da Escola de Direito da FGV no Rio de Janeiro. Silvio também é um dos idealizadores da Ikewai, que atua criando redes de empreendedores, e é parceiro do Grupo DUCA, nascido no Recife neste segundo semestre. O cientista recebe, nesta terça-feira (15), o título de professor emérito da UFPE, onde lecionou por vários anos. Trata-se de um reconhecimento que ele considera o maior de sua carreira. Em entrevista ao Diario de Pernambuco e BitBlog, Silvio Meira criticou duramente a falta de competitividade brasileira no mercado global e analisou o impacto da crise econômica e política nas pequenas e médias empresas.

ENTREVISTA COM SILVIO MEIRA

O que significa para você receber o título de professor emérito da UFPE?

Sou muito grato à UFPE – e ao Centro de Informática, em particular – por todas as oportunidades que tive em minha carreira de 36 anos em todos os níveis de docência, desde professor colaborador a titular, no qual me aposentei em 2014, passando pelo mestrado em ciência da computação, que fiz entre 1978 e 1981. Receber da “minha universidade” o título de professor emérito é uma grata adição a uma história de décadas de trabalho e um reconhecimento dos meus pares, colegas e amigos. É, sem dúvida, o título mais importante da minha carreira.

O Cesar nasceu na década de 1990 por uma série de motivos. Um deles era o incômodo com a fuga de estudantes para outras cidades. Hoje existem mais oportunidades, porém este movimento ainda acontece. Referência em qualidade de ensino, frequentemente o CIn tem alunos contratados por grandes companhias do setor de TI. Qual sua análise sobre isso?

O Cesar cumpriu e cumpre, desde que foi criado, múltiplos papéis. Uns que nós desenhamos, como ser um atrator de capital humano no Recife e para Recife, e outros que surgiram no processo, como ser uma referência brasileira em inovação. É absolutamente normal e desejável que formados por todas as escolas superiores daqui e de qualquer canto saiam do lugar onde estudaram para trabalhar e estudar (mais) em outros países e instituições. Hoje, parte da riqueza e diversidade de competências do Porto Digital vem exatamente dos que aqui estudaram, saíram e voltaram, combinada com aqueles que vieram de fora, estudaram e ficaram aqui. Essa fusão é responsável por criar, manter e evoluir redes de capacidades e competências de classe global aqui e em qualquer lugar onde acontece. Ainda bem que está rolando aqui, agora. Temos que trabalhar, constantemente, para que continue assim.

Você passou 12 anos como cientista-chefe do Cesar até deixar o cargo no ano passado. Ainda participa ativamente do desenho de estratégias para o instituto?

Uma pessoa me disse, um dia, que eu iria sair do Cesar, mas o Cesar não sairia de mim. Pura verdade. Ainda participo do desenho do Cesar como consultor da presidência e como pessoa e cientista, desde a criação de novos projetos até novas instituições no e ao redor do Cesar, como o CIEL.network. Estou interessado e envolvido com toda instituição de conhecimento, educação e inovação que queira, de fato, participar do processo de desenvolvimento do Nordeste a partir do Recife, cidade única da região e do país.

Em uma entrevista, você disse que são necessários 25 anos para determinar se um parque tecnológico deu certo. O Porto Digital, que ajudou a fundar, já tem 15. Com o que ele precisa se preocupar, nos próximos dez anos, para garantir o saldo positivo?

Como quase ninguém ignora, os próximos dez anos serão muito difíceis para o Brasil. A irresponsabilidade no trato com a coisa pública gerou uma crise de proporções “nunca dantes vista na história desse país”, para fazer blague com o que costumava propalar um certo ex-presidente. Os próximos dez anos, para toda e qualquer instituição, serão muito difíceis. Para o Porto Digital, que é uma política pública, a década vindoura será de desafios muito grandes, que poderão adiar o estágio de sustentabilidade independente do Estado em uma outra década ou mais. Mas nós nunca achamos que ia ser fácil criar e manter um sistema local de inovação em tecnologia da informação nos trópicos, quase Equador, periferia de tudo. O Brasil não é um país para principiantes, já dizia Tom Jobim. Nós vamos trabalhar como nunca trabalhamos.

