Realidade virtual

PES 2017: entrevistamos Adam Bhatti, da Konami

Atualização (30/08/2016): a Konami confirmou o licenciamento de 20 clubes da Série A, além de pelo menos seis estádios. Milton Leite será o narrador da edição brasileira. Veja as novidades aqui.


Durante a E3 2016, ao chegar à sala de reuniões da Konami, rapidamente encontrei inúmeros PS4 com uma demo de PES 2017. Enquanto aguardava a apresentação sobre o game que seria feita por lá, resolvi jogar um pouco o novo Pro Evolution Soccer. Além do visual nitidamente superior, devido às melhorias feitas no motor Fox Engine, os goleiros claramente estavam fazendo defesas mais difíceis do que de costume. É, eu tinha notado algumas das melhorias da série neste ano, antes mesmo de ouvir os representantes da Konami.

O time responsável não consegue esconder a empolgação com as inovações desta versão, que tem como lema a frase “controle a realidade”. Entre as de maior destaque, além das já mencionadas, está a inteligência artificial adaptativa. A promessa é que o game aprenda como você joga, através de machine learning, e se adapte a isso. Em complemento, os movimentos dos jogadores estão mais naturais e os passes mais precisos. Os escanteios de PES, considerados “engessados” por alguns, receberam quatro esquemas possíveis, flexibilizando o uso de novas estratégias.

Quem curte partidas online vai gostar de saber que as estatísticas foram reforçadas. Você saberá mais sobre o seu histórico contra um amigo específico, por exemplo, além de ver registrado o estilo de jogo de cada um, categorizado por diferentes aspectos, como os movimentos preferidos. Por outro lado, a funcionalidade Edit Data Sharing possibilitará, no PS4, a transferência de times e jogadores personalizados via USB. Um novo myClub vai mudar a forma de contratar talentos.

Pro Evolution Soccer 2017 - myClubFicou mais simples a forma de contratação no myClub

Após a jogatina, entrevistei com exclusividade o Adam Bhatti, que é Global Product and Brand Manager da série PES. O representante da Konami falou sobre as melhorias, realidade virtual e até o mercado brasileiro. Confira!


As novidades de PES 2017 certamente são interessantes. Mas e quanto às edições do jogo no PS3 e Xbox 360? Elas também receberão estas inovações?

Ainda estamos olhando para a geração passada. Em resumo, posso assegurar a você que o “sentimento” ao jogá-las será o mesmo, mas as novas edições (PS4/Xbox One) são as mais precisas quanto à nossa visão para o título, principalmente no que diz respeito às animações e inteligência artificial. No fundo, é o mesmo motor de jogo, a Fox Engine, que é adaptável.

E quanto à versão para PC? Ela está mais próxima do PS4 e One, ou da geração passada?

Ainda não falamos em PC porque há vários detalhes a serem anunciados. O desenvolvimento não terminou e o lançamento está um pouco longe, já que será no inverno norte-americano (para o Brasil, entenda como verão). Posso garantir que o game, nos consoles (não a versão PC), terá mais mudanças significativas entre o 2016 e o 2017 do que aconteceu entre o 2015 e o 2016.

Pro Evolution Soccer 2017 - 2

Qual a visão de vocês em relação a realidade virtual na série PES?

Estamos discutindo isso neste momento. O foco para este ano são as melhorias já anunciadas, mas estaremos onde os jogadores estiverem. Se realidade virtual emplacar, por que não? No Brasil, por exemplo, ainda não há muitos PS4. Logo, o mercado de VR nele ainda não é grande. Vamos aguardar.

Recentemente, foi anunciado que os servidores online de PES 2015 serão desligados em agosto, em menos de 2 anos após o lançamento. Isso gerou insatisfação entre os fãs. Como isso afeta PES 2017?

