Telefonia

T-Mobile surpreende com streaming de vídeo gratuito

A T-Mobile, empresa alemã do ramo de telecomunicações que também atua como operadora de celular em diversos países, fez um movimento ousado. E até impensável – pelo menos atualmente – para os padrões do mercado brasileiro, onde até o WhatsApp é alvo de polêmica. De acordo com o Gizmodo, o CEO John Legere revelou um acordo com serviços de streaming de vídeo, como o Netflix, que não vai descontar o uso da internet do pacote de dados dos usuários.

A novidade da T-Mobile foi batizada de Binge On e passa a valer a partir de 15 de novembro. Estão inclusos na lista Netflix, HBO, Hulu, Sling TV, Watch ESPN e Vevo. O YouTube, entretanto, ficou de fora (ao menos por enquanto) da parceria. O benefício é de graça para clientes com planos de dados de 3 GB ou franquias superiores. Funciona apenas nos Estados Unidos.

(Igualzinho ao Brasil…)

 

Dá para sobreviver só com plano de dados no celular?

Celular plano dados voz

O setor de telefonia móvel passa por uma transformação no mundo inteiro. Conforme amplamente comentado, inclusive aqui no blog, a tendência é de queda na contratação dos pacotes de voz e crescimento dos pacotes de dados. Em outras palavras, o consumidor está cada vez mais imerso na cultura do smartphone e adere a aplicativos como WhatsApp, Facebook e Skype, preferindo se comunicar por texto ou VoIP. Publicamente, as operadoras brasileiras vêm adotando reações diferentes ao sucesso dos apps. Enquanto Tim e Claro investem em parcerias com o WhatsApp, a Vivo praticamente decretou guerra ao serviço.

Operadoras x WhatsApp

Taxistas x Uber

Emissoras x Netflix

Enquanto todos se engalfinham, um amigo meu, o webdesigner Dennis Calazans, 29 anos, decidiu tomar uma atitude drástica. Heavy user de smartphones, ele já teve chips de todas as quatro principais operadoras de telefonia do Brasil. No último dia 28, abri meu Facebook e dei de cara com um post de Dennis anunciando a decisão. “Caros amigos, gostaria de informar que decidi abrir mão das chamadas telefônicas pela operadora. Meu chip do smartphone agora é só de internet”, escreveu em sua própria timeline.

Caros amigos, gostaria de informar que decidi abrir mão das chamadas telefônicas pela operadora. Meu chip do smartphone…

Posted by Dennis Calazans on Quinta, 27 de agosto de 2015

Conheço Dennis há alguns anos. Ele é um cara muito inteligente, professor da Unibratec e apaixonado por tecnologia e design. Também é viciado no celular. Achei interessante a iniciativa e combinei que pegaria o relato dele ao longo dos dias e publicaria aqui no BitBlog passada uma semana da experiência.

O resultado você confere abaixo:


Dia 1

“Como eu sou um cara de tecnologia, sempre pensei em viver essa experiência. Sentir na pele as dificuldades de não contar com um telefone para ligar e receber. Mas, depois de viajar, eu vi que não preciso de chamadas de voz para me comunicar. Tirei a minha dúvida.

Depois de problemas não resolvidos com a operadora e, é claro, com a necessidade constante de economia, decidi abandonar o plano “família”, onde tinha que ter alta quantidade de minutos, para poder ter grande quantidade de dados, já que vários números utilizavam a mesma franquia.

Resolvi fazer um plano de dados e apostar na comunicação assíncrona dos bate-papos, mensagens de voz, acreditar nas chamadas de internet e nos serviços que ligam e recebem para telefones utilizando dados.

No primeiro dia, utilizei o meu chip de voz até ser cancelado. Acho que temia não poder ligar. Fiquei sentindo como se meu telefone faltasse um pedaço. Testei ligar e receber com uma amiga e nenhuma das duas ações se concretizam. A sensação é de sair só com um tablet conectado à internet ou quando a gente está viajando que compra um chip local só para navegar na rede”


Dia 2

“Hoje eu tive a primeira experiência impactada pela decisão de só usar dados. O pessoal da faculdade precisou me ligar, mas não conseguiu. Acho que é uma coisa que eu preciso educar as pessoas sobre como lidar e se comunicar pela internet. Através de casos como esse, vão aprendendo e repassando a informação.

De resto, minha comunicação com família e amigos não mudou. O que tenho feito é utilizar as chamadas de voz pelo Facebook e WhatsApp em vez de recorrer ao telefone normal. Até agora, perfeito. Mas ainda assim, penso em direcionar as chamadas do meu chip pré-pago para o telefone do meu pai ou até mesmo ter um safado só pra receber. Apenas para não perder as ligações e outras oportunidades.