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“O Brasil patrimonialista trabalha contra a criatividade, a inovação e o empreendedorismo” – Silvio Meira

Grandes empresas de tecnologia começaram como startups e lucro zero. Por aqui, o nascimento ainda esbarra na velha burocracia brasileira. Como o empreendedor pode superar as dificuldades deste ciclo inicial?

O Brasil precisa ser reescrito. O Brasil patrimonialista, do Estado babá e tutor, que quer determinar e cuidar de tudo da vida do cidadão e das instituições. O Brasil oficial, onde tudo o que não é explicitamente permitido é terminantemente proibido. Esse Brasil trabalha contra a criatividade, a inovação e o empreendedorismo. Trabalha também contra uma economia brasileira que seja globalmente competitiva. Há muito o que fazer no Brasil. Da simplificação do processo de criação e fechamento de negócios à diminuição do número e complexidade dos impostos. Muitos países já passaram por isso. Mas estamos demorando demais num estágio pré-competitivo, do ponto de vista global, como se algo nos agarrasse, nos prendesse a um passado colonial, como se outros, e não nós, tomassem decisões aqui. Talvez estejamos precisando de uma nova Constituição e de uma nova (classe) política. Há algum tempo, por sinal.

Você costuma dizer que inovação se aprende no mercado. Por quê?

A definição de inovação que eu acho mais apropriada é a de Peter Drucker, dada há décadas: “inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como fornecedores e consumidores de qualquer coisa”. É no mercado que propostas de valor diferentes se encontram e competem. Sem a aceitação do consumidor, algumas são só propostas, e não inovação. Faça uma lista de coisas interessantes, mas irrelevantes, que apareceram no mercado na última década. Compare com o que realmente decidimos usar – e, de alguma forma, comprar – que fica fácil ver porque mercado e aceitação são fundamentais para inovação.

Políticas públicas têm um papel importante no estímulo à criação de pequenas e médias empresas. Estas, por sua vez, respondem por até 27% do PIB, segundo dados do Sebrae. O cenário de instabilidade política que o Brasil atravessa pode ter impacto nos empreendedores?

As pequenas e médias empresas são fundamentais enquanto estão em processo de crescimento para se tornar grandes negócios. As micro, pequenas e médias empresas brasileiras são muito menos competitivas do que seus competidores internacionais e respondem por uma parcela muito menor do PIB do país do que suas contrapartes europeias, por exemplo. Parte disso se deve à grande complicação brasileira. Nosso arcabouço educacional, fiscal, jurídico, trabalhista, de infraestrutura e até uma mentalidade subdesenvolvida que enquanto acha que “o Brasil é grande”, não consegue se inserir nos mercados internacionais. Os motivos vão de falta de qualidade do produto até falta de entendimento de mundo. Sem mercados internacionais, dependendo quase totalmente do mercado interno, os pequenos e médios negócios são sempre duramente atingidos por crises como essa. Bem que poderíamos aprender, desta vez, a olhar para o mundo, que é dezenas – centenas ou milhares, em alguns mercados – de vezes maior que o Brasil e fazer nossa lição de casa para o futuro.

An illustration picture shows the logo of car-sharing service app Uber on a smartphone next to the picture of an official German taxi sign

“Os taxistas e suas cooperativas poderiam ter evoluído para modelos de prestação de serviços como Uber. Mas isso quase nunca acontece porque há muito investimento no passado” – Silvio Meira

As indústrias de TI e economia criativa são cada vez mais permeadas de disputas entre velhos modelos e novidades disruptivas. É o caso de operadoras versus Whatsapp, emissoras versus Netflix e taxistas versus Uber. É possível que os dois lados consigam conviver ou um deles está fadado ao declínio?