Isto (desligar os servidores tão cedo) não é algo que planejamos. Não faríamos se houvesse público lá. No caso de PES 2015, creio que cerca de apenas 200 pessoas usavam recursos online. Notamos que os fãs se importam com atualizações de times e uniformes, entre outras melhorias, e por isso eles mudam de versão. PES 2015 foi um sucesso comercial, mas o público mudou. É caro manter servidores no ar e percebemos que pode ser mais benéfico, para ambas as partes, investir em melhorias para as edições seguintes.

No Brasil, há rumores da saída de Silvio Luiz da narração e a entrada de Milton Leite. Eles procedem?

(risos) Ainda não há nada a ser anunciado. Não posso responder sobre isso. Se tivermos que mudar (a narração), o que garanto é que a nova opção será definida para agradar os fãs.

Pro Evolution Soccer 2017 - 3

Quais times brasileiros estarão presentes em PES 2017?

Eu diria para o público não se preocupar. Faremos este tipo de anúncio na Gamescom, em agosto. Como o game ainda não tem uma data de lançamento específica, apenas a época (verão brasileiro), preferimos ficar confortáveis primeiro com o título antes de revelar mais detalhes. Ainda há questões a serem resolvidas no desenvolvimento.

Para terminar: como é feita a escolha de quais estádios estão representados no jogo? Quais os desafios em relação ao licenciamento?

Depende de parceria com os clubes. Quanto aos jogadores, por exemplo, temos que negociar os direitos um a um, por isso em PES 2016 tivemos tão poucas representações fiéis em cada clube. Já em relação aos estádios, também depende de negociação. Todo ano, no entanto, fazemos uma pesquisa global levando em conta a opinião do nosso público. Se os fãs quiserem muito sugerir algum estádio, por exemplo, podem entrar em contato conosco pelas redes sociais do PES, temos uma equipe para este fim. Para a versão 2017, já há muitos detalhes encaminhados, então só faríamos alguma adição se muita gente pedir.

Jogamos: Eagle Flight transforma o jogador em uma águia

Antes de testar Eagle Flight no estande da Ubisoft da E3, a portas fechadas, confesso que não me encantava muito pelo game. Isso só veio começar a mudar após as grandes experiências que tive recentemente com o PS VR: Until Dawn – Rush of Blood, Thumper e Batman Arkham VR me fizeram voltar a acreditar em realidade virtual. Logo, nada mais justo agora do que encarnar uma águia e voar pelos céus de Paris, certo?

No modo versus (multiplayer), dois times buscam fazer “gols”: para isso, é preciso capturar uma presa e levá-la até o topo da Torre Eiffel. O problema (ou não) é que você pode atirar em outras águias, ou sofrer dano vindo da equipe rival. Com isso, a presa é perdida e o jogo se inverte. A proposta é bem interessante, obrigando o jogador a voar baixo, entre os prédios, para desviar dos projéteis. Isso pode ser difícil com tantos obstáculos, mas é – de certa forma – emocionante.

Eagle Flight - 2Hora de voar!

É preciso usar o joystick em combinação com o VR para poder acertar os adversários, além de se locomover adequadamente. Como os movimentos da cabeça controlam a direção do jogador, em alguns momentos é comum se sentir enjoado, e aí entra minha sugestão: um comando para girar 180 graus, por mais absurdo que seja, poderia ajudar na jogabilidade.

Eagle Flight chega no fim do ano às três principais plataformas de VR: Oculus Rift, HTC Vive e PlayStation VR.

Jogamos: Psychonauts in the Rhombus of Ruin, para PS VR

Em 2005, era lançado o game que levaria a divisão de games da Majesco à falência. Será que era tão ruim assim? Pior que não – pelo menos é o que diz a imprensa.

Não joguei Psychonauts, mas sei que é um jogo de ação em terceira pessoa super cultuado para PS2, Xbox e PC. Consiste em um menino, Raz, que tem poderes psíquicos, tentando impedir os planos de vilões que querem eliminar crianças especiais que nem ele. No papel de Raz, o jogador deve usar suas habilidades para compreender os traumas dos colegas e ajudar a superá-los.