Acho que fiz uma boa escolha. Até agora. Quero ver quando passar mais de três meses e vivenciar os possível perrengues. Estou imaginado no Natal e Ano Novo, quando o tráfego de internet se intensifica, ou em situações de certa urgência que preciso de agilidade.

Esqueci de dizer que fui duramente questionado sobre a minha decisão. E o argumento mais utilizado era que apesar das comunicações serem em sua maioria por mensagens de texto, voz e até ligações de Whatsapp ou Facebook, as empresas que têm o meu telefone celular cadastrado podem não conseguir entrar em contato comigo.

Sim, isso é um risco que eu só corro se quiser ser radical e não tiver uma forma de usar o pré-pago só para receber. Não é que não faço questão de não ter um número para voz. O que faço questão é de não ter um plano de voz atrelado a um plano de dados.

Eu me sinto muito menos explorado contratando um plano de tablet para o celular e utilizando o pré-pago apenas para receber”


Dia 4

“O chip só de dados tá indo superbem. Eu peguei um celular velho para colocar o chip pré-pago que eu estou usando, mas até agora ele não foi necessário. Todos os meus amigos que falam comigo, minha família, nada mudou. Alguns amigos até estão interessados em fazer a mesma coisa. Um professor da faculdade disse que ia adotar a mesma ideia. As pessoas ficam curiosas e começam a coletar informações se funciona.

Quando vou para a casa da minha avó, existe um serviço de segurança na rua compartilhado com os vizinhos. A gente precisa ligar e solicitar que eles acompanhem a chegada. Nessas situações eu preciso usar Skype, Viber ou qualquer aplicativo desses para fazer chamada.

O mais importante de reforçar é que vou reduzir o meu custo para 30% do que eu tava gastando. O plano que eu contratava era R$ 349 e me dava 8 GB + mil minutos que eu compartilhava com mais quatro pessoas da minha família. Os pacotes de voz atrelados a dados eram limitados a 8 GB e eu precisava de mais para mim, já que dividia. Agora estou pagando só R$ 109,90 por uma franquia com 12 GB de dados sem voz. Só não ficou mais barato porque eu decidi pegar o maior plano de dados. Talvez descubra que não é necessário tanto e reduza”


Dia 8

“Definitivamente eu não me arrependi. Principalmente porque quem, nos primeiros dias, não conseguiu falar comigo por telefone, terminou me procurando pela internet. Acho que é uma questão de cultura. Eu acabei mantendo meu número num plano pré-pago só para receber ligações.

Muitas pessoas acharam que eu queria não ter mais um número de telefone. Na verdade, isso é impossível, pois cada SIM tem um número de telefone. Porém, o que é apenas de dados não recebe nem realiza ligações. Mas ainda envia e recebe SMS.

Um vendedor de uma operadora me disse que o chip de tablet não poderia ser utilizado no smartphone, mas nada muda. É como se ele quisesse me convencer que existe alguma diferença entre um tablet e um smartphone.

A única coisa inconveniente é ter que utilizar dois aparelhos. Existem bons smartphones Dual SIM que nada muda, em relação ao hardware, quando comparado com a versão mono SIM. Pode ser uma opção no futuro”

Presidente da Telefônica Brasil critica WhatsApp e rejeita possibilidade de parceria

O setor de telefonia vem passando por transformações no mundo inteiro. Nos últimos anos, o mercado observa uma mudança no comportamento dos usuários, com o crescimento de pacotes de dados e a queda da receita por voz. Um dos principais motivos é a indústria dos aplicativos para dispositivos móveis e, consequentemente, a popularização de serviços que oferecem VoIP, como o WhatsApp. A estratégia das operadoras para reagir à concorrência está longe de seguir um padrão. Ao menos no Brasil. Enquanto TIM e Claro trabalham parcerias com o WhatsApp, incluindo planos com utilização ilimitada, o presidente da Telefônica Vivo, Amos Genish, é ferrenho crítico do app.

Segundo o Olhar Digital, o executivo teria dito, durante congresso da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, que o WhatsApp “trabalha contra as leis brasileiras”. E foi além: “Não é admissível uma empresa prover serviço de voz sem licença do regulador, usando os números das demais operadoras e sem pagar impostos”. A Telefônica é dona da Vivo, operadora que sempre fez um grande esforço para se aproximar do público jovem. Recentemente, lançou uma campanha muito legal pelo uso consciente do celular, inclusive mirando a audiência das redes sociais. No Brasil, a marca é uma das principais apoiadoras da Campus Party, um celeiro de inovação e empreendedorismo.

