Windows

A curiosidade matou o… PC!

Computador velho

Não lembro como foram meus primeiros contatos com o computador. Recordo bem quando a internet chegou em casa e eu fiquei fascinado pelo bate-papo do Uol e em ter uma conta de e-mail no Bol. Talvez eu tenha sentido amor à primeira vista pelo PC na loja do meu pai, quando aproveitava o “status” de filho do dono para, entre a emissão da nota de um cliente ou outro, jogar clássicos como Tetris, Airforce e Paranoid. O fato é que na metade dos anos 1990 eu ganhava minha primeira CPU e ela era guiada por um humilde processador AMD K6-2, embora na época eu não fizesse ideia de o quanto isso era atrasado. Hoje, então, parece até uma piada.

Mesmo com todas as suas limitações, o computador me despertava enorme curiosidade. Uma vontade de conhecer mais sobre aquela máquina e dominá-la. Esse sentimento rendeu bons frutos. Eu aprendi muito rápido noções de HTML fazendo uma página no extinto hpG. Também ensaiei um pouco de linguagem de programação com scripts para IRC e logo cedo soube o que era FTP e para que servia. Instalar novos softwares – alguns até bem inúteis – era algo mágico, como se as janelas de setup oferecessem a visão de um convidativo mundo novo. Não é à toa que bem antes de escolher jornalismo, no ensino médio, cogitei seriamente prestar vestibular para ciência da computação.

Mas essa jornada de curiosidade também atravessou caminhos tortuosos. Se afirmam que ela matou o gato, eu costumo dizer que também quebrou PCs. Sabe aquela história de criança que gosta de “bulir” onde não deve? Nesta publicação eu compartilho com os leitores do BitBlog pelo menos três ocasiões onde alguma coisa deu errado e minha CPU foi parar na assistência técnica.

systemini

System.ini

Quando comecei a ler sobre desfragmentação de disco e dicas para otimizar o espaço no HD, fui ficando obsessivo com limpeza de arquivos. O próprio Windows tinha ferramentas que faziam isso muito bem, mas eu insistia em zipar pastas e até apagar arquivos de texto como se fosse algo que trouxesse grandes benefícios.

Depois que aprendi a usar a busca do Windows de forma mais refinada, conseguia encontrar arquivos .TXT no computador e saía apagando eles. O problema é que, em algum momento, acabei me deparando com arquivos .INI, extensão muito usada nas primeiras versões do sistema operacional para salvar configurações. Como eles abriam no bloco de notas e exibiam textos confusos e inúteis para mim, decidi apagá-los. Foi em uma dessas limpezas que limei o System.ini, que, pobre coitado, não deveria ter nem 30 kbytes. Depois disso meu Windows não iniciava mais e exibia uma tela de erro durante o boot.

Overclock

Overclock

Para quem não sabe, overclock é uma técnica que pode acelerar o desempenho dos hardwares, fazendo com que um processador, por exemplo, trabalhe mais rápido e com maior eficiência. Claro que se feito de forma bem-sucedida. Agora imagine as chances disso dar certo se executado por um adolescente que nem conseguia desparafusar direito o gabinete? Mais uma vez eu ficava desesperado ao dar o reset na máquina e perceber que tinha feito alguma besteira. E o medo de ficar de castigo? Parando para pensar, foi quase um milagre não ter queimado nenhum componente. É, poderia ter sido pior…

pente memória ram

Pente de memória

Nunca fui muito habilidoso nem tinha paciência para caixa de ferramentas e chaves de fenda. Justamente por isso, quando precisava substituir alguma placa ou pente de memória do computador, levava a CPU em algum técnico para ele desmontar e fazer a troca. Além de envolver algum gasto, demandava tempo e aquilo me corroía.

Lembro que meu PC tinha dois slots para pentes de memória e resolvi substituir um deles por um mais arrojado, o que também não deveria ser grande coisa na época. Pela primeira vez, faria tudo sozinho. Pesquisei na internet, ví fotos, tutoriais e achei simples. Toda uma preparação! Um site falava que era bom passar uma borrachinha nos contatos das memórias para retirar qualquer resquício de sujeira ou oxidação e segui o conselho.

Desparafusei o gabinete, removi as peças, limpei e coloquei no lugar, substituindo um dos pentes pelo mais novo que comprei. De repente, meu computador não ligava mais. E, para piorar, bipava monstruosamente. Eu tremia de nervosismo, só faltava chorar e imaginava a assistência técnica dando o veredito de conserto irremediável. Por conta do horário, não tinha nem a quem recorrer e restou a mim dormir mal, como uma criança que destrói o próprio brinquedo.

No dia seguinte, depois de tanto suspense, descobri com os técnicos o que provocou o defeito. Ao contrário do cenário apocalíptico que eu vislumbrava, os pentes de memória simplesmente não estavam encaixados direito, provavelmente porque tive medo de empurrá-los no slot.

Este post é dedicado a todos aqueles que são movidos pela curiosidade.