Waze

Gamificação foi tema da Geek Night Recife

Conhece a Geek Night Recife? São encontros informais, onde assuntos relevantes sobre desenvolvimento de software são discutidos. Abertos ao público, eles têm acontecido quase que mensalmente na capital pernambucana.

A primeira edição da Geek Night de 2016, realizada na ThoughtWorks, na última quinta-feira (28), discutiu a gamificação. Aline Cesario Matoso é uma entusiasta do tema e falou sobre suas experiências. Ela atua como gerente de projetos na Manifesto Games desde 2010, estúdio recifense que concebeu jogos e também apoiou o desenvolvimento de plataformas de gamification.

Mas, afinal, o que é gamification?

Para explicar melhor o conceito, Aline apresentou os dois elementos que compõem os games: o core gameplay e o meta gameplay. O primeiro é a atividade da qual se espera a interação do usuário. Nos jogos, seria o gênero: tiro em primeira pessoa, tower defense, etc. Já o meta gameplay consiste em mecânicas que permitem o incentivo daquela atividade: rankings, conquistas, recompensas.

MintGerenciador de custos pessoais, o Mint é um caso de produto “gamificado”

Gamificação trata-se de produtos que incorporam o meta gameplay, com o objetivo de engajar mais os seus usuários. Como exemplos, temos Waze, Foursquare e o Mint. “Gamificar não é apenas dar badges (conquistas), mas incentivar o usuário a avaliar e qualificar. Percebeu-se que uma marca, por mais famosa que seja, já não consegue engajar o público por si só”, afirma Aline.

A palestrante lembrou ainda que o conceito, tão discutido há alguns anos, vive hoje uma certa desilusão. “Estão começando a desacreditar na gamificação, este é o momento que vive o mercado”, complementou, exibindo um gráfico da Gartner que indicaria a queda de popularidade. E por que isso acontece? “O usuário não pode ser obrigado a consumir um produto que usa este conceito. Ele tem que usá-lo por vontade própria. Estão fazendo mau uso da gamificação”, alertou.

Hype Cycle do Gartner 2014 - Gamification
Gráfico “Hype Cycle” da Gartner mostra a queda de Gamification como uma tendência

Aline apresentou princípios que produtos deste tipo precisam contemplar:

  • “Não dê prêmios que o usuário não quer ganhar”;
  • “Permita objetivos personalizáveis”;
  • “Use enredos para dar maior significado à ação”;
  • “A motivação deve estar no usuário (intrínseca, e não extrínseca)”;
  • “Divida grandes desafios em pequenas metas”;
  • “Defina algumas regras”;
  • “Planeje a jornada do usuário com desafios/habilidades progressivas”;
  • “Adicione feedbacks“.

Após a apresentação, o BitBlog conversou com a palestrante, que considera o Duolingo o case mais genial até aqui de gamificação. “É uma plataforma para aprender um idioma a partir de outro. Ele é interessante porque incorpora várias mecânicas, como recompensas diárias e níveis, além de dividir grandes desafios em pequenas metas”, justifica. Para Aline, o ideal é realmente aplicar o conceito em produtos que obrigatoriamente não sejam jogos. “O grande problema de usar gamificação em recursos humanos, por exemplo, como forma de motivar times, é que termina virando algo obrigatório, fugindo do seu objetivo. Dessa forma, causa frustração e competição entre equipes, prejudicando as atividades. Nestes casos, acredito que a premiação precisaria ser algo simbólico, nunca um benefício material”, diz.

A primeira Geek Night Recife de 2016 falou ainda sobre as competições Capture the Flag, que envolvem times multidisciplinares (desenvolvedores, profissionais de segurança da informação, etc) em diversos objetivos. Desde invadir máquinas virtuais de outras equipes ao mesmo tempo em que se defende o seu ambiente até encontrar elementos escondidos em imagem através de codificação. O palestrante Caio Lüders de Araújo é aluno do CIn, na UFPE, e participa de eventos deste tipo. Ele também destacou que existe um projeto, o CTF-BR, que busca popularizar esta competição no Brasil.

Quanto tempo motoristas levam para percorrer as principais avenidas do Recife?

Quem mora no Recife, sabe que o trânsito da capital pernambucana está longe de ser uma maravilha. Não à toa, o município despontou em uma pesquisa no Brasil realizada pela empresa TomTom, especializada em geolocalização. Conseguimos o lamentável título de trânsito mais lento do país e, ainda por cima, o sexto pior em escala global.