Justamente por isso, a fala de Amos Genish deve provocar certa repercussão. O argumento dele se assemelha às críticas da categoria dos taxistas contra o Uber (que por sinal já está contratando gente aqui para o Recife). Não é o que se espera de uma operadora tão antenada e descolada. Porém, de acordo com o Olhar Digital, o presidente da Telefônica foi enfático: “Não vai acontecer nunca de fazermos parceria com o WhatsApp”.

TIM aposta em aplicativos, internet das coisas e serviços financeiros para se diferenciar no mercado

Fabio Traldi TIM

Uma das maiores operadoras de telefonia celular do Brasil, com uma base de 75 milhões de clientes, a TIM está perseguindo o desafio de se reinventar e, para isso, aposta forte na indústria dos aplicativos. A informação é do gerente sênior de VAS (serviços de valor adicionado) da empresa, Fabio Traldi. Ele conversou com jornalistas durante o Workshop TIM com a imprensa, que aconteceu em Salvador, nos dias 20 e 21 deste mês. Durante o evento, que falou sobre o comportamento da telefonia móvel na era dos apps, o executivo explicou que o grande desafio com a queda da receita de voz e SMS é “encontrar a nova mina de ouro”.

Ciente de que a operadora já foi muito criticada pela qualidade do sinal e da conexão à internet, Fabio Traldi não hesitou em expor o que era um calcanhar de Aquiles para a TIM. “Somos conhecidos como operadora de pré-pago e o cliente pré-pago aceita algumas deficiências que a gente tinha. Não podemos negar. A estratégia da operadora, em um primeiro momento, foi massificar e rentabilizar. Agora ela parte para uma estratégia de diferenciação no mercado”, explica, defendendo que houve uma melhoria considerável dos serviços deficientes e que tem recebido feedback positivo dos consumidores.

Para por em prática essa estratégia de diferenciação, um dos planos é justamente o investimento em apps, além do fortalecimento de parcerias. Um dos exemplos citados foi o WhatsApp, que não é encarado como inimigo, mas como aliado. Para quem não sabe, a TIM oferece um plano com WhatsApp ilimitado, ou seja, a utilização dele não desconta da franquia de internet. E agora que as operadoras estão cortando o tráfego de dados quando o limite estoura, pode ser interessante garantir esta “necessidade básica” da era da internet móvel.

Outra parceria mais detalhada no encontro com os jornalistas foi com o Deezer, popular aplicativo de streaming de músicas que chegou no Brasil há uns dois anos. Em breve será lançado um novo aplicativo do TIM Music by Deezer, capaz de aprender o gosto do usuário. Ele segue um modelo de negócios semelhante ao WhatsApp e não consome a franquia de internet. “Nossa expectativa é alcançar cinco milhões de usuários neste ano”, revela Fabio Traldi.

Atualmente a operadora oferece aos clientes um portfolio de 32 apps, só que a maioria está “condensada” em um ambiente que embarca os demais, o TIM Menu. Segundo o executivo, a visão “app centric” dos serviços deve fazer com que a quantidade aumente a curto prazo. Um exemplo de como os aplicativos podem trazer outras vantagens mesmo quando não geram receita é uma nova plataforma para gestão de conta, que serve como alternativa ao atendimento por telefone e desafoga o SAC.

Além de tudo isso, Fabio Traldi afirmou que a TIM vai investir mais no conceito de internet das coisas (especialmente em 2016) e na área de serviços financeiros, atuando como meio de pagamento.

Pessoalmente, nunca tive experiência com a operadora, então prefiro não opinar sobre a qualidade dos serviços. Dei uma conferida no Reclame Aqui e, em um ranking das empresas mais reclamadas nos últimos 12 meses, a Vivo e a Oi ficam na frente da TIM, com maior quantidade de queixas registradas. Já a Claro aparece com um número menor de reclamações. Apesar disso, é bom frisar que embora as estatísticas sejam relevantes, é difícil avaliar a proporção “base de clientes x críticas cadastradas no site”. De todo modo, pelo que observei no evento, a TIM parece estar bem antenada com as tendências do setor de telecomunicações. Hoje, caso eu fosse procurar uma nova operadora, possivelmente daria uma chance a ela. Se a execução dessas estratégias será bem sucedida, só o tempo dirá.

A conferir…