Transference

Entrevista: Ubisoft fala sobre Nintendo, franquias antigas e novos projetos

Um dos pontos altos da E3 2017 para a gente foi um papo exclusivo com a galera da Ubisoft. Bertran Chaverot, Managing Director da empresa para a América Latina, conversou com a gente sobre diversos assuntos, como os games da empresa para o Switch e o possível retorno de franquias clássicas.

Diego, editor do BitBlog, e Bertran, da Ubisoft

Confira abaixo a entrevista, que rolou no espaço da empresa na E3 2017.


Just Dance

Gameplay de Just Dance 2018, com seis jogadores

Até o Wii vai ter sua versão

BitBlog: Para começar, Just Dance 2018. Podemos esperar músicas brasileiras mais uma vez?

Bertran Chaverot: Para este ano, acho que não vai ter músicas nacionais. Mas (o jogo) vai ter acesso ao catálogo de mais de 300 músicas, incluindo Ivete Sangalo, Daya Luz, Anita…

É verdade que o Wii é a plataforma onde Just Dance mais vende?

Não no Brasil, onde o Wii nunca foi muito forte (para a franquia). Aqui é muito equilibrado entre PlayStation e Xbox, com o uso de smartphone para jogar no PlayStation e, além dele, o Kinect no Xbox. Há ainda um pouco (de vendas) de Wii e Wii U.

Mario + Rabbids

Mario e o Luigi Rabbid em destaque

Mario + Rabbids esbanja carisma e bom humor

Sobre Mario & Rabbids: Kingdom Battle, de onde surgiu a ideia de fazer essa colaboração com a Nintendo?

Faz uns 15 anos que a Ubisoft e a Nintendo são super parceiras em diversos projetos, como Just Dance. No ano passado, houve algumas discussões (sobre o novo título). Como você sabe, com os japoneses é preciso ir aos poucos para construir uma relação de confiança. Foi de uma maneira muito natural que decidimos fazer um teste e iniciar uma nova franquia com Mario. O objetivo do Miyamoto (criador do mascote) foi testar uma nova forma de gameplay, algo que nunca tinha sido feito antes com Mario.

Com funciona o processo criativo com a Nintendo? A Ubisoft tem total liberdade criativa?

Não, com a Nintendo não se tem total liberdade criativa. Como falei, a Ubisoft alcançou um patamar de confiança com a Nintendo e, como você pode lembrar, quando o Miyamoto fez uma homenagem ao trabalho dele (na conferência pré-E3), o Yves Guillemot (CEO) ficou emocionado. É uma parceria com supervisão da Nintendo japonesa e a força da Ubisoft para criar este novo jogo.

Nintendo Switch

Nintendo Switch: controles no Joy-con grip e dock

O Switch tem o seu próprio público, o que não impede eventuais adaptações, de acordo com a Ubisoft

Como vai ser a distribuição dos jogos da empresa para o Switch? Vocês possuem uma faixa de preço para esses títulos?

Nós mesmos vamos distribuir os nossos títulos do Switch no Brasil, além de cuidar de parceria com comunidades, eventos… Vamos tentar manter o preço de R$ 249 para os games.

Quais os jogos do Switch que vocês distribuem neste ano para o Brasil? Podemos esperar o Rayman Definitive Edition, o Steep…?

Apenas o Mario + Rabbids e Just Dance. Não há data prevista para os outros.

Qual a estratégia da Ubisoft para o Switch em termos de games mais maduros?

No passado, tivemos jogos maduros para o Wii U, como o Watch Dogs e Assassin’s Creed IV: Black Flag. Mas o Switch tem outro público, outra tecnologia. Pensamos em trabalhar games específicos para a plataforma e, quando possível, adaptar outras séries. Mas não há previsão, por exemplo, para o Assassin’s Creed Origins.

É uma decisão técnica, estratégica ou ambas? (não trazer jogos maduros para o Switch)

Técnica e estratégica. Tecnicamente, é outra máquina, que tem suas vantagens e também seus aspectos mais problemáticos.