Psychonauts in the Rhombus of Ruin - E3 2016Enquanto o game era experimentado, a fila acompanhava atrás num telão

Nesta sequência, que inicia logo após o primeiro jogo, o pai da colega Lili é sequestrado. Através do PlayStation VR em conjunto com o DualShock 4, é preciso alternar entre os personagens para usar os poderes de cada um e entender os seus pensamentos. Só assim é possível progredir. O visual é muito simples, assim como a trilha sonora. A falta de ação pode desapontar um pouco quem espera uma experiência mais imersiva no PS VR.

Em comparação com os outros games com suporte ao acessório do PS4, Psychonauts in the Rhombus of Ruin fica devendo bastante. Só indicaria se você for fã do primeiro game. Caso contrário, dê uma olhada no line-up, há opções mais interessantes: de Resident Evil 7 a Eve Valkyrie.

PlayStation VR custará US$ 400 e terá Star Wars

A realidade virtual está chegando (embora nem todo mundo esteja preparado). Além do Oculus Rift, que chega em maio por US$ 600, o outro grande competidor neste mercado é o PlayStation VR. O dispositivo – que será lançado na América do Norte, Europa e Japão em outubro deste ano – requer um PS4 para funcionar e tem suporte ao DualShock 4 e ao PS Move.

A Sony anunciou mais detalhes sobre o seu acessório na feira GDC 2016. O preço, como já se imaginava, será salgado. O pacote “básico”, que inclui apenas o próprio PSVR, custará US$ 400. Outra opção, ainda sem preço anunciado, incluirá a PS Camera e um controle PS Move. Curioso, já que o acessório de realidade virtual requer a PS Camera para funcionar e poucas pessoas possuem a mesma atualmente.

PlayStation VR - o dispositivoO PlayStation VR é mais barato, porém, menos “desengonçado” que o Oculus Rift

A lista de games com suporte ao dispositivo é forte. Edições de Star Wars: Battlefront, Until Dawn e DriveClub foram confirmadas, além do aguardado Tekken 7. Além disso, a Sony promete compatibilidade parcial com filmes e jogos já lançados para o PS4, através do novíssimo modo Cinemático. Como será? Vamos aguardar para descobrir.

Mulher se assusta com montanha-russa virtual, grita em shopping e vira hit na internet

A realidade virtual não deve demorar a se popularizar pelo mundo. A tecnologia imersiva já foi demonstrada na edição anterior da Campus Party Recife e, neste ano, chega às prateleiras através do Oculus Rift, que custará US$ 600. Sim, bastante caro, mas a tendência é de redução do preço ao longo dos próximos anos. Enquanto isso, sempre dá para contar com a sorte de aproveitar uma demonstração em eventos ou shoppings.

E é bom ir se acostumando, pois a realidade virtual pode facilmente confundir uma pessoa e levá-la a emoções extremas.

Foi isso que aconteceu em um vídeo que está virando hit na internet brasileira e parou até no site humorístico Não Salvo. Um filho gravou a mãe experimentando o óculos de realidade virtual simulando uma montanha-russa. A atração foi montada em um shopping na cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

A mulher simplesmente se desespera e grita assustada, enquanto segura com força no carrinho da montanha-russa. Ela ainda se balança como se realmente estivesse em movimento. A cena, que chamou a atenção de todo mundo, foi parar no YouTube, conseguindo mais de 35 mil visualizações desde o último dia 14. Ao fim do vídeo, ainda nervosa, ela aparenta estar meio envergonhada, mas também se divertindo com a situação.

Oculus Rift chega em maio por 600 dólares

Demorou, mas o Oculus Rift vai chegar às lojas. O produto já está em pré-venda em seu site, onde custa US$ 600 e traz alguns acessórios: headset, sensor, cabos, um controle do Xbox One, o dispositivo Oculus Remote e dois jogos (EVE: Valkyrie e Lucky’s Tale).

