Jogamos: We Happy Few é um indie claramente inspirado em 1984

Nem só de blockbusters vive a E3. O maior evento de videogames do mundo, que aconteceu nesta semana, no Los Angeles Convention Center, também abriu espaço para que os indies pudessem brilhar. Um dos títulos que chamou atenção do público – e, consequentemente, do BitBlog – foi o We Happy Few, que tem lançamento previsto para 26 de julho deste ano. A princípio, ele é um exclusivo do Xbox One e PC.

Claramente inspirado no clássico 1984, de George Orwell, e frequentemente comparado a Bioshock, o enredo elaborado pela Compulsion Games insere o jogador no universo distópico de Wellington Wells. A cidade inglesa fictícia foi invadida pelos alemães nazistas em 1964 e conseguiu derrotá-los recorrendo ao que ficou conhecido como “Very Bad Thing” (uma coisa muito ruim), um episódio que parece ter mudado o destino dos cidadãos do lugar. Desde então, eles passaram a tomar pílulas de Joy, uma droga que suprime lembranças tristes e pode provocar psicose.

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O gamer vivencia as consequências das escolhas de Arthur Hastings, um cidadão que decide deixar de tomar as pílulas e percebe que o mundo em que acreditava não passava de uma ilusão. Por conta disso, ele passa a ser perseguido e precisa encontrar uma forma de escapar da cidade.

Na E3, pudemos jogar os primeiros momentos de We Happy Few. Vemos Arthur Hastings, que trabalha como arquivista na prefeitura, examinando documentos antigos e censurando alguns deles – o que é quase um paralelo a Winston Smith e seu papel no Ministério da Verdade, em 1984. Outro elemento que remete à obra é a figura do Uncle Jack, uma espécie de Big Brother de Wellington Wells.

Distopias geralmente rendem boas histórias e Bioshock, franquia da qual sou fã, é um grande exemplo disso. Em We Happy Few, o jogador sente vontade não apenas de escapar, mas de entender mais sobre a história e o contexto que levou à construção de uma sociedade perturbadora como aquela. O pano de fundo deste indie game, ainda que de forma subliminar, propõe reflexão sobre questões filosóficas e existenciais, como o que é a que a felicidade e o que é real.

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Outro aspecto interessante sobre We Happy Few é que ele foi financiado pelo Kickstarter e arrecadou mais de 300 mil dólares canadenses (equivalente a R$ 800 mil). Já existe uma wiki oficial com informações sobre a história para situar os jogadores e gerar mais expectativa, embora eu tenha a impressão de que ela revela mais do que deveria. Ainda assim, vale dar uma olhada para se preparar.

Eu, pessoalmente, estou empolgado com mais uma criação da Compulsion Games e acredito que vai ser um título do qual muita gente vai lembrar nos próximos anos. Talvez parte disso é porque considero animador quando a indústria dos videogames tenta arriscar mais (Horizon e Steep, que o digam). De todo modo, o lançamento de We Happy Few começa a ser um motivo para eu lamentar não possuir um Xbox One.