Realidade virtual

Três pessoas em sala escura, com dispositivo VR no rosto, sentadas

Thriller psicológico Transference foi uma das surpresas da Ubisoft na conferência pré-E3 2017

Falando de VR, já tivemos o Eagle Flight e Star Trek: Bridge Crew. Como a Ubisoft vê este mercado?

É um mercado novo, que está crescendo. Por enquanto, há mais ou menos um milhão de PlayStation VR vendidos (pelo mundo). Tem que aumentar a resolução e abaixar o preço (do dispositivo). Mas acreditamos muito neste mercado. Para o Star Trek, a avaliação no Steam está em torno de 95%, o que é excepcional. Anunciamos um novo conceito na E3, o Transference com Elijah Wood, e temos vários outros projetos sendo trabalhados em segredo, que vamos revelar aos poucos.

Vocês planejam a distribuição dos próximos jogos VR em mídias física e digital?

Já distribuímos estes jogos via Steam. Pretendemos seguir apenas no formato digital no Brasil.

Brasil como mercado produtor

Extinto escritório de desenvolvimento da Ubisoft em Porto Alegre, na Tecnopuc

Extinto escritório de desenvolvimento da Ubisoft no Rio Grande do Sul, na Tecnopuc, em 2009 (créditos: Canal dos Games)

Como a Ubisoft vê o Brasil como mercado produtor? Muita gente sonha em desenvolver jogos aqui, mas termina saindo para outros países, devido à falta de oportunidades. Faz parte da estratégia de vocês ter um estúdio aqui?

Já fizemos, já tentamos e, infelizmente, o Brasil não é um país fácil para isso. Não é por acaso que não há nenhum grande estúdio aqui. Quando se tem que importar os computadores e servidores, quando se tem que organizar os times com mais flexibilidade, a lei trabalhista não permite. O país precisa fazer várias reformas para poder dar essa oportunidade a tantos talentos que existem hoje por aqui, sem ter que fazê-los imigrar para lugares como Estados Unidos ou Europa.

Outros projetos

Personagem do game em destaque

BG&E 2 foi uma das surpresas da Ubisoft neste ano

Beyond Good & Evil 2: é um projeto para 2017? Podemos esperá-lo para PS4, Switch e Xbox One?

Não é para este ano, é algo para o futuro. É o maior projeto da Ubisoft em termos de inovação, gameplay, tamanho do mundo, gráficos, então não tem data. No entanto, já existe um site, o Space Monkey Program, para os jogadores se cadastrarem, recebendo atualizações do desenvolvimento e dar feedback. Sobre as plataformas, o objetivo da Ubisoft é sempre alcançar o máximo possível de máquinas. São jogos que custam mais de US$ 100 milhões, então tem que desenvolver o máximo possível para pagar as contas e obter algum lucro.

Vocês trabalham com algo relativo a franquias mais antigas? Prince of Persia, Splinter Cell…?

A Ubisoft cuida com muito amor das suas marcas. Cada uma tem que ter seu ritmo. Pode ver que, com Assassin’s Creed, deixamos a marca respirar e voltamos com Origins. O Beyond Good & Evil mesmo, teve 15 anos de descanso e ainda não está pronto. Algumas franquias estão guardadas e outras estão sendo testadas em termos de conceito. A força da Ubisoft vem de suas marcas.

Como a Ubisoft mede o sucesso de um jogo? O que garante uma sequência?

Beyond Good & Evil, por exemplo, não foi um grande sucesso de vendas. Chegou muito cedo, era um gênero novo, difícil de explicar. Mas foi um imenso sucesso crítico para quem jogou. É uma marca que virou cult. Para a empresa, foi muito importante, pois mostrou que a Ubisoft poderia fazer jogos “top” em termos de gráficos, game design, o que projetou a empresa para o top 10 de grandes empresas no mundo. Hoje, no top 3.

 


Se quiser conferir um resumo da conferência pré-E3 da empresa, veja aqui a nossa cobertura. Siga acompanhando o site e redes sociais do BitBlog para mais conteúdo relativo à E3 2017!