É preciso entender que há um novo tipo de mercado começando a tomar forma e servir de base para toda a economia na forma de “mercados em rede”, onde as redes digitais habilitam e instrumentam todas as transações. As emissoras de TV poderiam ter “escrito” e estar “provendo” seus próprios Netflix. Os taxistas e suas cooperativas poderiam ter “evoluído” para modelos de prestação de serviços como Uber. Mas isso quase nunca acontece porque há muito investimento no passado, seja em capital, métodos, processos, educação ou cultura. Quase nunca se vê um incumbente reescrevendo seu próprio mercado porque os regimes de incentivos trabalham a favor do passado. O passado, por um bom tempo, remunera muito bem e os agentes econômicos não só não veem razão para mudar, mas trabalham contra a mudança. Vez por outra há mudanças, como essas de agora, que são grandes demais para qualquer agente interromper. Mercados em rede vão mudar a economia do planeta. Radicalmente.

O que será tendência para os setores de TI e economia criativa no próximo ano?

Os próximos poucos anos fazem parte do “futuro do presente”, onde continuam acontecendo coisas que já vinham acontecendo ou que são de alguma forma determinadas por estas. Como eu disse anteriormente, mercados em rede já estão aí e mudando tudo. Mobilidade e smartphones vão se tornar cada vez mais presentes no país. Cada vez mais as pessoas criam, leem, veem e fazem coisas com um dispositivo móvel. Redes sociais e a cultura criada por elas estarão mais presentes e relevantes. Plataformas do passado, da TV à democracia representativa, passando pelo trabalho e sua regulação, serão desafiadas de forma radical. O próprio trabalho, a noção do que ele é, por quem e para quem é feito, e como é remunerado, vai mudar muito.

SAIBA MAIS

Silvio Meira é paraibano, nascido em Taperoá, e tem 60 anos. Ele é um dos cientistas mais reconhecidos do país e possui vasta produção científica.

Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Avançados do Recife e do Porto Digital. Atualmente é presidente do conselho do parque tecnológico.

Lecionou na Universidade Federal de Pernambuco durante 36 anos e receberá, amanhã, o título de professor emérito, um importante reconhecimento.

Costuma pregar que inovação deve ser feita olhando para o mercado. Em palestras, fala que “inovar é emitir mais e melhores notas fiscais”.

Seu perfil no Twitter (@srlm) traz opiniões sobre vários assuntos e uma curadoria de artigos que versam sobre tecnologia, inovação, empreendedorismo e política.

Acompanhe no Twitter a repercussão dos protestos pelo impeachment

Não é segredo para ninguém que o país passa por um momento de instabilidade política. Neste domingo (13), grupos favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff marcaram protestos em mais de 100 cidades brasileiras, incluindo capitais. Já na próxima quarta-feira, dia em que o Supremo Tribunal Federal deve se posicionar acerca do processo (que está suspenso), é a vez de movimentos e defesa do Governo irem às ruas.

Como de costume, os dois lados também brigam no Twitter, cientes de que as redes sociais são um poderoso agregador em torno de causas, independentemente da posição de cada um. Enquanto uma parte grita #VemPraRua, outra responde com AI-5 e #NãoVaiTerGolpe.

Para você poder acompanhar em uma única janela um resumo do que está sendo falado na internet, lançamos este post com as principais hashtags e palavras-chave sobre o tema. Lembramos que o conteúdo é automaticamente gerado a partir do que as pessoas escrevem no Twitter.

IMPEACHMENT


#VemPraRua


#NãoVaiTerGolpe


AI-5


Movimento Brasil Livre


Partido dos Trabalhadores


Dilma Rousseff


Site do deputado Marco Feliciano é hackeado

Site Marco Feliciano

Um grupo hacker intitulado “ASOR Team”  invadiu e alterou a página oficial do deputado Marco Feliciano (PSC). No endereço, que é indicado na descrição do perfil do político no Twitter, há uma imagem com deuses de várias religiões e um longo texto com uma crítica à bancada evangélica. Quem acessa a página também escuta a música Na Segunda Vinda, do rapper Black Alien.