O revolucionário acessório – um equipamento de realidade virtual que promete uma experiência imersiva – desembarcará em 20 países, em maio, mas o Brasil está de fora. Palmer Luckey, criador do Rift, afirmou que a empresa está trabalhando para alcançar outros territórios. Neste primeiro momento, o dispositivo estará disponível para quem mora na Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Inglaterra, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Suécia ou Taiwan.

EVE ValkyrieEVE: Valkyrie virá no pacote do Rift e promete uma experiência hardcore

Quem participou da campanha original do Rift no Kickstarter, com doações acima de US$ 275, se deu bem: estes investidores receberão a versão comercial do produto, sem custos adicionais, caso residam em um dos 20 países citados. Para os que moram em outros lugares, a empresa promete avaliar alternativas.

Modelagem 3D e realidade virtual em games na #CPRecife4

Alex Rodrigues e Everaldo Neto na Campus Party Recife 4

Alex Rodrigues e Everaldo Neto têm carreiras bem parecidas: ambos são artistas 3D há oito anos no mercado, foram colaboradores do estúdio pernambucano de jogos Playlore e participaram da produção de grandes títulos, de Just Cause 2 a Elder Scrolls Online. Atualmente, a dupla é sócia da Diorama Digital, onde desenvolve soluções arquitetônicas mescladas com realidade virtual. Neste sábado, os apresentadores contaram, na Campus Party Recife, experiências de seus projetos passados e atuais.

Modelagem em 3D aplicada a games: por onde começar?

O ciclo de modelagem foi descrito pelos designers em cinco etapas. Primeiro, desenhos iniciais são elaborados (Concept). Em seguida, é feito um modelo em alta definição (High Poly), que ganha logo após uma versão mais detalhada (Low Poly). Na fase seguinte, com os modelos High e Low, são extraídas as texturas e então o processo finaliza na etapa In Game, com ajustes já aplicados. Eles recomendaram as tecnologias Autodesk 3ds Max, Maya e Blender, com uma consideração de Everaldo: “não se prenda a uma ferramenta específica, o mais importante é conhecer o processo“. Na visão dele, cada uma fornece possibilidades únicas.

Participando de grandes projetos

Just Cause 2

O jogo Just Cause 2 (foto acima) foi a experiência mais desafiadora até aqui para Alex, pois representou sua primeira oportunidade de aplicar seus conhecimentos em modelagem 3D em um game. Além disso, era necessário seguir a especificação de um cliente internacional. Com o passar do tempo, o designer foi se habituando ao processo da indústria. Curiosamente, nem sempre a dupla sabia para qual projeto exatamente estava trabalhando: durante a produção de Elder Scrolls Online, Alex e Everaldo se referenciavam ao título apenas pelo codinome, quando descobriram, seis meses após ingressarem no projeto, o nome do game. Parecia inacreditável, mas eles estavam, daqui de Recife, participando de uma das franquias mais cultuadas de todos os tempos.

Empreendendo em realidade virtual

Oculus Rift

O momento em que a dupla resolveu empreender em um negócio que envolve realidade virtual trouxe alguns desafios. Alex e Everaldo aplicaram todo o conhecimento que tinham nas engines Unreal e Unity, desta vez no desenvolvimento para Oculus Rift (foto acima). O famoso acessório exige um PC de alto processamento – além de ser mandatório ter placa de vídeo com suporte ao DirectX 11. O alto custo do Oculus Rift (350 dólares + frete e impostos brasileiros), dificuldade de locomoção (já que o acessório não é tão portátil assim e exige conexão com PC) e eventuais enjoos, que podem acontecer em alguns usuários, ainda limitam um pouco a tecnologia.

Mas, de qualquer forma, Alex e Everaldo mostraram que com planejamento, é possível, sim, empreender e ter sucesso nesta área. Para demonstrar uma das obras da Odebrecht no bairro Reserva do Paiva, em Pernambuco, a Diorama Digital desenvolveu um ambiente tridimensional com suporte à tecnologia da Oculus VR. Um projeto arquitetônico, nos mesmos moldes, para a Sinagoga do Recife também está sendo feito pela empresa. O futuro é animador.