Utilizar carros para se deslocar por certas vias do Recife, às 18h, pode ser um verdadeiro teste de paciência. Mas também pode parecer pior do que realmente é. Afinal de contas, quanto tempo um motorista levaria para percorrer toda a Avenida Agamenon Magalhães, em horário de pico?

O BitBlog decidiu fazer um experimento para calcular quanto tempo se perde em algumas das principais avenidas da cidade no horário em que os engarrafamentos são mais comuns. Desde já, deixamos claro que não se trata de pesquisa científica e nossa intenção foi utilizar a tecnologia para satisfazer essa curiosidade, sem maiores preocupações com amostragem e método.

Feita essa ressalva, vamos descrever como a medição foi planejada. Utilizamos o aplicativo Waze para calcular o tempo gasto em rota, já que é um dos apps mais populares entre motoristas e, até outubro de 2014, o Brasil era o segundo país com maior quantidade de utilizadores. Elencamos cinco avenidas para nossa experiência: Agamenon Magalhães, Rosa e Silva, Norte, Conselheiro Aguiar e Caxangá.

A ideia era estimar quanto tempo seria gasto para percorrer todo o trajeto delas em horário de pico no Recife, então fizemos o cálculo de todas entre 18h e 19h. Para isso, utilizamos um smartphone Android, os aplicativos Waze e FakeGPS Free, e ativamos a função de permitir locais fictícios no menu de opções do desenvolvedor do aparelho.

FakeGPS Free

Em outras palavras, conseguimos manipular o GPS para que ele nos localizasse em um ponto fixo, escolhido a nosso critério. Na verdade, isso nem é tão complicado. O FakeGPS Free pode ser baixado de graça na Play Store e é fácil habilitar as opções de desenvolvedor no Android.

Não nos responsabilizamos por qualquer dano a seus dados e dispositivos móveis que rodem Android, caso você queira testar e algo saia errado.

Pegamos a lista das cinco avenidas e, uma a uma, indicamos no FakeGPS onde seria o começo delas. Tomando a Agamenon como exemplo, marcamos a subida do viaduto Capitão Temudo. Já no caso da Avenida Norte foi a ponte do Limoeiro. Antes de trocar nossa posição no GPS, íamos no Waze e selecionávamos o final dessas vias como destino. Em algumas situações, o próprio aplicativo de trânsito propôs desvios que economizavam preciosos minutos, mas nas rotas alternativas forçamos ele a fazer o percurso inteiro sem entrar nas outras ruas. Também ajudou configurar o Waze a priorizar as rotas mais curtas.

Por fim, nossa amostragem, como dito anteriormente, não seguiu critérios científicos. Calculamos tudo nesta semana, sempre das 18h às 19h, na terça (30/06), quarta (01/06) e quinta (02/06). Depois, tiramos uma média para determinar o tempo de cada avenida.

Confira o resultado:

Waze Agamenon Magalhães

Avenida Agamenon Magalhães – 24 minutos

Distância: 6.3 km
Ponto inicial: Subida do viaduto Capitão Temudo
Ponto final: Shopping Tacaruna
Tempo gasto na terça: 24 minutos
Tempo gasto na quarta: 20 minutos
Tempo gasto na quinta: 28 minutos


 

waze Rosa e Silva

Avenida Rosa e Silva – 15 minutos

Distância: 2.2 km
Ponto inicial: Praça do Entroncamento
Ponto final: Estrada do Arraial
Tempo gasto na terça: 13 minutos
Tempo gasto na quarta: 21 minutos
Tempo gasto na quinta: 11 minutos


 

Waze Avenida Norte

Avenida Norte – 38 minutos

Distância: 8.6 km
Ponto inicial: Ponte do Limoeiro
Ponto final: BR-101
Tempo gasto na terça: 29 minutos
Tempo gasto na quarta: 32 minutos
Tempo gasto na quinta: 53 minutos

 


waze Avenida Conselheiro Aguiar

Avenida Conselheiro Aguiar – 11 minutos

Distância: 5 km
Ponto inicial: Pracinha de Boa Viagem
Ponto final: Burgueria Pin Up
Tempo gasto na terça: 11 minutos
Tempo gasto na quarta: 11 minutos
Tempo gasto na quinta: 11 minutos


 

waze Avenida Caxangá

Avenida Caxangá – 32 minutos

Distância: 5.8 km
Ponto inicial: Rua Real da Torre
Ponto final: Divisa com Camaragibe
Tempo gasto na terça: 34 minutos
Tempo gasto na quarta: 26 minutos
Tempo gasto na quinta: 36 minutos