Em seu perfil oficial no Twitter, o deputado não havia se pronunciado sobre o ocorrido até às 19h30 desta quinta-feira (16). Na fanpage do grupo hacker ASOR Team foi postada a informação – não confirmada – de que a invasão aconteceu há oito dias.

Dependendo do endereço utilizado para acessar o site, ele é redirecionado para outro, que aparenta estar livre de invasões.

Segue o teor da mensagem:


 

Sob um discurso incoerente de liberdade religiosa, permite-se que exista uma bancada evangélica em um estado laico: o Brasil. Aos mais incautos, não há perigo aparente. É apenas uma parcela da população sendo representada, e somos uma democracia representativa.

Para Anonymous, esse argumento seria inválido, posto que defendemos a democracia direta, participativa; mas, deixando isso de lado, vamos analisar com mais calma e profundidade? Mas o que é Laico?

Secularismo francês (em francês: laïcité pronuncia-se [la.isite], em Português: laicismo) é um conceito que denota a ausência de envolvimento religioso em assuntos governamentais, bem como ausência de envolvimento do governo nos assuntos religiosos.

Durante o século XX, o conceito evoluiu para significar a separação entre Igreja (ou religião) e Estado. A palavra laico é um adjetivo que significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas.

Os valores primaciais do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa e a origem humana e democraticamente estabelecida das leis do Estado.

O que isso significa, na prática?

Significa que representantes políticos podem ter a religião que preferirem (ou não ter), assim como qualquer cidadão, mas que no momento de propor leis, emendas ou projetos, estes não devem ser fundamentados em seus princípios religiosos.

A Ideia Anonymous é uma ideia materialista e racionalista. Justamente por isso, a Tecnocracia é um de seus pilares.

E a Tecnocracia é o quê?

A Tecnocracia, ao contrário do que se tenta fazer parecer, não tem nada a ver com a meritocracia (que a Anonymous não defende).

Ela é um modelo de governabilidade funcional (independente do sistema econômico/político vigente) em que se aplicam as ciências em todas as cadeias produtivas, garantindo a sustentabilidade da espécie humana. No lugar de convenções econômicas (como ocorre com o libertarianismo, o liberalismo e o marxismo, por exemplo), adotam-se métodos científicos para a gestão dos recursos e da sociedade.

O que isso significa, na prática?

Que ao discutir questões relativas à saúde pública, por exemplo, o debate seja orientado por conselhos técnicos e profissionais (seja isso através do reconhecimento formal ou não), médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, etc. Que ao discutir questões relativas à educação pública, que o debate seja orientado por educadores, pedagogos, psicopedagogos, e assim por diante.

A Tecnocracia também defende maior esforço na capacitação técnica das pessoas, e um planejamento rigoroso desse desenvolvimento, criação de infraestruturas e aumento da qualidade dos diversos níveis de educação, assim como do acesso da população a eles.

O campo perigoso da tecnocracia é justamente quando ela se confunde com a meritocracia e deixa o poder nas mãos de classes “especializadas”, mas justamente por termos como primeiro pilar a Hiperdemocracia (democracia direta e participativa) esses eixos se complementam.

Voltando ao assunto

Se todos os representantes federais da bancada evangélica (FPE – Frente Parlamentar Evangélica) estivessem unidos num mesmo partido, teriam a terceira maior representatividade. Isso é muita coisa. Apenas para ter ideia do que uma bancada é capaz e fazer, a bancada ruralista conseguiu aprovar o novo Código Florestal mesmo quando o consenso do meio científico e universitário do País apontava para o contrário. Essa categoria foi sumariamente ignorada na construção desse processo. E é assim que funciona a política por aqui.

De acordo com dados obtidos através do site Transparência Brasil, mais da metade dos parlamentares que participam da bancada evangélica são alvos de processos judiciais na Justiça Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal (STF) por diversos crimes, tais como peculato, improbidade administrativa, sonegação de impostos, formação de quadrilha ou bando, abuso do poder econômico em eleições de que participaram, reprovação de prestação de contas nos Tribunais de Contas de estados e municípios e aos próprios TREs de seus estados de origem.

Por que fere o princípio de um estado laico?

Ao entrar no site da FPE, o primeiro anúncio que encontramos foi CULTO toda quarta-feira 8:30h nos plenários Câmara dos Deputados. Lá mesmo, no site da FPE, encontra-se esta nota:

Em, 13 de a bril de 2014,às 8:30 no Plenário 1 a Frente Parlamentar Evangélica celebrou ao Senhor. O preletor , recomendado pelo eminente deputado Oziel de Oliveira (PDT-BA), estará ministrando a palavra de Deus por instrumentalidade do Espírito Santo. O Plenário 1, onde funciona a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, das 8:30h às 9:50h se transforma em Casa de Deus, espaço de adoração e louvor.

 Entre eles estão os projetos apelidados de “Cura Gay” (que contraria os consensos dos conselhos de Medicina, Psicologia, Psiquiatria e a OMS, entre várias outras entidades internacionais referentes à saúde) e o “Bolsa Estupro” (que prevê pagamento de um salário mínimo por 18 anos a mulheres vítimas de estupro para que mantenham a gravidez e criem seus filhos). Este segundo, PL 1.763/2007, ainda prevê orientação de psicólogos de orientação cristã a essas vítimas para convencê-las sobre a importância de manter a gravidez (também pago pelo Estado); ambos contrariando o Código de Ética dos profissionais de Psicologia, que veta a indução a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas e de orientação sexual.

Também são responsáveis pelo apelido pernicioso de “kit gay” ao kit Escola Sem Homofobia. O material proposto pelo MEC a partir do trabalho de especialistas de todo o País foi recolhido pela presidenta Dilma após a ameaça de a bancada evangélica não votar mais nada até que o kit fosse recolhido. Nessa situação, também ameaçaram convocar seu então ministro Palocci para prestar esclarecimento de seu enriquecimento caso o kit fosse aprovado. É a diferença entre agir com justiça ou barganha.

Quando em 2012 o STF aprovou por unanimidade a união homoafetiva estável, o deputado João Campos (PSDB/GO) entrou com um pedido e inclusão na legislação brasileira de um dispositivo que impedisse as igrejas a serem obrigadas a realizar cerimônias dessa natureza. Isso nunca foi ameaçado por nenhum projeto até então, mas verifica-se um esforço de confundir a opinião pública contra o direito civil, como se ele apresentasse de fato algum perigo à liberdade religiosa.

A bancada evangélica tem feito o monitoramento de 368 projetos da Câmara e do Senado, a maioria referente a questões de direitos individuais, e agido não de acordo com o programa dos seus partidos, legalmente constituídos e pelos quais foram eleitos, mas sim pelas orientações religiosas a que professam.

Entre as principais bandeiras está a defesa da “família tradicional” (da tradição evangélica, claro), usada para atacar e impedir a conquista de direitos de quaisquer outros modelos familiares, independente de representarem núcleos legítimos de afeto. Outra pauta comum é a do ensino religioso nas escolas (da religião cristã, claro) e até mesmo absurdos como ensino de Criacionismo como uma alternativa científica à Evolução.

A bancada evangélica também é responsável por barrar o projeto que criminaliza a homofobia, o chamando injustamente de “lei da mordaça”, interrompendo um processo do direito humano que já vinha avançando com programas semelhantes para mulheres, negros, crianças e idosos.

Opiniões sobre um estado laico

A consolidação do Estado Laico – garantido na nossa Constituição, mas como vimos, bastante frágil em sua prática – não é importante apenas para a comunidade LGBTT..